Ignorância que leva à exclusão: por trás de um aluno ou colega “esquisito”, pode estar um transtorno clínico

Desde a aprovação da LDB 9394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), a responsabilidade sobre o desenvolvimento de pessoas portadoras de necessidades especiais, que vão desde síndromes que dificultam o aprendizado até a superdotação, deixou de ser apenas de instituições particulares para tornar-se assunto público. Hoje, em respeito a nossa Constituição que prevê o direito de educação a todos, QUALQUER escola DEVE prover meios para que qualquer indivíduo, na sua realidade, possa educar-se e desenvolver-se.

No entanto, sabemos que, na prática, a coisa nem sempre é tão fácil. São diversos os fatores que continuam atravancando o acesso e o progresso destes indivíduos na escola. A falta de recursos materiais, obviamente, ainda é um deles. Mas talvez o mais significativo de todos seja ainda o que diz respeito à carência de um outro recurso insubstituível: o humano. Quando se trata de pessoas com necessidades especiais, amor e paciência são ESSENCIAIS, mas só isso não basta. Aliados a esses princípios, precisam estar presentes métodos didáticos específicos, e estes são desenvolvidos por PESSOAS especializadas, que estudam a fundo cada aspecto da diversidade humana e sabem exatamente o que estão fazendo. Infelizmente, esse tipo de profissional ainda é raro em nossa área.

Para ajudar a sanar essa deficiência que a ONG Autismo & Realidade, em parceria com o cartunista Ziraldo, desenvolveu a cartilha Autismo: Uma Realidade”.  Para quem não sabe, o Transtorno do Espectro Autista, termo que engloba os mais variados graus de autismo até a Síndrome de Asperger, acontece quando há uma alteração no desenvolvimento neurobiológico que, em suma, afeta a forma como indivíduo vê a realidade, manifestando-se na forma de dificuldades de relacionamento e no aprendizado, além de comportamentos e movimentos repetitivos.

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Dependendo do grau do autismo e do tratamento oferecido, o indivíduo pode desenvolver-se como qualquer outro, criar autonomia para fazer suas próprias escolhas e desfrutar de um padrão de vida bem próximo do que classificamos como “normal”. Mas, para que isso ocorra, é preciso que TODOS (não só os pais) estejam atentos para que os sintomas sejam detectados cedo. Especialmente professores e colegas de classe precisam prestar muita atenção, pois, por trás daquele aluno que não aprende ou daquele colega “esquisito”, que não atende quando chamado ou simplesmente ignora as brincadeiras e se isola na hora do recreio, pode estar um transtorno clínico que precisa de tratamento, e é justamente a falta de conhecimento que leva à segregação destes indivíduos como se fossem incapazes, quando, na verdade, são apenas diferentes.

Como a Ana, a personagem central em “Autismo: Uma Realidade”. O material é leve, de fácil compreensão, e em seu caráter educacional, de livre divulgação, desde que sem fins lucrativos.  Obviamente, você não se tornará um especialista no assunto apenas lendo a cartilha. Mas, sendo a escola o coração da sociedade, combater nela a ignorância no assunto já é um bom começo para que o respeito á diversidade deixe de ser apenas uma cláusula legislativa e se torne uma realidade.

Fonte: portal.mecautismoerealidadeeducarparacrescerinep.gov.revistaescola/  
Imagens: Reprodução/tempodemulherboaformaesaude