Peixes abissais: Os senhores das trevas

“Gostaria muito de ler um post relacionado as criaturas que vivem no fundo do mar, acho elas muito interessantes e misteriosas, sem falar nos seus hábitos que devem ser muito diferentes para poder sobreviver em tais localidades.” William Theis

William, as criaturas abissais são seres realmente incríveis. Vivem em até 4000 metros, onde não há sol e a temperatura média é de 2 graus, não há alimento e a reprodução é difícil. As formas de vida são peculiares, as adaptações são assustadoras. Pelas dificuldades em encontrar alimento, algumas especies possuem boca e estômago capazes de engolir e digerir presas com o dobro do seu tamanho. É impressionante como conseguem sobreviver a esmagadoras pressões. Afinal, a 2000 metros, a pressão da água pode arrebentar um cilindro de mergulho. As adaptações são incríveis, muitos desses peixes desenvolveram sistemas orgânicos destinados a iluminar as trevas para atrair suas presas: possuem luzes no próprio corpo, que acendem e apagam como lanternas quando necessário. Nas profundezas não existem cardumes, em algumas espécies, ao encontrar a fêmea, os machos se fundem ao corpo da companheira, transformando-se em um depósito de espermatozóides e nada mais.

Alguns peixes da família dos ceratióides, chamados pelos americanos lanterneye fishes (peixes-de-olho-de-lanterna) possuem embaixo do olho uma cavidade que abriga bactérias bioluminescentes. Durante o dia, esses peixes mergulham a grandes profundidades. A noite, ausente a luz solar, sobem à superfície para se alimentar de plâncton, microorganismos que vivem em suspensão na água. O Kryptophanaron, que vive nas águas do Caribe, tem sob os olhos uma cavidade que emite luz e que fica coberta por um tipo de persiana escura quando não deseja ser visto. Outras espécies, Anomalops e Photoblepharon, têm uma forma de haste com um farol na ponta, que projetam para a frente e para trás da cabeça e também escondem embaixo do olho.

O Pachystomias, um peixe predatório chamado peixe-dragão (dragon fish), faz jus ao nome. Não solta fogo, é claro, mas tem uma série de células fosforescentes espalhadas na boca, ao longo do corpo e debaixo do olho. Eles possuem o que os especialistas chamam barbilhão, um fio que sai por baixo da mandíbula do peixe, com um farol na ponta. O Chauliodus (peixe-víbora), tem uma haste que é uma extensão dos primeiros raios da nadadeira dorsal e também luzes dentro da boca para atrair a presa direto ao estômago. Os olhos tubulares do Asgyropelecas, assim como do Stentoptyx, do Gigantura e ainda do Stylephora, sempre voltados para cima, enxergam contra a luz que vem da superfície a silhueta de seus inimigos e da refeição em potencial. O Asgyropelecus paciftecus emite luz verde e azul na mesma intensidade da iluminação procedente da superfície; portanto tornam-se invisíveis.

E quem pensa que nunca vai encontrar uma criatura dessas, saiba que muitos desses peixes se dirigem à noite à superfície para apanhar plânctons, filtrando grandes quantidades de água através da boca e das brânquias. Outros, carnívoros, desenvolveram dentes avantajados, boca articulada e enorme estômago para o seu pequeno tamanho, finos e compridos, não crescem mais de 30 centímetro. Os peixes do gênero Saccopharynx, parecidos com serpentes, têm a cabeça grande e uma boca que abre e fecha como uma tampa de lixo para engolir a presa. Há pequenos tubarões com grandes dentes embaixo da boca e pequenos em cima. São capazes de morder presas muito maiores do que eles próprios, arrancar um naco de carne do tamanho de metade de uma laranja e fugir deixando no lugar a marca feroz de sua boca. Nas profundezas do oceano, comer não é fácil nem frequente; desse modo, a satisfação dessa necessidade depende muito do que sobra da produtividade da vida na superfície. A falta de alimento obriga os peixes a serem particularmente vorazes a qualquer momento: eles desconhecem a saciedade.

Chauliodus (peixe-víbora): possui ”luzes” dentro da boca para atrair a presa direto ao estômago.

Chiasmodon: Possui boca e estômago capazes de engolir e digerir presas com o dobro do seu tamanho.

Linophryne arborifera

Linophryne  inica

Melanocetus sp.

 Melanocetus  johnsonii

 Pachystomias (peixe dragão): Tem uma série de células fosforescentes espalhadas na boca, ao longo do corpo e debaixo do olho.

 Saccopharynx: Parecidos com serpentes, têm a cabeça grande e uma boca que abre e fecha como uma tampa de lixo para engolir a presa.

FONTE: Abissal – Por Marcos A. de Sousa