Estudo surpreende ao revelar que barriga de aluguel pode modificar o DNA e passar características para o bebê


maternidade por substituição conhecida popularmente como barriga de aluguel é um acordo em que uma mulher aceita engravidar com o objetivo de desenvolver e dar à luz uma criança a ser criada por outros. O bebê pode ser filho biológico da mulher em estado de gravidez (forma mais tradicional) ou ser fruto do óvulo de uma outra mulher previamente fertilizado e implantado no útero da gestante. Quando acontece o segundo caso, todo o material genético pertence à mãe doadora do óvulo e o homem dono do espermatozoide que a fecundou, certo?  Bem, era isso que se pensava, mas um estudo publicado na revista científica Development constatou que a gestante é capaz de modificar a genética do seu futuro filho, mesmo quando a gestação é um caso de barriga de aluguel.

A pesquisa mostrou pela primeira vez que existe uma influência do ambiente intrauterino sobre o desenvolvimento genético do embrião, mesmo em casos de óvulos vindos de outra mulher. Isso quer dizer que é possível que  a íntima ligação entre a gestante e o embrião influencie e modifique o código genético do bebê que está sendo gerado.

Os pesquisadores acreditam que essa novidade poderá mudar a definição de barriga de aluguel. Por outro lado, mães que recebem óvulos doados para realizar seus sonhos de terem um filho se sentirão muito mais confortáveis para o procedimento, uma vez que, o bebê terá de alguma forma influência do material genético da gestante.


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O estudo

O responsáveis pelo estudo disseram que  microRNAs maternos agem como modificadores do embrião durante a pré-implantação. Perfis mostraram que pelo menos seis dos 27 microRNAs da gestante específicos foram diferencialmente expressos no epitélio endometrial do embrião durante a implantação, e liberados para o líquido endometrial, que por sua vez alimenta o feto. O estudo ainda mostrou que que em algumas situações a que as mulheres são submetidas enquanto estão grávidas modificam suas células e consequentemente o endométrio, que é a via de comunicação entre a gestante e o bebê. Estas modificações fazem com que o líquido amniótico altere também sua composição, que quando recebida pelo embrião modifica seu desenvolvimento e transforme de alguma forma seu material genético.

Fonte: hypescience/dev  Imagens: mundopositivo/youtube

Atenção: O material neste site é fornecido apenas para fins educacionais, e não deve ser usado para conselhos médicos, diagnósticos ou tratamentos. 


Bióloga - CRBio/RJ 96514/02-D. Fundadora e administradora do Diário de Biologia. Possui graduação em Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas. Doutorado (2013) e Mestrado (2009) em Zoologia pelo Museu Nacional/UFRJ, especialista em insetos, autora do livro "O Mundo Secreto dos Insetos" - Cortez Editora. Experiência com palestras nacionais e internacionais. É autora ou coautora de artigos científicos publicados em revistas científicas, livros e capítulos de livro, e comunicações em eventos nacionais e internacionais. Colaboradora em revistas de divulgação científica para crianças (Ciência Hoje Para Crianças e Revista Recreio). Interessada em cultivo de plantas carnívoras. Atualmente mora na França, mas seu coração é brasileiro. Instagram: @karlla_diariodebiologia.