Cabelo do milho: O que é? Para que serve? É mesmo bom para saúde?

Cabelo do milho (estigma): O que é? Para que serve?

Muita gente tem curiosidade em saber o que é e para que serve o cabelo do milho (estigma). No ponto de vista da biologia, o milho tem aquela cabeleira, porque ele precisa daqueles fiozinhos para se reproduzir. Isso mesmo! Na verdade, os “cabelos” ou a “barba” do milho servem para transportar os grãos de pólen que vão fecundar os óvulos da espiga, dando origem aos grãos de milho, que são os frutos do vegetal.

Tudo isso acontece por causa de uma característica bem peculiar: para garantir sua reprodução, o milho possui os dois sexos na mesma planta, ou seja, é uma planta Monoica. O lado masculino é representado pelo pendão, a parte superior da planta que contém as flores com pólen. Já o lado feminino, representado pela espiga, tem como um dos sinais mais aparentes justamente aqueles cabelinhos, que chamamos de estigma.

Quando os cabelinhos do milho aparecem (pelo menos dois meses depois do plantio), o milho já está pronto para se reproduzir. Assim que os estigmas emergem a partir da palha fica marcado o primeiro estágio reprodutivo. Nessa hora, as flores liberam uma grande quantidade de pólen que pode chegar a 20 milhões de grãos por planta (uhhh!).

Cabelo do milho (estigma): O que é? Para que serve?
Assim que emergem os fios de estigma, fica marcada a primeira fase da reprodução.

 

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A próxima etapa fica por conta do vento. Com a ação do vento, o pólen acaba sendo carregado e cai nos cabelos do milho.  Assim, uma vez que um grão de pólen atinge um cabelo (polinização), forma-se o tubo polínico. Depois disso, em  cerca de 24 horas este tubo já chega até o óvulo. Depois de atingir o óvulo, a fertilização ocorre e o óvulo transforma-se em um grão. Ou seja, cada um dos grãos de pólen caminha por um fio e fertiliza um óvulo, gerando espigas. No final deste processo, a planta passa por uma espécie de “calvície” vegetal. Aqueles fios secam e caem facilmente do sabugo.

Cabelo do milho (estigma): O que é? Para que serve?
Nesta imagem  é possível ver com clareza as flores que foram fecundadas e formaram o grão e as flores não fecundadas. Observe que de cada flor não fecundada sai um “cabelinho”.

O cabelo do milho é mesmo bom para a saúde?

O cabelo do milho (Stigma maydis) é uma importante parte reprodutiva do milho, usada tradicionalmente pelos chineses e nativos americanos para tratar muitas doenças. Há milhares de estudos sobre as propriedades do estigma do milho. A maioria deles não encontrou toxicidade nem citotoxicidade.

Um estudo de 2013, publicado na revista científica Molecules fez uma revisão fitoquímica e farmacológica do cabelo do milho.  Em conclusão, os pesquisadores dizem: “Estudos farmacológicos ( in vitro e in vivo ) mostraram suas notáveis ​​bioatividades como antioxidante, redutor de hiperglicemia, antidepressivo, antifadiga e agente diurético eficaz. Alguns dos estudos confirmaram as descobertas anteriores e descobertas de novas pesquisas provaram que o cabelo do milho é seguro e não tóxico. Com as alegações em potencial de saúde, é importante realizar avaliações clínicas para fundamentar as alegações e aumentar ainda mais a confiança em seus efeitos terapêuticos benéficos para o consumo humano.”

Artigo: Molecules  PS

Atenção: O material neste site é fornecido apenas para fins educacionais, e não deve ser usado para conselhos médicos, diagnósticos ou tratamentos. 


Bióloga - CRBio/RJ 96514/02-D. Fundadora e administradora do Diário de Biologia. Possui graduação em Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas. Doutorado (2013) e Mestrado (2009) em Zoologia pelo Museu Nacional/UFRJ, especialista em insetos, autora do livro "O Mundo Secreto dos Insetos" - Cortez Editora. Experiência com palestras nacionais e internacionais. É autora ou coautora de artigos científicos publicados em revistas científicas, livros e capítulos de livro, e comunicações em eventos nacionais e internacionais. Colaboradora em revistas de divulgação científica para crianças (Ciência Hoje Para Crianças e Revista Recreio). Interessada em cultivo de plantas carnívoras. Atualmente mora na França, mas seu coração é brasileiro. Instagram: @karlla_diariodebiologia.