Comportamento

  A homofobia é uma doença? Entenda os fatores psicológicos que podem estar ligados ao preconceito

  A homofobia é uma doença? Entenda os fatores psicológicos que podem estar ligados ao preconceito
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Frequentemente escutamos (nas mídias sociais, impressas, televisivas, etc.) debates sobre sexualidade. Na política, o duelo é grande: enquanto algumas frentes lutam pela aprovação de Projetos de Lei, Estatutos e Emendas que reconheçam os direitos às diferentes sexualidades e identidades de gênero, frentes políticas conservadoras se opõe a isso. Alguns exemplos são o Estatuto da Família, onde foi aprovado na Câmara dos Deputados uma definição em que se inclui apenas a união entre um homem e uma mulher heterossexual, e várias ações políticas que negaram a inclusão de discussões sobre sexualidade e gênero nos currículos escolares.

Discursos homofóbicos, tal como outros preconceituosos (racistas, xenofóbicos, machistas, etc.), possuem raízes históricas. Filósofos como Judith Butler e Michel Foucault apontam que nossa sociedade, regulada por uma série de poderes legais, institucionais, educacionais, sociais, psicológicos, etc., instituiu a heterossexualidade como o padrão “normal”, aquilo que deve ser seguido, sendo que, tudo o que é considerado como desviante desse padrão, torna-se relegado ao status de anormalidade. Apesar disso, esses preconceitos estão longe de serem normais, sabia? Vários estudos científicos apontam que a homofobia pode ter muitos fatores relacionados, que vão desde a repressão do desejo pelo mesmo sexo, até fatores psicológicos e sociais.


Um estudo publicado em 2012 na revista “Journal of Personality and Social Psychology”, realizado com estudantes universitários alemães e norte-americanos, com o objetivo de compreender os níveis de homofobia existentes, observou, a partir de testes psicológicos, que há uma discrepância entre a orientação sexual que a pessoa julga ter, e sua orientação sexual implícita (os “desejos internos”), principalmente em casos de pessoas que cresceram em lares autoritários e homofóbicos. O motivo é simples: conhecer a própria sexualidade, em um ambiente familiar repressor e preconceituoso, assumindo uma orientação sexual minoritária, é um desafio terrível. Por isso, cientistas apontam que são comuns os casos de pessoas que adotam discursos de ódio e ações “anti-gays”: alguém com essa postura, pode ser uma, dentre tantas vítimas do preconceito.

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Em um estudo mais recente, pela primeira vez analisou-se a saúde mental de pessoas homofóbicas. De acordo com a pesquisa, realizada com estudantes universitários italianos, pessoas com forte aversão aos homossexuais possuem elevados níveis de psicoticismo. Calma, isso não significa que essas pessoas são psicopatas! O psicoticismo trata-se de uma psicopatologia, relacionada a um traço de personalidade, que leva a condutas impulsivas, agressivas e hostis com outros. A pesquisa foi realizada com 551 estudantes, de 18 a 30 anos, que preencheram questionários sobre seu nível de homofobia e suas psicopatologias, como depressão, ansiedade e psicoticismo. Além disso, também responderam questionários sobre seu nível de sociabilidade (relacionamento com outras pessoas) e estratégias de enfrentamento (mecanismos de defesa quando estão em situações desagradáveis ou de medo), de forma a compreender o seu grau de impulsividade e agressividade diante de um problema. Com isso, os pesquisadores apontaram que, quanto melhor a saúde mental de uma pessoa (mais segura, tranquila e sociável), menor o nível de homofobia, e quanto maior o psicoticismo (hostilidade e raiva), maior seria a homofobia. No entanto, pessoas com outros problemas mentais, como depressão e aquelas que se utilizam de mecanismos de defesa neuróticos (como hipocondria ou repressão) também apresentaram baixos índices homofóbicos.

Pois é, compreender a mente humana é um dos desafios mais antigos da ciência. É difícil chegar a conclusões exatas, dado a complexidade de nosso sistema mental e especificidades das relações humanas. Porém, outros estudos estão sendo realizados, como é o caso de uma pesquisa na Albânia, com o intuito de compreender como o “medo” de não ser “homem o suficiente” pode influenciar em atitudes homofóbicas. E, apesar das incertezas, uma coisa pode ser refletida: o preconceito é uma doença social, e precisa urgentemente de cura!

 Fontes: g1/livescience/livescience/ensaiosdegenero MONTALVÃO NETO, A. L.; LEITE, F. M. Sexo, Sexismo e Sexualidade: Discursos binários de gênero e a formação de professores. In: Anais do I SIMPÓSIO DE ESTUDOS DE GÊNERO E DIVERSIDADE SEXUAL, Universidade Federal de São Carlos, Sorocaba, 2014.     Imagens: folha/varelanoticias/circuito

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