Hermafroditismo: entenda o aparato genital de uma pessoa hermafrodita

O hermafroditismo não é exatamente o que as pessoas pensam.

hermafrodita

Hermafrodita é o termo usado para designar pessoas que nascem com os dois fenótipos sexuais.

Essas pessoas não possuem uma definição clara se são do sexo masculino ou feminino.

O que é hermafrodita em biologia?

De acordo com registro de caso publicado no Journal Of Case Report [1], em biologia, o hermafroditismo é uma desordem da diferenciação sexual na qual criança nascida não apresenta claramente um fenótipo masculino ou feminino.

Em outras palavras, o hermafroditismo é a presença em um indivíduo de genitais ambíguos desde o nascimento.

Na verdade, o hermafroditismo não é um evento raro entre os animais. Diversas outras classes têm naturalmente esta característica, como as minhocas, por exemplo.

Contudo, quando falamos sobre a aparência do genital de um ser humano hermafrodita, há dúvidas e curiosidades.

As pessoas fantasiam genitais funcionando como tal ao mesmo tempo. Mas, as coisas não funcionam bem assim.

Tipos de hermafroditas

Hermafroditismo verdadeiro

Quando o hermafroditismo é verdadeiro, também conhecido como Intersexo gonodal verdadeiro, os bebês nascem com os dois órgãos sexuais, tanto externamente quanto internamente.

Isso quer dizer que o bebê tem genital masculino, testículos, genital feminino, ovários e úteros.

Em outras palavras, o bebê vem ao mundo apresentando tanto tecido ovariano quanto tecido testicular.

Isso pode acontecer na mesma gônada (chamado, portanto, de ovotestículo), ou a também pode apresentar um ovário e um testículo, como já dito acima.

O indivíduo pode ter cromossomos XX, cromossomos XY ou ambos.

Pseudo-hermafroditismo masculino

No pseudo-hermafroditismo masculino, também conhecido como 46-XY Intersexo, o bebê nasce como masculino, ou seja, cromossomos XY.

Contudo, os genitais externos não se desenvolvem completamente. Há, então, a formação de uma genitália ambígua ou evidentemente feminino.

Internamente, nesse caso, apresenta, geralmente, os órgãos reprodutores femininos.

Pseudo-hermafroditismo feminino

O último caso é o pseudo-hermafroditismo feminino, também conhecido como 46-XX Intersexo. Nesse, a criança nasce como do feminino, ou seja, cromossomos XX. Mas, o clitóris é muito desenvolvido e tem o formato de um genital masculino.

Assim, a genitália externa é, aparentemente, masculina. Essa, a saber, é a forma mais comum da anomalia.

Na maioria dos casos uma doença genética que acomete a glândula suprarrenal, leva à produção de hormônio masculino em grande quantidade.

Mas, como já dito, o teste genético mostra que as pacientes são meninas.

Hermafroditismo indeterminado

Os hermafroditas indeterminados, também conhecidos como Intersexo Complexo, podem apresentar diferenciações cromossômicas.

Neste caso, então, incluem 45-XO (somente um cromossomo X), 47-XXY e 47-XXX, sendo que os dois últimos apresentam um cromossomo sexual extra.

Causas do hermafroditismo

No caso do hermafroditismo verdadeiro, as causas ainda parecem enigmáticas. Mas, no caso do pseudo-hermafroditismo, há diversos estudos apontando causas.

Ao que parece, as alterações no desenvolvimento sexual podem estar associadas a síndromes de malformações do trato urinário e gastrointestinal e esqueléticas.

Os autores de um artigo médico publicado nos Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia [2], apontaram as seguintes causas:

  • tumor materno virilizante de origem ovariana ou adrenal
  • da mãe portadora de hiperplasia adrenal congênita virilizante
  • Luteoma da gravidez, um pseudotumor ovariano
  • Exposição excessiva a hormônios masculinos durante a gestação

Cirurgia para hermafroditismo

Geralmente, a pessoa hermafrodita tem um aparato masculino pouco desenvolvido ou um clitóris aumentado.

Ou seja, tem um órgão ambíguo.

Nos casos em que fica impossível saber se o bebê é menino ou menina com facilidade,  equipe multidisciplinar, em conjunto com os pais, opta pelo melhor, que deve ser escolhido para aquela criança após uma série de exames.

Contudo, a cirurgia de definição também é um procedimento aconselhado.

Ela pode ser feita quando a criança nasce, de acordo com o sexo de nascimento.

No entanto, quando em fase adulta, a decisão fica a par da pessoa.

Obviamente, é necessário um acompanhamento médico, durante o processo de definição.

Tratamento para hermafroditismo

O tratamento depende da idade em que o diagnóstico foi feito, podendo ser através de reposição hormonal ou cirurgia para definição.

Quando identificado logo no nascimento, se é menino ou menino é definido a partir das características do nascimento, sendo realizada cirurgia.

No entanto, se for identificado na adolescência, a decisão  é feita pela pessoa a partir da sua identificação social.

Uma reposição hormonal para uma pessoa hermafrodita pode ser indicada pelo médico para estimular o desenvolvimento de características relacionadas ao escolhido.

Tudo isso envolve um acompanhamento psicológico para auxiliar no processo de aceitação do corpo.

Assim é feita uma reposição com estrógeno, para o desenvolvimento das características femininas, ou testosterona para o desenvolvimento das características masculinas.

Além disso, é importante ter acompanhamento psicológico específico para uma pessoa hermafrodita para auxiliar no processo de aceitação do corpo e diminuir os sentimentos de angústia e medo, por exemplo.

Conclusão

Desta forma, entende-se que, algumas vezes, por fora a pessoa parece ter os genitais e órgãos reprodutores normais.


No entanto, as estruturas internas se apresentam de outro sexo. Dificilmente você verá imagens de homens e mulheres adultos com hermafroditismo verdadeiro.

Normalmente, isso é corrigido cirurgicamente, antes que o bebê complete 1 ano de idade. Além disso, as imagens antigas de pessoas com o problema, tem uma definição ruim.

 


Atenção: O material neste site é fornecido apenas para fins educacionais, e não deve ser usado para conselhos médicos, diagnósticos ou tratamentos. 


Bióloga - CRBio/RJ 96514/02-D. Fundadora e administradora do Diário de Biologia. Possui graduação em Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas. Doutorado (2013) e Mestrado (2009) em Zoologia pelo Museu Nacional/UFRJ, especialista em insetos, autora do livro "O Mundo Secreto dos Insetos" - Cortez Editora. Experiência com palestras nacionais e internacionais. É autora ou coautora de artigos científicos publicados em revistas científicas, livros e capítulos de livro, e comunicações em eventos nacionais e internacionais. Colaboradora em revistas de divulgação científica para crianças (Ciência Hoje Para Crianças e Revista Recreio). Interessada em cultivo de plantas carnívoras. Atualmente mora na França, mas seu coração é brasileiro. Instagram: @karlla_diariodebiologia.