Novo estudo mostra que não se deve cortar o cordão umbilical assim que o bebê nasce. Veja um vídeo de um bebê ligado à placenta


Uma nova pesquisa feita pela Universidade do sul da Flórida, nos Estados Unidos, mostrou que esperar o cordão parar de pulsar para cortá-lo pode garantir a transferência de células-tronco, em um processo conhecido como transplante natural. Além disso, o atraso no corte reduz a incidência de hemorragia e diminui a necessidade de transfusões de sangue no futuro.

No útero, o sangue do bebê é oxigenado pela placenta. No nascimento, há uma mudança no sistema circulatório da criança para que comece a receber oxigênio pelos pulmões. A garantia de que essa transformação aconteceu, e que o bebê está preparado para respirar fora do útero, é quando a artéria do cordão interrompe a pulsação.

Além disso o corte tardio, em torno de 3 minutos após o nascimento, garante um aporte de sangue adicional da placenta para o bebê de aproximadamente 150ml, o que garante o seu aporte de ferro durante a infância toda e praticamente anula os riscos de ter anemia ferropriva.

Quando cortamos o cordão imediatamente após o nascimento, o bebê não recebe esse aporte de sangue e consequentemente terá menor aporte de ferro e de mielina. Esse déficit de mielina aumenta chance de comprometimento neurológico, retardo de desenvolvimento e QI reduzido. [Texto do Dr. Domingos Mantelli.]


Controvérsias

Enquanto há estudos sugerindo vantagens do corte do cordão tardiamente, há outros que mostram riscos, como a policetemia – excesso de glóbulos vermelhos no sangue – e a icterícia, que é aquela cor amarelada da pele. “Um corte tardio faz com que a criança receba um volume maior de sangue da mãe, causando esses tipos de problemas”, diz Renato Kfouri, pediatra e neonatologista do Hospital e Maternidade Santa Joana (SP) e diretor da Sociedade Brasileira de Imunização.

De acordo com a autora do estudo, ao avaliar as complicações do corte tardio, não houve diferença de icterícia entre os grupos. “Para evitar o excesso de volume de sangue para o bebê, tomamos o cuidado de deixá-lo um minuto ligado ao cordão na mesma altura da placenta”, afirma.

Fonte: Revistacrescer/medicinae  Imagens: Reprodução/medicinae

Atenção: O material neste site é fornecido apenas para fins educacionais, e não deve ser usado para conselhos médicos, diagnósticos ou tratamentos. 


Bióloga - CRBio/RJ 96514/02-D. Fundadora e administradora do Diário de Biologia. Possui graduação em Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas. Doutorado (2013) e Mestrado (2009) em Zoologia pelo Museu Nacional/UFRJ, especialista em insetos, autora do livro "O Mundo Secreto dos Insetos" - Cortez Editora. Experiência com palestras nacionais e internacionais. É autora ou coautora de artigos científicos publicados em revistas científicas, livros e capítulos de livro, e comunicações em eventos nacionais e internacionais. Colaboradora em revistas de divulgação científica para crianças (Ciência Hoje Para Crianças e Revista Recreio). Interessada em cultivo de plantas carnívoras. Atualmente mora na França, mas seu coração é brasileiro. Instagram: @karlla_diariodebiologia.