Falar dormindo: Por que acontece? É doença? É normal? Tem cura?

Falar dormindo (sonilóquio): Por que acontece? É normal? Tem cura?

Por muito tempo, pessoas que falavam dormindo eram consideradas paranormais ou bruxas, mas hoje sabe-se que não é nada disso. Aliás, dormir ao lado ou perto de alguém que fala dormindo pode ser uma experiência divertida. Geralmente, as frases são sem sentido ou há apenas a emissão de sons. Ao mesmo tempo, pode ser bem alto, variando de sons simples até longos discursos, e pode ocorrer várias vezes durante o sono. A saber, falar dormindo tem o termo médico de Sonilóquio e é considerada um distúrbio do sono. Mas, enfim, por que acontece? É doença? É normal? Tem cura?

Por que acontece?

Se você for pesquisar sobre o assunto, descobrirá que pelo menos 50% das crianças até 12 anos falam dormindo, eventualmente. Algumas pessoas carregam o sonolóquio para a idade adulta. Mas, de modo geral, 50% das pessoas já teve sonilóquios esporádicos, ao menos uma vez por ano. Sendo que só 10% delas apresentam sonilóquios com frequência, pelo menos uma vez na semana.

Falar dormindo geralmente ocorre durante saídas transitórias do sono REM, a fase mais profunda do sono, quando os sonhos surgem. De acordo com a Dra. Andrea Bacelar, da Clínica Neuro&Sono, do Rio de Janeiro, durante o REM os músculos relaxam e o cérebro fica ativo como se a pessoa estivesse acordada. Ou seja, nesta fase do sono a pessoa vivencia neurologicamente o sonho, mas, está relaxada, dormindo profundamente.

No caso das crianças, quando elas atingem o sono REM, ficam mais vulneráveis a falar dormindo. Isso porque, a coordenação entre os centros cerebrais que controlam a linguagem e os músculos do rosto ainda não estão completamente desenvolvidos.

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A pessoa se lembra do que fala?

As pessoas que são despertadas logo após um sonilóquio podem ou não se recordar do que falaram. Isso depende de qual estágio do sono aconteceu. Durante os estágios NREM, ele não se lembrará de nada e acordará confuso. Já no estágio REM, ele se recordará e irá saber sobre quais assuntos foi questionado. Contudo, nas polissonografias pode-se observar que os sonilóquios aparecem em diferentes fases do sono: Um terço deles no estágio 1; 35% no estágio 2; 17% no estágio 3; 8% no estágio 4 e 7% no estágio REM. Pode se concluir então, que na maioria dos sonilóquios as pessoas não lembram o que pronunciaram.


Mas, afinal, é doença?

De acordo com o Instituto do Sono e Transtornos Mentais, falar dormindo é uma parassonia. Apesar de ser uma desordem, é um sintoma noturno isolado benigno, ou seja, não faz mal a ninguém falar dormindo. No entanto, em alguns casos, podem estar relacionados a outros distúrbios do sono mais representativos.

É normal? Considera-se comum em crianças, pelas causas acima citadas. Contudo, em adultos, essa desordem deve ser bem menos frequentes. Quando o adulto tem sonilóquios frequentes, muitos psiquiatras e psicólogos consideram o fator stress físico e mental como motivo desencadeante. Normalmente, junto a uma terapia e um controle do stress, o adulto tem uma melhora. Por ser benigno, raramente a pessoa busca ajuda profissional.

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Atenção: O material neste site é fornecido apenas para fins educacionais, e não deve ser usado para conselhos médicos, diagnósticos ou tratamentos. 


Bióloga - CRBio/RJ 96514/02-D. Fundadora e administradora do Diário de Biologia. Possui graduação em Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas. Doutorado (2013) e Mestrado (2009) em Zoologia pelo Museu Nacional/UFRJ, especialista em insetos, autora do livro "O Mundo Secreto dos Insetos" - Cortez Editora. Experiência com palestras nacionais e internacionais. É autora ou coautora de artigos científicos publicados em revistas científicas, livros e capítulos de livro, e comunicações em eventos nacionais e internacionais. Colaboradora em revistas de divulgação científica para crianças (Ciência Hoje Para Crianças e Revista Recreio). Interessada em cultivo de plantas carnívoras. Atualmente mora na França, mas seu coração é brasileiro. Instagram: @karlla_diariodebiologia.