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Grave doença fúngica que ataca principalmente gatos e seres humanos está descontrolada e a vigilância sanitária já fala em epidemia no Rio de Janeiro

Esporotricose ( doença do gato ): casos em animais e humanos aumentam

Grave doença fúngica que ataca principalmente gatos e seres humanos está descontrolada e a vigilância sanitária já fala em epidemia no Rio de Janeiro
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Pouco se fala sobre a esporotricose a erroneamente conhecida como ” doença do gato “, e talvez você nunca tenha ouvido falar nela. Trata-se de uma infecção causada por fungos do chamado complexo Sporothrix schenckii. A esporotricose, a saber, é uma das chamadas “micoses de implantação ou micoses subcutâneas. A princípio, a doença pode afetar humanos e animais, principalmente os gatos. A esporotricose em gatos e em humanos têm deixado várias áreas do estado do Rio de Janeiro em alerta. Entenda porquê.

Embora a esporotricose já tenha sido relacionada a arranhaduras ou mordeduras de animais, como os gatos, e tenha recebido o nome popular de “doença da arranhadura do gato” ou “doença do gato”, este animal não é o vilão da história. Muito pelo contrário, ele é o hospedeiro que mais sofre pela infecção, por motivos ainda não esclarecidos por completo. Contudo, ao que tudo indica, por não apresentar uma resposta imunológica efetiva contra o fungo.

Na verdade, a infecção é adquirida por TODO E QUALQUER ACIDENTE COM OBJETO PERFUROCORTANTE CONTAMINADO POR ESTRUTURAS DO FUNGO . Nisso, incluímos tudo que cause perfuração da pele como galhos, ferragens, farpas de madeira e espinhos de plantas. Isso, desde que o organismo do hospedeiro não consiga controlar a proliferação deste microrganismo.




Após um acidente perfurante, a pele lesionada (mais especificamente o tecido subcutâneo) é infectada pelas estruturas do fungo (que está presente no solo, principalmente em ambiente com matéria orgânica em decomposição, como jardins, terrenos baldios, etc). O fungo é capaz de cair na corrente sanguínea ou linfática, e se disseminar para outras áreas do corpo. O sinal mais comum após a disseminação é o aumento dos linfonodos próximos a lesão inicial, com dor e vermelhidão local, formando o que chamamos de “trajeto linfático”.

Mas por que o gato é hospedeiro?

Desta forma, o gato se torna muito vulnerável a infecção. Isso porque, ele apresenta como hábitos o ato de cavar na terra para enterrar suas fezes e o de afiar suas garras em troncos de arvores e madeiras em geral. E ainda costumam brigar entre eles mesmos, pela disputa de território ou de fêmeas para o acasalamento. Quem nunca acordou no meio da noite por causa de uma briga de gatos?.



Uma vez que suas garras estão colonizadas pelo fungo, um ataque pode ser o suficiente para que ocorra a infecção. Seja entre animais ou entre o gato e seu tutor humano [lembrando que nós humanos não somos os donos dos animais, e sim seus cuidadores]. Pelo hábito de “tomar banho”, os animais também lambem as patas garras com frequência. Isso,  faz com que as estruturas sejam levadas até a boca do animal, fazendo com que a mordida seja também uma forma de transmissão.

Neles, a doença do gato se manifesta como feridas, principalmente na face, no dorso e nas patas. Os ferimentos são profundos, não cicatrizam ou cicatrizam e voltam a abrir, têm pus em grande quantidade e se espalham rapidamente para o restante do corpo. O animal perde o apetite, fica apático, e pode ter secreção nasal [alguns podem apresentar até crises de espirros].

Os casos de doença do gato no Rio de Janeiro



A população tem sido alertada, principalmente na cidade do Rio de Janeiro, onde já foram registrados milhares de casos de gatos infectados. Os veterinários alertam que se trata de uma epidemia, e é preciso que os tutores dos animais saibam como agir.

Apesar dos graves sintomas, a doença tem cura, e não há necessidade de sacrificar os gatos doentes. Aliás, matar o animal e abandonar seus restos no ambiente só faz com que o fungo retorne ao seu habitat e continue o seu ciclo. Segundo Vigilância Sanitária, a população nunca deve abandonar um animal com esporotricose. Isso porque, além de sofrer, pode infectar outros animais.

Esporotricose ( doença do gato ): casos em animais e humanos aumentam

A esporotricose zoonótica já é considerada uma hiperendemia na cidade do Rio de Janeiro. Isso se deve à transmissão pelo contato com felinos doentes que são abandonados ou que vivem nas ruas.

Tratamento da esporotricose

O tratamento do gato doente é feito pelo uso contínuo e prolongado de um antifúngico por via oral. Assim sendo, o medicamento precisa ser dado diariamente ao animal. É um tratamento longo e caro. Por isso, as pessoas precisam ter consciência de que o melhor é evitar a infecção. Medidas como evitar que o animal saia de casa e entre em contato com outros animais de rua são essenciais ao controle da doença.

Já nos seres humanos, apesar da doença ser menos grave e ter cura, pode provocar lesões extensas na pele. Acima de tudo, dependendo da condição imunológica da pessoa (como pessoas com AIDS e pessoas que estão fazendo o tratamento contra o câncer), as lesões podem se disseminar para todo o corpo, inclusive órgão internos.

Onde levar um gato com suspeita de esporotricose?

O animal com suspeita de esporotricose deve ser levado a uma clínica veterinária, seja ela particular ou pública. No Rio de Janeiro, existem centros de atendimento de baixo custo, e até mesmo gratuitos.

No Rio de Janeiro, existe a Unidade de Medicina Veterinária da Prefeitura, que presta atendimento de segunda a sexta, manhã e tarde. Há, neste caso, distribuição de números por ordem de chegada. [Acesse o site: http://www.1746.rio.gov.br/ ou ligue 1746]

Na Fiocruz, o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI) localizado em Manguinhos próximo à Avenida Brasil, também oferece atendimento. O Ambulatório de Dermatozoonoses em Animais Domésticos oferece consultas e tratamento a partir do agendamento. Assim, os agendamentos podem ser feitos através dos números (21) 3865-9536 ou (21) 3865-9553.

Esporotricose ( doença do gato ): casos em animais e humanos aumentam

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, além de atingir seres humanos, também acomete animais silvestres e domésticos, principalmente  gatos e cachorros. Enquanto os cachorros adquirem uma forma de baixa virulência, semelhante a dos humanos, os gatos geralmente adquirem uma forma grave e disseminada da doença.

E eu? Onde posso ser atendido se adquirir esporotricose?

No Rio de Janeiro, o atendimento a pessoas com suspeita de esporotricose é realizado nos serviços de atenção primária (postos de saúde locais e do programa “Saúde da Família”). Se o caso for de maior complexidade, podem ser acompanhados no Centro Clínico do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas. Contudo,  para que isso aconteça, deve ser feito um encaminhamento pelo médico que lhe atender na atenção básica. Então, Atenção! De nada adianta ir até o instituto da Fiocruz para buscar atendimento direto sem o encaminhamento.

⚠️LEMBRE-SE: OS GATOS SÃO TÃO VITIMAS DA ESPOROTRICOSE QUANTO VOCÊ! NÃO MATE OU MALTRATE OS ANIMAIS! A ESPOROTRICOSE TEM CURA E PREVENÇÃO!

 FioCruz

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