De onde vem a revoada de cupins (aleluias)?

29 agosto, 2010

“Quem são aqueles bichinhos de asas grandes que voam em revoada em volta das lâmpadas?” Judith

“Karlla, como faço para me livrar de revoada de aleluia? Tá me deixando louca.” Cássia Carneiro – SP

“Por que as aleluias fazem aquelas revoadas? por que as asas caem?” Jorge Nascimento

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Judith, Cássia e Jorge, as aleluias (ou siriri ou sarara em algumas regiões do Brasil) são insetos da ordem Isóptera. Os isópteros são insetos sociais como as abelhas e formigas. Vivem em cupinzeiros (ou termiteiros) com a sociedade dividida nas seguintes castas: os reprodutores, que são os indivíduos com asas (esses que entram na nossa casa a noite) machos e fêmeas que são encarregados de propagar a espécie fora do cupinzeiro em que nasceram. O casal se encontra e inicia o processo de construção do próprio ninho, vivem juntos por toda vida nas profundezas da nova colônia. Os soldados (fêmeas) e operários (machos) são formados por formas sem asas e estéreis e tem a função de cuidar do cupinzeiro tal como formigas operárias fazem.

As revoadas são formadas, claro, pelos machos e fêmeas reprodutores. Eles deixam seus respectivos ninhos em busca de um companheiro para iniciar uma nova colônia. Geralmente, na primavera e verão (épocas úmidas) milhares de reprodutores se preparam para a revoada. Primeiro, sob ação de hormônios sociais, as formas aladas, são enviadas a compartimentos subterrâneos. A saída para fora do cupinzeiro é fechada por centenas de operários, o que provoca uma compressão dentro das câmaras de espera. Há um momento, que todos aqueles reprodutores presos são acometidos por um frenesi. Produzem intensa vibração com as asas, provocando calor, os operários então, abrem a saída e milhares de casais saem em revoada numa gigantesca e efêmera nuvem de insetos, ocorrida geralmente no crepúsculo. É incrível! Para se livrar da revoada dentro de casa, com a chegada dos primeiros indivíduos, feche as portas e janelas e apague as luzes!

Uma vez fora, saem voando direcionados pela luz, por isso aparecem sempre na lâmpada da nossa casa. Eles não sabem que aquela é uma luz artificial! Então, longe do cupinzeiro onde nasceram os reprodutores perdem suas asas, isso ocorre naturalmente. Uma vez no solo, ou sobre a madeira, se tiverem sorte, encontram o companheiro para o primeiro ato sexual e então o casal se torna um casal real que inicia a escavação de uma galeria, terminada numa cavidade mais ampla, chamada câmara nupcial, onde após alguns dias ocorre a primeira cópula e a fêmea coloca os primeiros ovos.

Bom, cerca de um mês depois da revoada, encontro do casal real, abertura da galeria e postura dos ovos, aparecem as primeiras formas jovens, que serão criadas pelo casal real. Quando estas jovens começarem a se locomover, o casal real passa a ter apenas a função de procriar e o macho fecunda a fêmea periodicamente; o casal real permanece na câmara nupcial que é alargada pelas operárias para acomodar o corpo da fêmea.

Castas: Reprodutor, soldado (fêmea), Operário (macho)

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Casal real: o abdômen da fêmea  pode atingir até 2.000 vezes o volume do resto do corpo. Ou seja, a fêmea “engorda” pra caramba depois de “casar”!!!

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Revoadaaaa!!!!!

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Vermes decompositores de cadáveres também podem atacar pessoas vivas?

16 junho, 2010

“Achei muito legal esse site porque sou muito curiosa, mas essa nem o google resolveu. Os decompositores do corpo humano (vermes necrófagos) que saem do cadáver em decomposição só consomem a carne depois que a pessoa morre? Nos casos de necrose de um membro eles também agem?” Silvani Alves – São Bernardo do Campo/SP

Sim Silvani, alguns tipos destes “vermes” também podem agir em pessoas vivas. Na verdade, aqueles vermes geralmente são larvas de insetos que de alguma forma estiveram em contato com o cadáver (ou carcaça de animal) onde as fêmeas fizeram postura de seus ovos. A situação mais comum é resultado da postura de moscas saprófagas: mosca varejeira, moscas da carne, moscas domésticas e outras.

Normalmente esses insetos são responsáveis pela decomposição dos cadáveres, no entanto, podem invadir feridas necrosadas e causarem uma infestação que chamamos de miíase (também conhecidas popularmente como “bicheira”). As miíases  são proliferações de larvas de moscas em tecidos vivos que ocorrem quando as fêmeas depositam ovos e estes dão origem a larvas em plena atividade de desenvolvimento, ou seja, com muita fome. Se uma miíase não é curada, com a retirada de todas as larvas, esses imaturos podem “cavar” o tecido e causar grandes danos àquela parte do corpo afetada. É muito comum encontrarmos focos de miíases em animais sem cuidado, mas infelizmente, é corriqueira a situação de larvas invadindo a cabeça e feridas de humanos, principalmente aqueles moradores de rua, que não possuem uma higiene básica e necessária.

Muitas destas espécies de moscas também põem seus ovos no lixo, resultando naquelas larvinhas brancas, muito comuns em lixo sem cobertura. Curiosamente, apesar da gravidade desta situação, hoje em dia larvas de moscas vem sendo grande aliadas  nos tratamentos de feridas crônicas em doentes diabéticos ou que sofreram queimaduras de 3º grau, conforme pode ser visto AQUI.

Olha elas aí. Essas gulosas!

As imagens de Miíase são muito fortes, me recuso a colocar mais do que essa. Procurem no Google!

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Como as abelhas fazem o mel?

24 maio, 2010

“Eu sei que as abelhas visitam as flores para coletar néctar para produzir o mel. Mas o que elas fazem dentro da colméia que o néctar se transforma em mel? O que elas fazem com o mel? Comem?
Sandro Antônio Neto – Niterói/RJ

Sandro, sabemos que existem diferentes funções dentro de uma colméia, não é? As abelhas que buscam o néctar das flores para a produção de mel, são chamadas de “abelhas campeiras”. Mas elas não carregam baldinhos como nos desenhos animados. Na verdade, além de uma espécie de bomba de sucção, elas possuem uma região no estômago reservada para a estocagem do néctar. Em uma viagem, uma abelha campeira pode visitar milhares de flores até preencher este reservatório. É um trabalho duro!

Quando elas retornam à colméia transferem o néctar coletado para as “abelhas engenheiras”. Essas sim são responsáveis pela produção do mel e para isso, o primeiro passo é retirar o excesso de umidade. As engenheiras tomam o néctar das campeiras estendendo a tromba (um parte alongada da boca) e sugando rapidamente. Ela manipula o mel dentro da boca, vai para uma parte da colméia onde o produto será estocado. Com a cabeça erguida, por várias vezes, estica e retrai a tromba. Esse processo expõe a gota de néctar à ação do ar e provoca a sua evaporação, resultando num produto mais concentrado para só aí, ser depositado na célula (favo).

Durante esse processo de retirada da umidade, as abelhas introduzem através da saliva enzimas como a invertase que converte o açúcar do néctar em dois outros açúcares: glicose e frutose e a glicose oxidase, que convertem glicose em ácido glicônico, o que torna o mel ácido e protege contra as bactérias que o fariam fermentar.  Uma vez depositada e preenchida a respectiva célula, esse produto (que ainda não é mel) será lacrado com cera pelas abelhas e só depois de 48 horas, teremos o mel.

O objetivo principal da produção de mel é exatamente manter o suprimento alimentar da colméia. Ou seja, as abelhas se alimentam vigorosamente do próprio mel que produzem. Além disso, se alimentam de pólen que geralmente vem preso nas pernas “peludas” das campeiras. Alguns apicultores chamam o pólen de “pão de abelha”. É como se ele fosse uma variação no cardápio alimentar!

:wink: Quando as abelhas campeiras pegam o néctar, também carregam o polén das flores presos nas pernas. Além de ajudar na polinização, elas ainda levam um lachinho para as colegas de trabalho!

xD Após o processo de redução do néctar e das reações químicas, o mel é estocado nos favos e lacrado com cera!

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Saiu mais uma matéria na Revista Recreio da Editora Abril com minha colaboração. CLIQUE PARA AUMENTAR!

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Pyralídeo: Que BICHO é esse?

4 abril, 2010

De longe ela lembra uma imagem de Cristo na cruz. De perto e se não tivesse asas, lembraria uma sereia graças ao “pompom” que parece um “pompom” de torcida. É laranja e tem farpas prateadas com brilho prateado. Ela mexe o abdome como que chamando atenção para a cauda (acredito que seja um mecanismo de defesa para enganar predadores). Quando ela “dorme” ou não há perigo, esse “pom pom” alaranjado se fecha. Alguém sabe dizer se há registros dessa espécie? – Max Hazy (via: Orkut)

Imagem retirada a partir do vídeo publicado no youtube pelo Max.

Sim Max, esta espécie já é registrada. Trata-se de uma mariposa da família Pyralidae. O nome científico é Diaphania indica e esta é uma das principais pragas de uma família de plantas chamada de cucubitaceae (pepino, melão, abóbora, algodão, etc…).  Suas larvas são conhecidas como “lagarta do algodão” e “lagarta da abóbora”, pois são sempre encontradas se alimentando das folhas destes vegetais.

Por causa deste hábito comilão das lagartas, esta espécie costuma causar uma grande dor de cabeça nos agricultores sendo apontada como uma verdadeira praga das plantações. As fêmeas fazem postura dos ovos (de 2-6) para uma incubação que dura de 3 a 4 dias.  A fase larval dura cerca de 14 dias se alimentando das folhas jovens e dos brotos de de curcubitácea que veem pela frente. As larvas são verdes e possuem duas listras brancas subdorsais que geralmente desaparecem pouco antes de empupar. Nesta fase a lagarta deixa a planta e geralmente se enterram para a fase de pupa.

Os adultos são lindões (veja foto), possuem asas brancas translúcidas com as bordas castanhas escuro. O mais interessante é aquele par de “pompom” alaranjado na parte posterior do abdômen. Nas fêmeas ele é mais desenvolvido e mais denso.

Olha o estrago que as larvas fazem nas folhas de abóbora!!! :o

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O DIÁRIO DE BIOLOGIA DESEJA A TODOS LEITORES E INTERNAUTAS A MELHOR PÁSCOA DO MUNDO, COM MUITO CHOCOLATE!

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“JUST FOR FAN”

O coelho não bota ovos ele é gerado no útero e utiliza a placenta para se nutrir durante o desenvolvimento, assim como os seres humanos. Mas, nem todos os mamíferos possuem placenta. Como exemplo, podemos citar o ornitorrinco e a équidna, pertencentes a um grupo de mamíferos que põem ovos. Um outro caso especial é o grupo dos cangurus. As fêmeas destes animais possuem uma bolsa chamada marsúpio, onde o filhote fica protegido desde o seu nascimento até o seu completo desenvolvimento.

(O email da Lily foi respondido e enviado diretamente para ela, explicando melhor o porque do ovo e o coelho são os símbolos da páscoa!)

Karlla Patrícia

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As baratas podem mesmo viver sem cabeça?

19 março, 2010

“Já vi várias pessoas falando que as baratas podem viver sem cabeça. É difícil imaginar isso, pois como seria viver sem cérebro, respiração, etc. Isso é verdade mesmo ou é mito?”
Alex Wagner – Feira de Santana/BA

Realmente é difícil imaginar isso, não é Alex? Mas é a mais pura verdade! O que acontece é que sempre tentamos nos comparar com os animais, e no caso dos insetos as diferenças fisiológicas são muito grandes. Seres humanos possuem um sistema nervoso complicado, com toda fisiologia dependente das “ordens” do cérebro, sangue quente, entre outros.

As baratas (e alguns outros insetos) podem viver alguns dias sem cabeça.  Isto não é difícil de entender! Baratas possuem um sistema circulatório aberto (o sangue flui entre as cavidades, não possuem veias e capilares como nós), por causa disso, possuem uma pressão sanguínea muito fraca, assim, quando decapitada não sai jorrando sangue até morrer, a abertura deixada pela cabeça simplesmente coagula e resolve este problema.

Elas não tem nariz, respiram através de espiráculos (pequenos buracos) em cada segmento do corpo, o cérebro não controla sua respiração e o sangue não transportam oxigênio pelo corpo, ou seja, sem cabeça, ela respira normalmente. As baratas, assim como todos os outros insetos,  tem sangue frio, isso permite que ela queime pouca energia e por isso necessite de muito menos alimento, podem sobreviver por semanas com a refeição de um dia. Pra quê boca, né?

E por fim, o coração é um vaso estendido ao longo do dorso do bicho e o sistema nervoso fica espalhado pelo abdome. Dá pra entender porque ela consegue sobreviver por tanto tempo sem cabeça: os órgãos vitais não estão na cabeça. Ela só morre quando as reservas alimentares cessam, se for devoradas por predadores ou atacada por fungos e bactérias. Normalmente quando perdem a cabeça, elas ficam em algum cantinho esperando calmamente a morte buscá-la e ao contrário do que as pessoas pensam, elas não saem loucas sem cabeça batendo nas coisas e subindo nas nossas pernas!

As baratas podem viver sem cabeça porque seus órgãos vitais não estão lá!

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Membracídeos: Que BICHO é esse?

20 novembro, 2009

“Sempre leio seu blog e estou sempre aqui para saber das novidades! Gostaria que você tirasse uma dúvida minha e de meus colegas de serviço! Aqui no serviço estávamos comentando sobre esse bichinho (abaixo) que sumiu não tem sido visto mais. E que antes era muito comum. Parece que chamam ele de soldadinho! Precisamos descobrir mais sobre esse bichinho lindo e simpático!” Fernanda Storck (via: contato@diariodebiologia.com)

Imagem enviada pela Fernanda!

Fernanda e colegas, obrigada pela confiança e pelo carinho! Essa “fofura” pretinha com ornamentações brancas, que parece mesmo ter algo desproporcional no corpo é um membro da ordem HEMIPTERA, subordem AUCHENORRHYNCHA, família MEMBRACIDAE.  Para ser mais clara, fazem parte do mesmo grupo e são insetos bem próximos às cigarras e cigarrinhas.

Os membracídeos são insetos com uma beleza sem igual! São caracterizados, principalmente por apresentarem um pronoto enorme que encobre a cabeça e se estende para trás até chegar ao abdome. Esse “pronotão” assume formas muito peculiares, que muitas vezes servem de camuflagem. Algumas espécies pronoto em forma de espinhos, outras chifres ou ganchos. As asas são sempre paralelas ao pronoto grandão e isso faz com que o inseto tenha uma forma alongada para cima (veja nas imagens). Eles são muito pequeninos raramente possuem mais que 10 ou 12 mm.

Os soldadinhos se alimentam da seiva das árvores e arbustos, a maioria das espécies se alimenta de um tipo específico de planta. No estágio de ninfa (jovem) se alimenta de plantas herbáceas como a grama. Eles apresentam uma ou duas gerações por ano e geralmente passam o inverno no estágio de ovo.

O interessante deste bichinho, além da “fofura” é que eles possuem muitas vezes uma associação de mutualismo com as formigas. Isso mesmo! Os adultos perfuram os os caules das plantas com as suas peças bucais, alimentando-se da seiva. O excesso de seiva é excretado, formando melada que costuma atrair as formigas. Essas, por sua vez protegem os soldadinhos contra predadores.

Em especial, esta espécie que recebemos a imagem parece ser a “viuvinha” (nem precisa falar porque, né?), o nome científico é  Membracis lunata. Mas para saber se é mesmo esta espécie seria necessário examinar!

Aí está o “soldadinho” ao lado de sua ninfa (estágio imaturo) tão linda quanto, não é? Abaixo outros representates da mesma família. Lindíssimos!

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FONTE: STUDY OF INSECTS – BORROR

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