Entenda porque a pessoa que tem mau hálito não consegue perceber. Médico explica a única maneira de saber se você tem o problema

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Falando um pouco sobre nossas sensações olfatórias, podemos dizer que elas combinam impulsos derivados dos odores primários: Tais odores são: canforado, almíscar, hortelãfloral, acre (odor de ácidos voláteis), etéreo (derivado do clorofórmio e éter) e pútrido (cheiro de restos animais decompostos ou ovos podres). Este último, é onde a halitose – ou mau hálito – se enquadra.

A pessoa que tem mau-hálito não percebe que está com o problema por causa de um processo conhecido como Fadiga olfatória. Normalmente, os seres humanos conseguem identificar apenas um único odor por vez. Isso quer dizer que se você tem um forte odor de hortelã, você não sentirá um cheiro pútrito caso seja mais fraco. Assim, como a pessoa sente, 24 horas o odor da halitose, ocorre a fadiga olfatória e ela passa a não o sentir.

Como a pessoa não percebe o hálito ruim?

Isso ocorre porque nosso olfato possui uma enorme capacidade adaptativa que é regida pela homeostasia, que é a capacidade regulatória que o organismo lança mão para compensar flutuações aleatórias do ambiente. Então, quando ficamos expostos a um odor primário, nosso olfato logo sentirá, mas apenas um segundo depois apenas 50% dos receptores ficam ativos, depois cada minuto que passa o odor vai se tornando mais e mais fraco, permitindo ao sistema nervoso captar novos odores.




Um bom exemplo é quando passamos um perfume. Sentimos o cheiro e depois de um minuto parece que o cheiro foi embora e apenas as outras pessoas o percebem. Com o mau-hálito também é assim. Por causa deste mecanismo fisiológico adaptativo chamado de Fadiga olfatória, não conseguimos sentir que temos halitose crônica.

Se você desconfiar que tem esse problema, pergunte a pelo menos três pessoas que você confie. Elas serão sinceras em te informar o problema. Ou então, marque uma consulta em uma clínica especializada.

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Atenção: O material neste site é fornecido apenas para fins educacionais, e não deve ser usado para conselhos médicos, diagnósticos ou tratamentos. 


Bióloga - CRBio/RJ 96514/02-D. Fundadora e administradora do Diário de Biologia. Possui graduação em Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas. Doutorado (2013) e Mestrado (2009) em Zoologia pelo Museu Nacional/UFRJ, especialista em insetos, autora do livro "O Mundo Secreto dos Insetos" - Cortez Editora. Experiência com palestras nacionais e internacionais. É autora ou coautora de artigos científicos publicados em revistas científicas, livros e capítulos de livro, e comunicações em eventos nacionais e internacionais. Colaboradora em revistas de divulgação científica para crianças (Ciência Hoje Para Crianças e Revista Recreio). Interessada em cultivo de plantas carnívoras. Atualmente mora na França, mas seu coração é brasileiro. Instagram: @karlla_diariodebiologia.