Pesquisa mostra que cerca de 25% das meninas de 10 a 15 anos já usaram a pílula do dia seguinte para evitar gravidez


Esses números são assustadores. Uma pesquisa realizada pela Casa da Adolescente de São Paulo, indicou que por volta de 25% das adolescentes do sexo feminino já usaram a pílula do dia seguinte para evitar gravidez. O estudo, que entrevistou 600 adolescentes com idades entre 10 e 15 anos, mostrou que 75% das meninas e 60% dos meninos dessa idade já estavam por dentro dos métodos para evitar gravidez.

Os números da pesquisas deixaram muitos especialistas perplexos. Para eles é atemorizante imaginar que adolescentes e pré-adolescentes já estejam fazendo uso da pílula do dia seguinte.  A droga é um contraceptivo de emergência, uma exceção, não algo rotineiro. Ela possui uma dose hormonal maior do que o anticoncepcional convencional. A pílula que usa o princípio ativo chamado levonorgestrel, tem duas apresentações no mercado: uma que concentra toda a dose em um único comprimido de 1500 mg e outra em dois de 750 mg que devem ser administrados em dose única.

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Muitos adolescentes desconhecem que a pílula do dia seguinte pode apresentar um índice de falha 15 vezes maior do que o anticoncepcional convencional, e acabam fazendo uso dessa bomba de hormônios sem qualquer controle. Alguns admitiram usar o método mais que uma vez no mês. Mas os médicos alertam que o problema de tomar a pílula mais de uma vez no mesmo ciclo é que não dá para garantir a mesma eficácia. Além disso, seria o caso de se pensar em outro método contraceptivo, e não em um de emergência. Os especialistas também estão preocupados que o método não previne a contaminação por doenças sexualmente transmissíveis e acaba expondo as meninas a uma situação de risco, em especial com relação às DSTs, como, por exemplo, a Aids.


A venda da pílula do dia seguinte foi liberada para venda sem receita médica desde 2012 e esta pode ser a causa do seu uso indiscriminado, inclusive por adolescentes. Mas, segundo o Ministério da Saúde, esse medicamento só pode ser vendido a adolescentes em presença dos pais. Pelo jeito, não é assim que acontece!

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Fonte: drauziovarella/crfs    Imagens: digitalnewsworld/ livescience

 


Atenção: O material neste site é fornecido apenas para fins educacionais, e não deve ser usado para conselhos médicos, diagnósticos ou tratamentos. 


Bióloga - CRBio/RJ 96514/02-D. Fundadora e administradora do Diário de Biologia. Possui graduação em Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas. Doutorado (2013) e Mestrado (2009) em Zoologia pelo Museu Nacional/UFRJ, especialista em insetos, autora do livro "O Mundo Secreto dos Insetos" - Cortez Editora. Experiência com palestras nacionais e internacionais. É autora ou coautora de artigos científicos publicados em revistas científicas, livros e capítulos de livro, e comunicações em eventos nacionais e internacionais. Colaboradora em revistas de divulgação científica para crianças (Ciência Hoje Para Crianças e Revista Recreio). Interessada em cultivo de plantas carnívoras. Atualmente mora na França, mas seu coração é brasileiro. Instagram: @karlla_diariodebiologia.