O que acontece no corpo quando inalamos fumaça durante um incêndio?


Depois da tragédia do incêndio na boate Kiss, no Rio Grande do Sul, na qual a maioria das mortes ocorreu em decorrência da fumaça tóxica produzida pela queima do poliuretano do isolamento acústico, muitas pessoas tem perguntado sobre o que aconteceu no corpo dessas pessoas. Escrevi um texto bem simples para que todos possam entender, baseado em uma entrevista do pneumologista Elie Fiss, à revista Veja.

 Bem, nesses casos de incêndio com inalação de grande quantidade fumaça, ao invés de oxigênio a pessoa está respirando, entre outros gases, o monóxido de carbono, pois todo oxigênio do ambiente, obviamente, está sendo consumido pelo fogo. Quando a pessoa respira ela está levando o monóxido de carbono para dentro do pulmão, que se liga nas hemácias (glóbulo vermelho) ao invés de oxigênio. Assim, o que chega aos órgãos (cérebro, coração, rins, etc.) é o monóxido de carbono, um gás altamente tóxico. Isso vai causar um sofrimento grave no organismo por falta de oxigênio. Em poucos minutos a pessoa perde a consciência e não consegue respirar, ficando mais alguns minutos nesse ambiente, a pessoa pode morrer rapidamente sem se dar conta do perigo.

 Durante um incêndio também são formadas substâncias como cianuretos, amônias e outros. Isso depende do produto que estiver queimando, geralmente são plásticos derivados de petróleo que são extremamente tóxicos. Quando temos uma pneumonia bacteriana, é a bactéria que está causando a inflamação. No caso da fumaça é uma pneumonia química, que desenvolve rapidamente um quadro de insuficiência respiratória. Acontece assim: como mecanismo de defesa do organismo, as células do sistema imunológico (glóbulos brancos) saem dos vasos sanguíneos e vão até os alvéolos pulmonares para tentar fazer uma limpeza dessa área. Dependendo da quantidade de fumaça inalada é impossível para elas fazer o seu trabalho. Então, uma série de substâncias de reação inflamatória é desencadeada e o fluido (plasma) cheio de substâncias químicas passa a ocupar os alvéolos pulmonares. Então, este alveolo que deveria ser um meio de passagem e distribuição do oxigênio para o corpo, passam a ser cheio de líquido. A situação não fica fácil para o organismo, pois além de respirar monóxido de carbono ao invés de oxigênio, a pessoa ainda tem um pulmão cheio de líquido tóxico. Ou seja, está com asfixia. Um quadro dramático e extremamente grave!

Quando a pessoa respira ela está levando o monóxido de carbono para dentro do pulmão, que se liga nas hemácias (glóbulo vermelho) ao invés de oxigênio.

 


FONTE: Veja

 

 


Atenção: O material neste site é fornecido apenas para fins educacionais, e não deve ser usado para conselhos médicos, diagnósticos ou tratamentos. 


Bióloga - CRBio/RJ 96514/02-D. Fundadora e administradora do Diário de Biologia. Possui graduação em Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas. Doutorado (2013) e Mestrado (2009) em Zoologia pelo Museu Nacional/UFRJ, especialista em insetos, autora do livro "O Mundo Secreto dos Insetos" - Cortez Editora. Experiência com palestras nacionais e internacionais. É autora ou coautora de artigos científicos publicados em revistas científicas, livros e capítulos de livro, e comunicações em eventos nacionais e internacionais. Colaboradora em revistas de divulgação científica para crianças (Ciência Hoje Para Crianças e Revista Recreio). Interessada em cultivo de plantas carnívoras. Atualmente mora na França, mas seu coração é brasileiro. Instagram: @karlla_diariodebiologia.