O que é glúten? Por que a embalagem dos alimentos avisa sobre a presença dele?

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O que é glúten? Essa é uma ótima pergunta, pois muito se fala sobre glúten e pouco se explica. Na verdade o glúten é uma proteína presente no trigo, no centeio, no malte e na cevada. Ele é responsável, por exemplo, por dar maciez aos pães. Até aí tudo está normal, só que existem pessoas que são portadoras de uma doença chamada doença celíaca que têm dificuldade em digeri-lo. Ou seja, elas possuem intolerância a glúten, o que nada tem a ver com a intolerância a lactose, como muitas pessoas pensam.

O glúten, na verdade, é o resultado da mistura de proteínas que se encontram naturalmente no endosperma da semente de cereais da família das gramíneas (Poaceae). Fazem parte dessa família, como já dito, o trigo, o centeio, a aveia, o malte e a cevada. O glúten é a combinação de dois grupos de proteínas: a gliadina e a glutenina. Ele é responsável, por exemplo, por dar maciez aos pães.

O que é glúten: Por que algumas pessoas não podem comê-lo?

Quando o glúten chega ao intestino dessas pessoas, anticorpos impedem o órgão de absorver essa e outras proteínas. Além disso, não absorve os carboidratos, vitaminas, ferro e cálcio. Os nutrientes são eliminados pelas fezes e a pessoa fica com deficiências nutricionais graves. Conforme estudo publicado na revista Jornal de Pediatria [1], os nutrientes são eliminados pelas fezes e a pessoa fica com deficiências nutricionais graves. A doença é genética e o sintoma mais comum é uma diarreia crônica, excesso de gases, barriga inchada, dor de barriga.

Pessoas com doença celíaca se sentem muito cansadas. Isso porque, os níveis de energia podem ser ligeiramente afetados após consumir uma grande refeição, enquanto o seu corpo trabalha para digerir os alimentos. Podem, ao mesmo tempo, sentir fortes dores de cabeça. Essa cefaleia tem ocorre, geralmente,  dentro de 30 minutos até uma hora após a ingestão para muitos indivíduos. Depois de uma refeição, quem tem doença celíaca pode apresentar inchaços, gases, constipação e dor de estômago.

O diagnóstico da alergia ao glúten e da doença celíaca é relativamente simples, basta fazer um exame de sangue e a biópsia do intestino.

O que é glúten: embalagens dos produtos

Como já explicado, pessoas com essa doença não devem ingerir produtos contendo glúten em nenhuma hipótese. Essas pessoas não podem ingerir alimentos como pães, bolos, bolachas, macarrão, coxinhas, quibes, pizzas, cerveja, whisky e vodka. Isso, se esses alimentos possuírem o glúten em sua composição ou processo de fabricação. A doença celíaca afeta aproximadamente 2 milhões de brasileiros. Contudo, maioria das pessoas não sabe que tem a enfermidade, provocada pela intolerância permanente ao glúten. De cada oito celíacos, apenas um tem o diagnóstico.


De acordo com o site da Câmara dos Deputados [2], no dia dia 16 de maio de 2001, a lei que tornou obrigatória a identificação dos alimentos com glúten nas embalagens ou rótulos (10.674/03) foi publicada no Diário Oficial.

⚠️Atenção: pessoas que não sofrem de Doença Celíaca não devem fazer dieta sem glúten. Isso pode desencadear desnutrição grave.

Artigo científico: Jornal de Pediatria [1]


Atenção: O material neste site é fornecido apenas para fins educacionais, e não deve ser usado para conselhos médicos, diagnósticos ou tratamentos. 


Bióloga - CRBio/RJ 96514/02-D. Fundadora e administradora do Diário de Biologia. Possui graduação em Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas. Doutorado (2013) e Mestrado (2009) em Zoologia pelo Museu Nacional/UFRJ, especialista em insetos, autora do livro "O Mundo Secreto dos Insetos" - Cortez Editora. Experiência com palestras nacionais e internacionais. É autora ou coautora de artigos científicos publicados em revistas científicas, livros e capítulos de livro, e comunicações em eventos nacionais e internacionais. Colaboradora em revistas de divulgação científica para crianças (Ciência Hoje Para Crianças e Revista Recreio). Interessada em cultivo de plantas carnívoras. Atualmente mora na França, mas seu coração é brasileiro. Instagram: @karlla_diariodebiologia.