Guardar arroz cozido para comer mais tarde pode cultivar uma “sopa” de Salmonella e isso não é bom!


Em outra ocasião já alertamos que deixar comida preparada em cima do fogão é um erro grave. Isso porque, as temperaturas mais altas fazem com que os alimentos fiquem muito mais suscetíveis à deterioração e à proliferação principalmente de bactérias. No entanto, o arroz cozido em especial, pode carregar um perigo específico, pois cozinhar o arroz não necessariamente mata todos os patógenos que podem estar por ali e isso poderá resultar em uma intoxicação alimentar. Se você já enfrentou uma, sabe do que estou falando: são comuns sintomas desagradáveis como vômito, diarreia e cólicas estomacais.

O grande problema é que o Bacillus cereus, muito comum em forma de esporo no arroz cru, pode sobreviver ao cozimento.  A germinação e o crescimento ocorrem, geralmente, entre 10°C e 50°C. Isso quer dizer que se o arroz cozido for mantido à temperatura ambiente, os esporos podem sair da sua forma protetora, germinar levando à multiplicação das formas vegetativas. O arroz cozido tem a umidade e a nutrição perfeita para o crescimento dessa bactéria e, como subproduto deste crescimento, há uma produção massiva de enterotoxinas, na qual a do tipo cereulide que é altamente resistente ao calor e ao pH entre 2 e 11. A maioria dos pacientes eméticos se recupera dentro de 6 a 24 horas, mas em alguns casos, a toxina pode ser fatal.

Este tipo de intoxicação é conhecida, popularmente, como “síndrome do arroz frito”, batizada com esse nome porque antigamente era comum as pessoas ficarem doentes depois de comerem em bufês de comida chinesa, onde o prato era deixado em temperatura ambiente por várias horas.


Bacillus cereus

O que fazer então para que o arroz não ofereça risco?

Primeiro de tudo, você precisa esperar ela esfriar antes de colocá-la na geladeira. Colocar comida quente no refrigerador faz com que sua temperatura interna aumente, criando assim uma incubadora perfeita para bactérias e afins. Então, cubra o recipiente da comida, espere que ela chegue em temperatura ambiente (mas não deixe mais de quatro horas sem refrigeração) e só então coloque na geladeira.

Fazendo assim, você diminuirá, consideravelmente, os riscos de proliferação da bactéria B. cereus e, consequente intoxicação por cereulide.

Fonte: bbc / Bacillus_cereus / hypescience Imagens: Reprodução/ diagnostics / photobucket

Atenção: O material neste site é fornecido apenas para fins educacionais, e não deve ser usado para conselhos médicos, diagnósticos ou tratamentos. 


Bióloga - CRBio/RJ 96514/02-D. Fundadora e administradora do Diário de Biologia. Possui graduação em Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas. Doutorado (2013) e Mestrado (2009) em Zoologia pelo Museu Nacional/UFRJ, especialista em insetos, autora do livro "O Mundo Secreto dos Insetos" - Cortez Editora. Experiência com palestras nacionais e internacionais. É autora ou coautora de artigos científicos publicados em revistas científicas, livros e capítulos de livro, e comunicações em eventos nacionais e internacionais. Colaboradora em revistas de divulgação científica para crianças (Ciência Hoje Para Crianças e Revista Recreio). Interessada em cultivo de plantas carnívoras. Atualmente mora na França, mas seu coração é brasileiro. Instagram: @karlla_diariodebiologia.