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Como interpretar um exame de Hemograma Completo?

Exame de sangue como interpretar um Hemograma Completo

Quando recebemos o resultado do exame de sangue de Hemograma, vimos uma série de número e nomes estranhos. Vamos tentar explicar o mais simplificadamente possível do que se trata cada um deles. Isso, certamente, facilitará as pessoas que têm interesse de entender este exame de sangue. É importante ressaltar, no entanto, que cada pessoa é um caso diferente. Assim, ninguém melhor que seu médico para explicar e orientar sobre medicamentos e diagnose de doenças. Mas, afinal, como interpretar um Hemograma Completo?

O hemograma completo é um exame de sangue que analisa as variações quantitativas e morfológicas dos elementos figurados do sangue. Os médicos, geralmente, solicitam esse para diagnosticar distúrbios como anemia, doenças autoimunes e leucemia. Este, é um dos tipos de exame de sangue mais pedidos pelos médicos, nos exames de rotina. Para o médico, saber como interpretar um Hemograma Completo, é como ler o sangue da pessoa.

De acordo com  editorial escrito pelo Patologista da FMUSP Dr. Ricardo Rosenfeld para o Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial (1), o objetivo deste exame é fazer uma análise detalhada da saúde de um modo geral, calculando a quantidade e forma dos três tipos de células básicas presentes no sangue. Desse modo, o resultado do exame de hemograma mostrará a medição dos níveis de glóbulos vermelhos (hemácias), brancos (leucócitos) e plaquetas.




Automação

No editorial, Dr. Resenfelt explica que atualmente, a contagem das células do sangue se modernizou com a sofisticação tecnológica laboratorial. Exames como hemoglobina/hematócrito, eritrograma, leucograma e contagem de plaquetas foram substituídos pelo hemograma completo automatizado. De acordo com o patologista, há uma contagem diferencial de leucócitos em cinco tipos – neutrófilos, linfócitos, monócitos, eosinófilos e basófilos.  “Tudo isso fica pronto em menos de 1 minuto em analisadores hematológicos automatizados“, disse.

Outras metodologias, de acordo com o editorial, estão disponíveis em grande parte dos laboratórios e já vem no resultado do exame de sangue. Além da impedância elétrica, se somam com as análises mais complexas, como colorações citoquímicas especiais, análise celular pela condutividade e dispersão do laser estão sendo usados. Além disso, mais recentemente, com o uso de fluorocromos, como corantes celulares e conjugados de anticorpos monoclonais, viabilizando a imunofenotipagem.



Hemograma detecta câncer?

De certa forma, sim. Algumas alterações deste exame dão o primeiro sinal, ao médico, de que o paciente pode ter câncer, sobretudo, leucemia. Segundo um estudo, realizado na Unicamp e publicado na Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (2),  o resultado do exame de sangue que trará respostas para as seguintes dúvidas médicas: : a medula óssea está produzindo um número suficiente de células maduras de diferentes linhagens? Os processos de proliferação, diferenciação e aquisição de funções de cada tipo celular estão se desenvolvendo de maneira adequada em todas as linhagens celulares? Desta forma, faz-se indispensável a solicitação deste exame para toda e qualquer investigação clínica. A seguir, veja  como interpretar um Hemograma Completo.



Série Vermelha do hemograma

Como interpretar essa parte do exame de sangue? Bem, geralmente a primeira parte do Hemograma completo é a série vermelha (Eritrograma) onde são avaliados os números de hemácias e a concentração de hemoglobina. Geralmente, encontram-se os seguintes itens no exame:

Exame de sangue como interpretar um Hemograma Completo

Como interpretar um Hemograma Completo? Aí está um resultado do exame de Eritrograma. Geralmente a primeira parte do Hemograma é a série vermelha onde são avaliados os números de hemácias e a concentração de hemoglobina.

HEMÁCIAS

São os glóbulos vermelhos, os valores normais variam de acordo com o sexo e com a idade (todo laboratório coloca os valores de referência no próprio resultado de exame de sangue).  Valores baixos de hemácias podem indicar um caso de anemia normocítica (aquela que as hemácias tem tamanho normal, mas existe pouca produção dessas células), valores altos são chamados de eritrocitose e podem indicar policitemia (oposto da amenia, pode aumentar a espessura do sangue, reduzindo a sua velocidade de circulação).

HEMOGLOBINA

É uma proteína que fica dentro das hemácias. É um pigmento que dá a cor vermelha ao sangue e é responsável pelo transporte de oxigênio no corpo. A hemoglobina baixa causa descoramento do sangue, palidez do paciente, e falta de oxigênio em todos os órgãos.  Na prática, a dosagem de hemoglobina acaba sendo a mais precisa na avaliação de uma anemia.

HEMATÓCRITO

É a porcentagem da massa de hemácia em relação ao volume sanguíneo. Um hematócrito de 45% significa que 45% do sangue é compostos por hemácias. Dessa forma, os outros 55% são basicamente água e todas as outras substâncias diluídas.  Valores baixos podem indicar uma provável anemia e um valor alto também pode ser um caso de policitemia.

VCM – Volume Corpuscular Médio

Ajuda na observação do tamanho das hemácias e no diagnóstico da anemia. Sendo assim, o exame de sangue pode vir escrito: microcíticas (indica hemácias muito pequenas), macrocíticas (hemácias grandes). Todas essas alterações indicam que algo está errado. Esse dado ajuda a diferenciar os vários tipos de anemia. Por exemplo, anemias por carência de ácido fólico cursam com hemácias grandes, enquanto que anemias por falta de ferro se apresentam com hemácias pequenas.

HCM  – Hemoglobina Corpuscular Média

É o peso da hemoglobina dentro das hemácias. Por fim, também ajudam a decifrar casos diferentes de anemias.

CHCM – Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média

É a concentração da hemoglobina dentro de uma hemácia. Pode vir escrito: hipocrômica (pouco hemoglobina na hemácia), hipercrômica (quantidade de hemoglobina além do normal).

RDW – Red Cell Distribution Width

É um índice que avalia a diferença de tamanho entre as hemácias. Assim, quando o RDQ está acima do normal, significa que existem muitas hemácias de tamanhos diferentes circulando. Isso pode indicar carência de ferro, onde a falta deste elemento impede a formação da hemoglobina normal, levando à formação de uma hemácia pequena demais.

Série Branca do Hemograma

A segunda parte do hemograma é a série branca (leucograma) é constituída pelos glóbulos brancos. Nesta parte, acontece a avaliação do número de leucócitos, além disso, é feita a diferenciação celular. Como interpretar um hemograma completo pode não ser fácil para algumas pessoas, organizamos cada tipo celular em uma lista.

Exame de sangue como interpretar um Hemograma Completo

Como interpretar um Hemograma Completo? Aí está um resultado do exame de Leucograma. A segunda parte do hemograma completo é a série branca (leucograma) é constituída pelos glóbulos brancos. Nesta parte, acontece a avaliação do número de leucócitos, além disso, é feita a diferenciação celular.

LEUCÓCITOS

 É o valor total dos leucócitos no sangue. Os leucócitos são, na verdade, um grupo de diferentes células, com diferentes funções no sistema imune. Valores altos, é chamado leucocitose e assinala, principalmente, uma infecção. Claro, mas também pode indicar outras doenças. Quando essa contagem dá mais baixa que o normal (leucopenia) indica depressão da medula óssea, resultado de infecções virais ou de reações tóxicas. Assim, os leucócitos são diferenciados em cinco tipos no hemograma completo. Então, seus valores colaboram para esclarecer e diagnosticar doenças infecciosas e hematológicas.

Basófilos: É o tipo menos comum. Assim, em um indivíduo normal, só é encontrado de 0 a 2%, além desse valor indica processos alérgicos e estados de inflamação crônica.

Eosinófilos: Representam apenas de 1 a 5% dos leucócitos. Decerto, seu número além do normal, indica casos de processos alérgicos ou  infecção intestinal por parasitas.

Neutrófilos: É a célula mais encontrada em adultos. Quando há uma infecção bacteriana, a medula óssea aumenta a sua produção, fazendo com que sua concentração sanguínea se eleve. Então, seu aumento pode indicar infecção causada por bactérias, contudo, pode estar aumentada, também, em infecção viral.

Bastões: Os  bastões são os neutrófilos jovens. Quando estamos infectados, a medula óssea aumenta rapidamente a produção de leucócitos e acaba por lançar na corrente sanguínea neutrófilos jovens recém-produzidos. Normalmente, apenas 4% a 5% dos neutrófilos circulantes são bastões.  Assim, é considerado que  um percentual maior dessas células indica um processo infeccioso em curso.

Linfócitos: É a célula predominante nas crianças. Em adultos, seu aumento pode ser indício de infecção viral ou, mais raramente, leucemia. Representam de 15 a 45% dos glóbulos brancos no sangue. A saber, os linfócitos são as principais linhas de defesa contra infecções por vírus e contra o surgimento de tumores.

Monócitos: Representam de 3 a 10% dos leucócitos do sangue. Quando estão aumentados indica infecções virais. Os valores são alterados também nos casos de infecções, principalmente naquelas mais crônicas, como a tuberculose.

Recomendamos essa leitura complementar:  Leucocitose e neutrofilia no exame, o que pode ser?

Plaquetas no Hemograma

As plaquetas são componentes do sangue fabricados pela medula óssea responsáveis pela coagulação do nosso sangue. É por isso que a queda brusca do valor das plaquetas pode indicar a dengue hemorrágica. Isso porque, quando esses valores se encontram abaixo das 10.000 plaquetas/uL há risco de morte, uma vez que pode haver sangramentos espontâneos. Aliás, saber a dosagem de plaquetas é importante antes de cirurgias. Em resumo, o exame serve para avaliar quadros de sangramentos sem causa definida. Você saberá como ler as plaquetas através dos valores de referência no resultado do exame.

Artigos científicos: (1) (2)

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