Anomalias e doenças

Finalmente descobriram a utilidade do apêndice

 Para quem não sabe, o apêndice faz parte do nosso sistema digestivo e está localizado logo no início do intestino grosso. É uma estrutura tubular sem saída que mede de 5 a 10 cm de comprimento de mais ou menos 1 cm de largura, seria como um dedo mindinho da mão de um adulto. Na maioria das pessoas, ele se localiza no lado direito inferior do abdome (veja imagem). O próprio nome do órgão dá uma medida de sua reputação ruim: “apêndice”, algo que pende, uma coisa pendurada no nosso sistema digestivo, sem função nenhuma. A explicação tradicional é que se trata de uma redundância que a evolução esqueceu dentro de nós.

Bem, há muito tempo, o que se sabe sobre o apêndice é que ele é uma estrutura sem nenhuma função, que só serve para aglomerar sujeira do intestino e causar infecções, causando a apendicite. Esta infecção faz com que ele seja rotineiramente retirado, pois, quando inflamado, pode levar a pessoa à morte. Esta teoria vem sendo defendida há muito tempo baseada nas evidências de estudos de anatomia comparada em primatas, na qual o apêndice foi considerado por muito tempo como uma estrutura vestigial, isto é, uma estrutura que, ao longo da evolução, perdeu completamente sua função original. Mas hoje em dia, estudos tentam comprovar que não é bem assim.

Em uma nova pesquisa, microbiologistas australianos e franceses chegaram a conclusão de que o órgão tem fundamental importância em povoar nosso sistema digestivo com bactérias que auxiliam nosso sistema imunológico que nos defendem de infecções. Os heróis do momento são as células denominadas linfócitos inatos, que existem em abundância no apêndice. Elas, que são soldadas do sistema imunológico, defendendo o órgão caso ocorra um ataque de origem bacteriana, vigiando e cuidando da defesa contra microrganismos que possam invadir. Quando existe a falha nesses linfócitos, o apêndice inflama e você precisa ir rapidamente ao hospital. O que nós encontramos é que os linfócitos inatos podem ajudar o apêndice a propagar as bactérias ‘boas’ no microbioma – o grupo de bactérias no corpo“, disse Gabrielle Belz, do Instituto Walter + Eliza Hall de Pesquisa Médica, de Melbourne.

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É uma estrutura tubular sem saída que mede de 5 a 10 cm de comprimento de mais ou menos 1 cm de largura, seria como um dedo mindinho da mão de um adulto.

Ter uma microbiota bem equilibrada é fundamental para uma boa saúde no geral, principalmente no auxílio do corpo em recuperar-se de ameaças de bactérias, como as de intoxicações alimentares, por exemplo. Pelo que os pesquisadores dizem, as bactérias vivem no apêndice sem serem perturbadas, até que sejam necessárias nos locais onde ocorrem os processos de digestão. O apêndice possui um fundo cego e uma abertura estreita, impedindo assim o influxo dos conteúdos intestinais. Acredita-se que as células do sistema imunológico encontradas no apêndice estão lá para proteger, e não para atacar, as bactérias benéficas. Assim, quando ocorre perda do conteúdo intestinal, as bactérias benéficas escondidas no apêndice emergem e repovoam a camada de biofilme do intestino, antes que bactérias maléficas se instalem.

O tão comentado apêndice serviria então, como uma espécie de viveiro de bactérias, que são providas para todo o sistema digestivo. Um apêndice saudável, pode poupar pessoas de tomar medidas extremas, como a de ter que transplantar fezes, como já vimos aqui no Diário de Biologia.

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Pelo que os pesquisadores dizem, as bactérias vivem no apêndice sem serem perturbadas, até que sejam necessárias nos locais onde ocorrem os processos de digestão. O apêndice possui um fundo cego e uma abertura estreita, impedindo assim o influxo dos conteúdos intestinais.

Fontes: wehi/super.abril   Imagens: Reprodução/
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