“Tenho 3 gatos e estou grávida!” Toxoplasmose na gravidez: gestantes não precisam se desfazer de seus gatos

Toxoplasmose na gravidez:

A toxoplasmose na gravidez pode causar danos ao feto. As mães se preocupam muito com os gatos  em casa. Veja o que essa mãe escreveu: “ Estou grávida e fui aconselhada a doar meus 3 gatos por causa da Toxoplasmose. Não quero fazer isso de jeito nenhum, eu amo meus animais. Me ajude! O que fazer se tenho gatos durante a gravidez?” (Ana Paula)

Na verdade existem muitos mitos sobre a toxoplasmose, principalmente quando se trata da participação dos gatos.

Infelizmente, hoje ainda existem pessoas que recomendam que a gestantes se afastem dos gatos.

Eventualmente, as pessoas creem que a proximidade com felinos representa um alto risco de contração da toxoplasmose.

No entanto, as chances de infecção por convivência com estes animais são quase nulas e a doença pode ser facilmente evitada.

A toxoplasmose é causada por um parasito microscópico chamado Toxoplasma gondii que pode ser transmitida pelas fezes dos gatos.

Assim, quando uma mulher é infectada pela primeira vez durante sua gestação, ela corre o risco de abortar ou de que o bebê nasça com problemas congênitos.

Se ela já tiver entrado contato com o parasita no passado, esse risco é praticamente inexistente, pois o seu corpo desenvolve anticorpos.

Qual o problema com os gatos?

De acordo com  o site Proteção Animal, ao contrário do que muitas pessoas pensam, nem todo gato transmite a doença.

Somente 1% da população de gatos participa da dispersão da toxoplasmose

Eles contraem o parasita caçando e se alimentando de outros animais infectados, como ratos e pássaros.

Se isso acontece, durante um curto período de tempo os “ovos” da toxoplasmose (chamados de oocistos) serão expelidos junto com as fezes do gato.

Mesmo assim, esses oocistos só podem infectar uma pessoa ou outro animal se eles estiverem “esporulados”.

Ou seja, ficarem expostos a temperaturas acima de 36°C por mais de dois dias. E o mais importante: os oocistos precisam ser ingeridos.

Um estudo publicado no Repositório Institucional da Unifesp  [1], estudou 175 gestantes que desenvolveram toxoplasmose na gravidez.

Dessas, apenas 31 tinham gatos em casa. Assim, a taxa foi de 18%.

Contudo, os autores consideraram fortemente outros fatores, que não a presença de gatos em casa.

Aliás, a possibilidade de se adquirir toxoplasmose na gravidez ou não, é maior ingerindo carne mal cozida do que tendo um gato em casa!

Toxoplasmose na gravidez: “Tenho gatos em casa, e agora?”

Se você tem gatos em casa e está esperando um bebê, a toxoplasmose na gravidez, ou não, pode ser evitada com algumas medidas simples:

Deixe outra pessoa limpar a caixa de areia. As mãos devem ser sempre lavadas em seguida;

A caixa de areia deve ser limpa ao menos uma vez por dia. Os oocistos da toxoplasmose precisam ficar fora do corpo do gato por dois dias para que se tornem infectantes. Contudo, se a caixa de areia for limpa com frequência, o risco de contaminação se torna praticamente impossível;

Se outra pessoa não puder limpar a caixa de areia, faça-o diariamente e utilize luvas. Lave as mãos imediatamente depois;

Cozinhe bem qualquer alimento antes de comer, especialmente carnes. Os oocistos morrem a temperaturas acima de 65ºC (cozinhar por 4 a 5 minutos);

Lave bem os utensílios de cozinha que estiveram em contato com carne crua;

Mantenha os seus gatos dentro de casa para diminuir as chances de contaminação, eles contraem o parasita ao caçar e comer outros animais;

Não alimente o seu gato com carne crua, ofereça ração ou alimentos bem cozidos;

Use luvas ao mexer no jardim, pois a terra pode estar contaminada com oocistos;


Lave as suas mãos depois de cozinhar, antes de comer e depois de acariciar o seu gato ou mexer no jardim.

 

Artigo científico: Repositório Institucional da Unifesp  [1]

Atenção: O material neste site é fornecido apenas para fins educacionais, e não deve ser usado para conselhos médicos, diagnósticos ou tratamentos. 


Bióloga - CRBio/RJ 96514/02-D. Fundadora e administradora do Diário de Biologia. Possui graduação em Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas. Doutorado (2013) e Mestrado (2009) em Zoologia pelo Museu Nacional/UFRJ, especialista em insetos, autora do livro "O Mundo Secreto dos Insetos" - Cortez Editora. Experiência com palestras nacionais e internacionais. É autora ou coautora de artigos científicos publicados em revistas científicas, livros e capítulos de livro, e comunicações em eventos nacionais e internacionais. Colaboradora em revistas de divulgação científica para crianças (Ciência Hoje Para Crianças e Revista Recreio). Interessada em cultivo de plantas carnívoras. Atualmente mora na França, mas seu coração é brasileiro. Instagram: @karlla_diariodebiologia.