Animais

A tecnologia a serviço da vida: com a ajuda de uma impressora 3D, fêmea de ganso ganha um novo bico, em cirurgia inédita para a espécie





Assim como na vida, as grandes oportunidades da ciência surgem a partir de situações adversas. Um exemplo disso aconteceu recentemente no litoral paulista. No finalzinho de outubro, a equipe da ONG Amigos do Mar encontrou uma fêmea de ganso visivelmente debilitada na praia de Ilha Comprida, litoral norte de São Paulo. Até então, nada novo para estes profissionais, que atendem uma média de 220 a 240 casos assim, a cada ano. Mas este, em especial, trazia um agravante até então inédito para eles. O animal estava sem bico.

Não se soube precisar a origem da lesão, e na verdade, esta talvez fosse a menor das preocupações para a equipe da ONG. Fosse por um ataque de outro animal, fosse por um mero acidente, a condição física da ave trazia consigo dois outros problemas bem mais importantes. Primeiro: a gravidade da lesão prejudicava definitivamente sua vida silvestre, já que a impedia de se alimentar sozinha.  Segundo: por se tratar de uma estrutura que não se regenera, somente o atendimento da ONG seria insuficiente.


A solução prevista seria a mesma para humanos em situações similares. Enquanto o animal era mantido provisoriamente à base de papinhas, buscou-se a ajuda de outros profissionais que voluntariamente aderiram à causa. Assim, com a perícia e boa vontade de designers, veterinários e um cirurgião-dentista, mais a ajuda da tecnologia de uma impressora 3D, uma prótese artificial foi projetada, confeccionada e implantada, numa cirurgia realizada em Santos e que durou quase duas horas.

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Para quem não sabe,  a técnica já foi utilizada antes no Brasil. No Horto Florestal, parque ecológico localizado na cidade vizinha, São Vicente, o tucano Bicolino é um exemplo vivo, já que parte de seu bico também foi confeccionada num processo bem parecido. Além dele, temos outro tucano em Jundiaí, e um jabuti em Brasília, cujo casco também foi restaurado. Com gansos, entretanto, a técnica ainda era nova.

Quem quiser ver de perto a fêmea de ganso com seu mais novo bico manufaturado em tecnologia de ponta, basta ir até a Lagoa Adriana, no centro de Ilha Comprida. Ela já foi solta novamente no último dia 07, continua sendo monitorada e atende pelo nome de “Vitória”. Apropriado, não?

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Fonte: g1.globo/g1.globo2   Imagens: Reprodução/g1.globo
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