Como é a visão dos insetos?


“Gostaria de saber mais sobre a visão dos animais: os insetos enxergam? como?” Audrey Novaes

“Se os olhos dos insetos são compostos, como fica a visão deles? É como nos filmes ou é parecida com a nossa?” Melissa Martins

Acertaram em cheio, Audrey e Melissa. Adoro falar de insetos! Bem, pra falar a verdade, tanto os humanos quanto os insetos utilizam o mesmo pigmento visual, chamado rodopsina. Mas, a estrutura dos olhos é muito diferente. Os insetos possuem olhos compostos, isso significa que eles possuem muitas unidades individuais (como se fossem vários “olhinhos”), enquanto o nosso olho é como uma câmera única. É claro que essa diferença causa um impacto de como os insetos vêem o mundo. Garanto que não é como nós!

Nos insetos os olhos evoluíram a partir de um conjunto ocelos (olhos simples que só percebem a luz). Cada um desses ocelos individual evoluiu para uma estrutura chamada omatídeo: um tubo contendo várias células sensíveis à luz e tampado por um revestimento, claro curva que funciona como uma lente (como o olho da câmera em miniatura). Estes estão reunidos como uma espécie de “inchaço” na superfície da cabeça resultando numa forma convexa. Cada omatídeo capta uma pequena parte do campo de visão, de forma que um inseto provavelmente enxerga uma imagem “pixelada” (como vários pixels) do mundo.


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Cada omatídeo capta uma pequena parte do campo de visão, de forma que um inseto provavelmente enxerga uma imagem “pixelada” (como vários pixels) do mundo.

Assim como nos computadores e fotos, se você quiser uma imagem mais clara você tem que ter mais pixels. É por isso que os olhos do insetos evoluíram de forma a conseguir mais e menores omatídeos, de modo que cada unidade recebe a luz de um pequeno campo de visão. Alguns insetos, como as libélulas, por exemplo, possuem mais de 28 mil omatídeos nos olhos.

Mesmo assim, com tantos omatídeos, um inseto ainda recebe uma visão do mundo que está longe de ser como a nossa. No olho humano a distancia entre as lentes e os fotorreceptores é de alguns milímetros, o resultado é uma imagem global, muito mais refinada. Nos insetos, essa distancia são apenas microns cada omatídeo ainda capta a luz de um campo relativamente amplo de visão, e que a imagem permanece pixelada. O resultado são olhos enormemente esbugalhados.

Se tivéssemos olhos com omatídeos, para ter uma visão parecida com a de uma mosca precisaríamos de olhos gigantescos como ilustrados aqui. Seriam necessários olhos com no mínimo 1 metro de diâmetro.

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Atenção: O material neste site é fornecido apenas para fins educacionais, e não deve ser usado para conselhos médicos, diagnósticos ou tratamentos. 


Bióloga - CRBio/RJ 96514/02-D. Fundadora e administradora do Diário de Biologia. Possui graduação em Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas. Doutorado (2013) e Mestrado (2009) em Zoologia pelo Museu Nacional/UFRJ, especialista em insetos, autora do livro "O Mundo Secreto dos Insetos" - Cortez Editora. Experiência com palestras nacionais e internacionais. É autora ou coautora de artigos científicos publicados em revistas científicas, livros e capítulos de livro, e comunicações em eventos nacionais e internacionais. Colaboradora em revistas de divulgação científica para crianças (Ciência Hoje Para Crianças e Revista Recreio). Interessada em cultivo de plantas carnívoras. Atualmente mora na França, mas seu coração é brasileiro. Instagram: @karlla_diariodebiologia.