Estudo envolvendo mariposas revela estratégia impressionante que permite os insetos enxergarem no escuro


Imagine uma mata fechada durante uma noite sem lua e com poucas estrelas no céu. Você seria capaz de enxergar algum animal a menos de meio metro a sua frente? Com certeza seria impossível ver qualquer tipo de animal numa imensa escuridão. Se nós seres humanos não conseguimos enxergar, como os insetos voam tranquilamente durante a noite e são tão bem orientados? Pois bem, os insetos conseguem não só enxergar com pouca luz como evitam e fixam obstáculos durante o voo, distinguem cores, detectam movimentos fracos e realizam marco visual, além disso, conseguem se orientar utilizando a polarização celeste produzido pela lua e navegar usando as constelações de estrelas no céu, ou seja, os insetos têm “super poderes” da visão ou pelo menos quase isso, não acha?!

Para descobrir como é possível esses animais enxergarem no escuro, um estudo realizado pelo professor de zoologia da Universidade de Lund, na Escócia, o Dr. Eric Warrant, iniciou a pesquisa observando as mariposas, especificamente os Esfingídeos que são mariposas com atividade predominantemente noturna, sendo conhecidas mais de 1.200 espécies em praticamente todos os continentes. Elas voam rapidamente durante a noite em busca de alimento e realizam um importante papel com a polinização.


Deilephila elpenor, um animal lindo naturalmente, conhecida popularmente como Mariposa-elefante.

Uma mariposa bastante interessante é a Deilephila elpenor, um animal lindo naturalmente, apresentando uma forte coloração em verde e vermelho, conhecida popularmente como Mariposa-elefante ou apenas traça da noite. Ela é capaz de distinguir as cores durante a noite utilizando alguns truques neurais. Analisando a fisiologia dos circuitos neurais visuais do cérebro foi descoberto que ela adiciona efetivamente fótons que coletou de diferentes pontos no espaço e tempo para conseguir enxergar de forma confiável em pouca luz. É como se ela captasse a vibração eletromagnética transformando essas ondas numa imagem brilhante.

Portanto, essa habilidade de captar esses fótons facilita bastante esses insetos que vivem com pouca luminosidade, associada a luz das estrelas e da lua, essa habilidade torna-se ainda melhor e pode aumentar em 100 vezes mais sua visão. A desvantagem desta habilidade é que quanto mais ela capta os fótons mais brilhantes e maiores se torna a imagem observada diminuindo os detalhes, porém para suas atividades noturnas de capturar presas, encontrar parceiros, voar rapidamente sem esbarrar em nada e conseguir voar de volta para o seu ninho com certeza essa desvantagem não faz nenhuma diferença e ainda mais que se não fosse isso esses insetos seriam totalmente cegos durante a noite, ou seja, seriam como nós humanos. Portanto, essa característica e habilidade deve ser a utilizada pela maioria dos insetos e por isso conseguem ver tão bem durante os vôos noturnos.

Fontes: iflscience / theconversation / mma
Artigo: almut k et al
Imagens: dark-raptor / european

 


Atenção: O material neste site é fornecido apenas para fins educacionais, e não deve ser usado para conselhos médicos, diagnósticos ou tratamentos. 


Bióloga - CRBio/RJ 96514/02-D. Fundadora e administradora do Diário de Biologia. Possui graduação em Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas. Doutorado (2013) e Mestrado (2009) em Zoologia pelo Museu Nacional/UFRJ, especialista em insetos, autora do livro "O Mundo Secreto dos Insetos" - Cortez Editora. Experiência com palestras nacionais e internacionais. É autora ou coautora de artigos científicos publicados em revistas científicas, livros e capítulos de livro, e comunicações em eventos nacionais e internacionais. Colaboradora em revistas de divulgação científica para crianças (Ciência Hoje Para Crianças e Revista Recreio). Interessada em cultivo de plantas carnívoras. Atualmente mora na França, mas seu coração é brasileiro. Instagram: @karlla_diariodebiologia.