Meio Ambiente e lugares – Diário de Biologia http://diariodebiologia.com Agora ficou divertido aprender! Fri, 20 Jan 2017 08:12:41 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.1 5538239 Veja com detalhes todos os procedimentos necessários para levar seu cãozinho para o exterior http://diariodebiologia.com/2017/01/veja-com-detalhes-todos-os-procedimentos-necessarios-para-levar-seu-caozinho-para-o-exterior/ http://diariodebiologia.com/2017/01/veja-com-detalhes-todos-os-procedimentos-necessarios-para-levar-seu-caozinho-para-o-exterior/#respond Tue, 10 Jan 2017 14:06:10 +0000 http://diariodebiologia.com/?p=38195

Essa é uma questão que muitas pessoas têm dúvidas. Quem tem um cãozinho em casa e pretende se mudar ou viajar para outro país, precisa de um bom tempo (meses) para organizar toda documentação necessária para que o melhor amigo possa curtir uma viagem internacional ao seu lado.

Passei por esta experiência recentemente e confesso que não encontrei um texto com informações detalhadas na internet sobre os procedimentos corretos para conseguir viajar para fora do Brasil com um cão (ou gato).  Resolvi então, detalhar esta experiência com imagens de documentos para facilitar sua organização! Como minha viagem foi para um país da união Europeia (França), o texto irá focar no procedimento para este país, porém, na prática, os recursos  são os mesmos.

1- Para qual país pretende levar seu cão?

Sim, isso importa e o procedimento vai variar de acordo com o país de destino. Para os países do Mercosul, as regras são umas, para os Estados Unidos e Canadá outras e para Europa já tem exigências diferentes. Como você pode ver cada caso? Visite a página do Ministério da Agricultura e clique no seu país de destino, conforme a imagem abaixo.

2- O microchip

Você precisa inserir um microchip credenciado e aceito em qualquer leitor disponível nos aeroportos do mundo e ele é obrigatório. A identificação eletrônica deve atender aos critérios de conformidade dispostos na norma ISO11784, ou no anexo A da norma ISO 11785. No meu caso, instalamos o microchip da marca VIRBAC (mas existem diversas outras também aceitas). É extremamente importante que você exija o “Certificado de Microchipagem” devidamente assinado pelo veterinário. Você precisará dele para apresentar ao Ministério da Agricultura. Então, pergunte logo se você receberá este certificado antes de instalar o microchip. Você poderá instalar o microchip em clínicas veterinárias, mas alguns veterinários particulares também fazem o procedimento.  O preço pode variar bastante: encontrei preços entre R$ 65 e R$ 250 da mesma marca.  Portanto, pesquise!

3- Vacina anti-rábica

Isso é extremamente importante: Não importa se seu cãozinho já tiver sido vacinado há pouco tempo, uma nova vacina anti-rábica terá que ser administrada após a instalação do microchip.  Não tente questionar isso, pois trata-se de uma exigência incontestável.  Por que? Segundo fui informada pela Vigiagro (órgão do Ministério da Agricultura que dará a autorização de viagem), o microchip é a identidade do cão e para que não haja fraude, o procedimento deve seguir essa ordem: Microchip è Vacina anti-rábica.

Atenção: A vacina deve ser importada.  Sim, vacinas nacionais não serão aceitas. Também não são aceitas vacinas de campanhas organizadas pela prefeitura da sua cidade. Portanto, você terá que procurar uma clínica veterinária e pagar (entre R$ 80 e R$ 100) por uma vacina importada. No meu caso, apliquei a vacina Nobivac da Merck.

Exija que o adesivo com o lote da vacina seja colado no cartão de vacinas do seu cãozinho.  Você precisará deste número para preencher uma “papelada”.

4- A quarentena

Quando me disseram que o cãozinho precisaria passar por uma quarentena depois de vacinar, fiquei apavorada pois imaginei que teria que deixá-la presa em algum abrigo do governo por 40 dias.  Mas não é nada disso!

Depois da vacina anti-rábica, seu cãozinho precisa aguardar pelo menos 30 dias antes de fazer um exame de sangue que irá confirmar se os anticorpos que o protegem da doença já estão ativos no organismo do animal. Isso precisa de pelo menos 30 dias.

5- Sorologia anti-rábica ( o exame mais importante!)

Passados os 30 dias da “quarentena ”, você precisará dosar os anticorpos com um exame de sangue. Mas aí temos um problema: o único laboratório no Brasil credenciado para este exame para fins de viagem internacional é o Laboratório de Zoonoses e Doenças Transmitidas por Vetores do Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo (e-mail: zoonoses@prefeitura.sp.gov.br).  Desde 2008 Centro de Controle de Zoonoses é habilitado, pela Agência Francesa de Segurança Sanitária de Alimento, Ambiental e Ocupacional (ANSES), para realização do teste de Titulação de Anticorpos Neutralizantes contra o Vírus da Raiva, em animais de companhia que viajam para países da Comunidade Europeia.

Precisarei ir a São Paulo? Não! Diversos laboratórios e clínicas veterinárias no Brasil fazem a coleta do sangue e enviam para o CCZoo em São Paulo. Mas, obviamente isso não é gratuito. Pesquise em sua cidade uma clínica que cuide desse procedimento. No Rio de Janeiro recomendo a BioLife. Eles sugerem um enfermeiro veterinário com bastante experiência que vai sua residência para a coleta (cobra 50 reais pelo serviço). Ele cuida de tudo e leva o sangue com segurança para a preparação. Paguei R$ 430 para a BioLife resolver tudo. Nem precisei ir ao laboratório, fiz o depósito bancário e o laudo oficial chegou em minha casa via correio por sedex 32 dias após a coleta. O título mínimo necessário para a viagem do animal é maior ou igual a 0,50 UI/mL.

Atenção: seu cãozinho só poderá embarcar 90 dias após da data do resultado deste exame.

6- Tratamento parasitário

A França não exige este tratamento, no entanto, alguns países o fazem.  O tratamento deve ser administrado por um veterinário dentro de um prazo não superior a 120 horas e não inferior a 24 horas antes da hora prevista de entrada dos cães num dos países listados no referido Regulamento. Também deve ser feito com um medicamento autorizado que contenha uma dose adequada de praziquantel ou de substâncias farmacologicamente ativas que, sozinhas ou combinadas, reduzam comprovadamente a carga das formas intestinais adultas e imaturas do parasita Echinococcus multilocularis na espécie canina.

7- Agendamento da entrevista

Agende com a Vigiagro uma data e horário para a entrevista para emissão de um documento chamado CVI (Certificado Veterinário Internacional). Este documento funcionará como um “visto” de entrada do animal em outro país.  Sem ele, você não fará nem o check-in do cãozinho.

No Rio de Janeiro o telefone da Vigiagro é: (21) 3398-7072. Você terá que informar a data do seu embarque e eles irão te enviar um e-mail com toooooodos os documentos e formulários exigidos. Claro que você a esta altura já terá 90% pronto se fez tudo que foi mencionado acima.

A Vigiagro vai exigir:

  • Certificado de Microchipagem original assinado pelo profissional que fez o implante.
  • Laudo de sorologia para pesquisa de anticorpos da raiva original. Aquele exame feito em São Paulo.
  • Formulário para requerimento do CVI preenchido (1 cópia). Ele será enviado ata seu e-mail, mas está disponível AQUI.
  • Formulário do CVI do seu país de destino preenchido (2 cópias). Este formulário tem 6 páginas, mas a parte que você terá que preencher é pouca.
  • Atestado de saúde emitido pelo seu veterinário particular. Levar o original que ficará retido.
  • Cartão de vacina original do cãozinho com todas as vacinas já feitas.

8- Atestado de saúde de um veterinário particular

Qualquer veterinário com registro válido no CRV pode emitir este atestado. Mas esteja atento pois este documento deve ser feito de preferência em papel timbrado com o CRV do médico veterinário e/ou nome e CNPJ da Clínica.  Neste atestado deve conter os dados do cão: nome, data de nascimento, raça, idade, peso, cor da pelagem e número do microchip. Além disso frases como: “ foi examinado e não apresenta parasitoses e miíase”vacinação em dia”. Veja a imagem abaixo do atestado emitido pelo veterinário que nos atendeu.

Este modelo foi elogiado pelo Veterinário do Ministério da Agricultura.  Então,  seguindo essa linha não terá problemas.

Muita atenção para o prazo de validade. Este atestado tem validade de 5 a 10 dias dependendo do país. Ou seja, se organize para ter este documento com data de 2-3 dias antes de ir para a entrevista na Vigiagro.

Os trechos grifados em amarelo são exigidos neste atestado!

 

9- Emissão do CVI ou CZI

Se você está com toda documentação em mãos o procedimento demora apenas alguns minutos. Depois de conferidos,  os documentos são examinados pelo veterinário credenciado e ele assinará o CVI/CZI autorizando seu cão a deixar o país. Não é necessário levar o seu cãozinho nesta entrevista. Mas esteja certo de que todos os documentos precisam estar corretos, eles são muito rigorosos com isso.

O veterinário do Ministério da Agricultura irá avaliar e autorizar (ou não!) o cão de viajar. Ele irá assinar e carimbar o CZI/CVI conforme a imagem abaixo. Pronto! Você já pode levar seu cão com você para uma viagem internacional!

O CVI/CZI tem 8 páginas e você terá que levar duas cópias já preenchidas. Qualquer dúvida leve cópias a mais e preencha lá mesmo!

9- Caixa de transporte

Para viajar com o seu pet de avião é preciso um kennel (caixa de transporte) ideal de acordo com a raça, tamanho do animal e se ele vai viajar na cabine ou no compartimento de cargas.

A principal diferença do kennel é o tipo de material, para viagem na cabine o ideal é que seja de um material maleável com fundo impermeável, flexível e bem ventilada. Para viagens no compartimento de cargas o material deve ser um plástico bem resistente e duro esse fator é importante para a segurança do seu cão.

A maior dúvida, no entanto, fica por conta do tamanho do kennel, é importante lembrar que toda companhia aérea tem um tamanho padrão primeiramente verifique junta a sua companhia. Para calcular o tamanho ideal são três fatores: Comprimento: deve ser medido o comprimento do animal do focinho até a base da cauda + metade da medida da pata dianteira até o peito do animal. O animal deve conseguir ficar deitado. Largura: deve ser no mínimo duas vezes a medida da largura das costas do animal. O animal deve conseguir dar uma volta em torno de si mesmo. Altura: deve ser 2 centímetros maior que a altura do animal em pé com as quatro patas no chão. O animal deve conseguir ficar em pé sem abaixar a cabeça.

 

No meu caso, uma Yorkshire de 2,800 Kg o kennel media 32x25x40cm e passou tranquilamente. Este modelo é da Ibiyaya e ela ficou super calma porque podia ver tudo que estava acontecendo fora da caixa.

10- No aeroporto

Depois de fazer o seu check-in e avisar que você viajará com um cão, o funcionário da empresa aérea irá encaminha-lo para outro setor, dentro do aeroporto mesmo, para conferência da documentação. Eles vão pedir apenas o CVI/CZI, mas na dúvida leve tudo: certificado do microchip, cartão de vacina, atestado do veterinário particular e etc… Nunca se sabe!  Neste momento você também terá que pagar a passagem do animal (paguei 240 €). Será emitida uma passagem.

Cães de grande porte terá que fazer o check-in e serão levados para o avião. O espaço é limpo, agradável e climatizado. Não se preocupe! Coloque uma camisa sua usada para o cão sentir seu cheiro e com isso ter mais segurança. Coloque também um bebedouro e um tapete higiênico.

Se seu cão é de pequeno porte, ele ficará com você o tempo todo. Para passar no raio-x o funcionário irá te orientar a tirar o cão da caixa de transporte e passar pelo detector de metais. Nada demais, nem pediram documentação. Sua passagem indicará que você responsável por um pet durante o voo, conforme imagem.

11- No avião

Cães de pequeno/médio porte que viajam na cabine, terão que permanecer na caixa de transporte o tempo todo.

Minha experiência: Para decolagem o kennel ficou no chão entre meus pés. Depois de o voo estabilizado, coloquei a caixa no colo. A Luna pode me ver o tempo todo e ficou muito calma. O voo é muito longo então quando ela dormiu coloquei no chão. Levei os petiscos preferidos, mas ela não se mostrou animada em comê-los. Ofereci água de vez enquanto e ela bebeu bastante. O xixi foi mais complicado, tentei levar no banheiro, mas ela não fez. Aí quando todo mundo dormiu e as luzes se apagaram eu a tirei da caixa de transporte e a coloquei na coleira. Forrei o chão com o tapete higiênico e ela fez um “xixizão”. No meio da noite, deixei ela dormindo no meu colo um pouco, mas ela se sentiu tão segura com a caixa que queria voltar para dentro da caixa. Vai entender! Ela comeu muito pouco e bebeu muita água. Xixi apenas uma vez e nenhum cocô.

Foi complicado?

Foi. Mas valeu a pena. Caso não queira arrumar essa documentação, contrate uma empresa que é especializada nisso. Pesquise!

 

Fontes: dogtravel / Ministério da Agricultura
Imagens: Arquivo pessoal / ajanelalaranja
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Uma árvore considerada extinta foi encontrada no quintal da Rainha Elizabeth II http://diariodebiologia.com/2016/11/uma-arvore-considerada-extinta-foi-encontrada-no-quintal-da-rainha-elizabeth-ii/ http://diariodebiologia.com/2016/11/uma-arvore-considerada-extinta-foi-encontrada-no-quintal-da-rainha-elizabeth-ii/#respond Tue, 29 Nov 2016 07:07:59 +0000 http://diariodebiologia.com/?p=38021

Quem pensou que ela tinha sumido do planeta Terra errou feio! A árvore Wentworth Elm, cientificamente chamada de Ulmus wentworthii pendula, foi encontrada justamente no jardim da Rainha Elizabeth II em Edimburgo. Os cientistas já tinham dada como extinta por décadas, mas felizmente foram encontradas duas espécies desta árvore nos terrenos da realeza quase escondidos entre outras espécies.

Não foi tão difícil de notar sua existência, até porque com a sua altura de 33 metros e uma aparência bastante peculiar dos galhos e folhas ficou fácil de identificar a espécie. Que fez a descoberta foram os cientistas do Royal Botanic Garden Edinburgh (RBGE) durante um levantamento dos terrenos do Palácio de Holyroodhouse, residência da Rainha na Escócia.

Os pesquisadores estavam desacreditados com esta espécie, pois não viam uma dessas árvores desde a última epidemia da doença de Olmo que atacou e matou muitas espécies européias e norte-americanas, causada por um fungo transportado por besouros e que ocorreu no século 20. A descoberta fez com que os cientistas ficassem intrigados com a sua sobrevivência depois da epidemia, mas atribuíram essa raridade pelo fato de que o conselho da cidade de Edimburgo mandou retirar todas as espécies doentes desde os anos de 1980. Essa seria a única razão pela qual essas duas espécies não contraíram a doença de Olmo.

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Os botânicos estão trabalhando arduamente para que a espécies sejam disseminadas pela Europa e possam espalhar-se novamente, por isso estão buscando técnicas que permitam tal realização, garantindo o desfruto da árvore para as próximas gerações.

Agora uma equipe do jardim, juntamente com a Historic Environment Scotland (HES) se comprometeu a realizar a manutenção e ajudar cuidadosamente das espécies ao longo dos anos, incluindo fazer a podação e reparos necessários na árvore, além disso, o gerente, Alan Keir da HES disse que está muito feliz em poder ajudar e cuidar de espécies tão preciosas para o meio ambiente e, principalmente, para o planeta Terra.

Fontes: iflscience / theguardian / sciencealert
Imagens: Reprodução/sciencealert
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Você já ouviu falar em “aids felina”? Conheça a doença e saiba como evitar que seu gato contraia http://diariodebiologia.com/2016/11/voce-ja-ouviu-falar-em-aids-felina-conheca-a-doenca-e-saiba-como-evitar-que-seu-gato-contraia/ http://diariodebiologia.com/2016/11/voce-ja-ouviu-falar-em-aids-felina-conheca-a-doenca-e-saiba-como-evitar-que-seu-gato-contraia/#respond Sat, 19 Nov 2016 07:41:15 +0000 http://diariodebiologia.com/?p=37943

Em 1986, foi documentado o primeiro caso de infecção por FIV, o Vírus da Imunodeficiência Felina. Não, não é impressão sua. O nome é bem parecido com HIV, o Vírus da Imunodeficiência Humana. E não é só no nome que eles se parecem. Não somente as sequências gênicas e os métodos de replicação do FIV são muito parecidos com os do HIV, quanto a maneira como o FIV age no organismo dos felinos é idêntica à do HIV em seres humanos. Tanto que se você fizer uma rápida pesquisa, não raro irá se deparar com a expressão “Aids felina”, nome popular da Imunodeficiência Felina.

De fato, o FIV honra o seu nome ao causar uma queda importante na resposta imune do animal a infecções simples. O problema é que, assim como o HIV, o FIV pode ficar latente no organismo por meses e até anos sem dar qualquer sinal de sua existência, o que significa que proprietários de gatos podem já estar convivendo com a infecção em casa enquanto realmente acreditam ter um animal perfeitamente saudável. Num artigo publicado na revista WebVet pelo consultor especializado em medicina felina Prof.Alexandre G.T. Daniel, menciona-se casos de indivíduos que chegaram a viver entre oito a dez anos apenas “portando” o vírus, sem que qualquer sintoma inequívoco da infecção aparecesse. Por isso a importância de se conhecer os estágios da doença e ficar atento: se o seu gato fica constantemente doente sem razão aparente, e não responde bem aos tratamentos recomendados pelo veterinário, pode ser necessário um exame mais minucioso a fim de verificar se há anticorpos contra o FIV na corrente sanguínea do animal, o que já aparece no primeiro estágio da infecção.

OS ESTÁGIOS DA DOENÇA

Há uma certa divergência na literatura quanto a quantidade exata de estágios da Imunodeficiência Felina. Mas, em essência, a descrição da maneira como a doença progride em termos de sintomas é unânime. Num primeiro momento após a infecção, há uma resposta imunológica agressiva do organismo em relação ao vírus, o que aparece externamente na forma de febres e leve inchaço dos linfonodos. Isso ocorre devido à produção em massa de anticorpos contra o vírus, o que faz com que ela se estabilize momentaneamente. É aí que entramos no segundo estágio da doença, quando o animal aparenta estar saudável. Como já dissemos, não há um tempo certo para a duração dessa fase.

Conforme a infecção avança e o organismo não consegue mais prover uma defesa minimamente eficaz contra ela, as infecções oportunistas – que já apareciam eventualmente no período de latência – começam a evoluir em gravidade. Desde as febres crônicas até a chamada “fase de franca imunodeficiência adquirida”, quando a doença se manifesta com maior agressividade, a perda de peso é constante e os sintomas progridem desde complicações gastrintestinais – manifestando-se através de diarreias frequentes – ,respiratórias, inflamações nas gengivas, inchaço mais proeminente dos linfonodos, além do desenvolvimento de doenças neurológicas que afetam drasticamente o comportamento do animal e até mesmo as temidas neoplasias (cânceres).

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COMO EVITAR A DOENÇA?

É aqui que entra uma diferença importante entre o FIV e o HIV. Muito se fala sobre a importância da castração em animais domésticos. Afinal, ela não somente evita a superpopulação de animais abandonados, como ainda previne uma série de doenças. Entretanto, quando o assunto é infecção por FIV, ela é ineficaz. Por dois motivos: primeiro, porque a transmissão do FIV não se dá por contato sexual, mas sim pelo mero contato entre saliva e corrente sanguínea, o que é frequente em brigas por território entre machos. E é aqui que entramos na segunda razão. Embora não pretendamos abordar esse assunto com mais detalhes nesse texto – podemos falar sobre isso futuramente – a castração em si não vai evitar que seu gato saia de casa. E uma vez saindo, nada impede que ele acidentalmente invada o território de um gato FIV+, seja atacado e acabe voltando infectado pra casa.

Desta forma, a única forma de prevenção conhecida contra o FIV ainda é a criação indoor (leia sobre ela aqui). É sabido que nos Estados Unidos já existe uma vacina contra o FIV. Mas ela ainda não chegou por aqui, e ainda que tivesse chegado, ela não cobre todos os subtipos do vírus.

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MEU GATO É FIV+. E AGORA?

Antes de qualquer coisa, você precisa ter certeza de que seu animal é realmente soropositivo, o que NÃO se confirma com apenas um teste. Se seu gato for filhote, menos ainda, já que ele pode ter herdado os anticorpos da mãe FIV+, o que não significa que ele esteja necessariamente infectado. O ideal é que se espere até o animal ter, no mínimo, seis meses de idade, e ainda assim, realizar DOIS testes, com um intervalo de pelo menos 3 meses entre um e outro.

Agora, se mesmo assim, ficar efetivamente confirmada a infecção, a orientação primordial é: NÃO ABANDONE SEU ANIMAL! Primeiro, porque o vírus não é transmissível a nenhuma outra espécie animal – inclusive a humana. E depois, assim como no caso do HIV, o diagnóstico por Imunodeficiência Felina não implica numa sentença de morte, desde que seja adequadamente tratada. Assim como com o HIV em humanos, existem medicamentos que, quando ministrados aos animais, tratam de manter a infecção sob controle, tanto reduzindo a carga viral plasmática quanto brecando a replicação de novos vírus. Além disso, é importante saber que mais da metade dos indivíduos infectados permanece assintomática, e o que se deve fazer nesses casos não é lá muito diferente do ideal para qualquer animal saudável: castração para evitar todo o estresse das circunstâncias de acasalamento, criação indoor a fim de evitar contaminação por agentes externos que possam desencadear as infecções oportunistas e, obviamente, visitar o veterinário regularmente.

Fontes: webvet / faef.revista / cats.about
Artigos: Imunodeficiência viral felina /
Imagens: Reprodução/agenciauvajornalismo / vidayestilo

 

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“Fertilizei meu canteiro de alface com meu sangue menstrual”. Sim, é isso mesmo que você leu! http://diariodebiologia.com/2016/11/fertilizei-meu-canteiro-de-alface-com-meu-sangue-menstrual-sim-e-isso-mesmo-que-voce-leu/ http://diariodebiologia.com/2016/11/fertilizei-meu-canteiro-de-alface-com-meu-sangue-menstrual-sim-e-isso-mesmo-que-voce-leu/#respond Tue, 08 Nov 2016 09:10:45 +0000 http://diariodebiologia.com/?p=37866

Lendo uma cópia do tratado feminista da Inga Muscio, Cunt: A Declaration of Independence, a portuguesa e feminista Beca Grimm se deparou com a frase  “Deita o sangue menstrual dentro de um frasco, complete com água, e rega as tuas plantas. Elas adoram. ”. Rapidamente veio a ideia de que isso seria uma excelente forma que fazer alguma coisa útil com o sangue desperdiçado durante a menstruação. “Procurei no Google esta tendência perturbadora e encontrei meia dúzia de páginas que apoiam esta escola da jardinagem”, disse em seu relato postado no site Vice.

Decidida em fazer o experimento, Beca coletou o sangue com um coletor menstrual comum. Juntou ao sangue 9 partes de água e usou a solução sangrenta para regar seu canteiro de alfaces e uma mudinha de Aloe vera (babosa). No sétimo dia do ”experimento sangrento” estava tudo bem com as alfaces, elas haviam crescido cerca de 8 centímetros e já davam para preparar uma salada. “Lavei a alface ensanguentada, não foi fácil, e preparei uma salada de verão, com morangos”, disse.

Beca relatou que apesar da ausente diferença de sabores a terra estava cheia de nutrientes e pode favorecer o crescimento da planta. “Ter usado o meu corpo para cultivar e fazer crescer uma alface é uma coisa que me emociona. É uma coisa que um homem nunca fará”.

“Lavei a alface ensanguentada, não foi fácil, e preparei uma salada de verão, com morangos”, disse.
“Lavei a alface ensanguentada, não foi fácil, e preparei uma salada de verão, com morangos”, disse.

Tem fundamento biológico nisso?

Na verdade, esse é um conceito tão natural e antigo que existem relatos de rituais indígenas em que a mulher, de cócoras, deixava o sangue menstrual escorrer livremente, penetrando e nutrindo a terra, mantendo assim o ciclo de fertilidade em uma linda relação entre os seres humanos e o planeta. Graças a presença de três nutrientes importantíssimos para as plantas – o nitrogênio, o potássio e o fósforo – o sangue é um bom fertilizante.

O nitrogênio é muito importante para o crescimento das plantas, pois é o responsável pela produção de novas células e tecidos. Já o potássio é responsável pelas reações enzimáticas e se relaciona também com a fotossíntese e a produção de carboidratos. Em solos deficientes, o potássio pode se esgotar em apenas um dia, por isso a liberação de potássio proveniente do sangue no solo é tão valiosa para o crescimento dos vegetais, por exemplo. O fósforo também estimula o crescimento e a formação de raízes e sementes, além de ser importante para a realização de atividades enzimáticas no interior das células. Ele influencia também o processo de fotossíntese, deixando suas plantas bem verdinhas e lindas!

Fonte: vice / korui
Imagens: Reprodução/ vice
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Misteriosamente, leoas adquiriram juba e passaram a agir feito leões em reserva africana. Especialistas estão estudando o caso! http://diariodebiologia.com/2016/11/misteriosamente-leoas-adquiriram-juba-e-passaram-a-agir-feito-leoes-em-reserva-africana-especialistas-estao-estudando-o-caso/ http://diariodebiologia.com/2016/11/misteriosamente-leoas-adquiriram-juba-e-passaram-a-agir-feito-leoes-em-reserva-africana-especialistas-estao-estudando-o-caso/#respond Sun, 06 Nov 2016 21:23:48 +0000 http://diariodebiologia.com/?p=37850

Fêmeas de leão em Botsuana apresentaram uma mudança física e comportamental intrigante: começaram a agir como machos.

Um grupo de cientistas está publicando um artigo frisando a observação de cinco leoas com juba de leão e comportamento masculino em Moremi, Botsuana. Uma das leoas até mesmo ruge como um macho, marca frequentemente o território e monta em outras fêmeas. Os cientistas, liderados pelo zoólogo britânico Geoffrey Gilfilla, da Universidade de Sussex, batizaram essa leoa de SaF05, um nome que remete ao símbolo do lesbianismo.

Os cientistas observaram que as fêmeas apresentam genitais femininos completos e intactos, não apresentam nenhuma evidência de existência de pseudo-pênis nem nada que sugira um hermafroditismo. Os lábios e o clitóris são relativamente grandes quando comparados com os de uma fêmea normal.

A provável causa desse fenômeno pode ser um elevado nível de testosterona. Isso acontece e é observado em machos castrados, que produzem menos hormônio masculino e sua juba desaparece. Análises veterinárias mostram a existência de uma anomalia nos ovários de alguns desses animais, que estimula a produção de testosterona. Outro aspecto interessante é que as leoas são estéreis, um efeito conhecido da presença de altos níveis de androgênios, como a testosterona, no organismo das fêmeas.

Uma das leoas com aspecto de leão, sedada. SIMON DURES
Uma das leoas com aspecto de leão, sedada. SIMON DURES
Fonte: brasil.elpais
Imagens: Reprodução/ brasil.elpais
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Imperdível: Cientistas descobrem porque os ursos-d’água são os animais mais resistentes do planeta! http://diariodebiologia.com/2016/10/imperdivel-cientistas-descobrem-porque-os-ursos-dagua-sao-os-animais-mais-resistentes-do-planeta/ http://diariodebiologia.com/2016/10/imperdivel-cientistas-descobrem-porque-os-ursos-dagua-sao-os-animais-mais-resistentes-do-planeta/#respond Tue, 18 Oct 2016 22:41:51 +0000 http://diariodebiologia.com/?p=37807

O tardígrado é conhecido como o animal mais resistente do mundo. Agora cientistas descobriram o segredo genético que faz com que os animais sobrevivam a ebulição, congelamento e radiação. Um gene específico é responsável por toda essa resistência e no futuro, ele poderá ser usado para proteger células humanas.

A pesquisa realizada na Universidade de Tóquio identificou uma proteína que protege o DNA desses bichinhos, e embrulha o material genético, como se fosse um cobertor.

A descoberta foi publicada pelo grupo Nature communications, e os cientistas que desenvolveram essa pesquisa conseguiram reproduzir células humanas que produzem a mesma proteína que protege o DNA dos tardígrados, principalmente da radiação.

A partir disso, os pesquisadores sugerem que os genes dos tardígrados, capazes de resistir a condições extremas poderiam, um dia, proteger seres vivos de raios-X ou de raios nocivos do sol.

As pesquisas contaram com 8 anos de experimentos e estudos com o DNA desses seres para descobrir como eles conseguiam resistir a condições extremas. Antes do estudo, acreditava-se que os tardígrados, também chamados de “ursos-d’água”, sobreviviam a radiação por conseguirem recuperar danos causados ao seu DNA.

A estranha e microscópica criatura que se assemelha a um urso aquático tem um gene específico que, segundo cientistas, o ajuda resistir à radiação
A estranha e microscópica criatura que se assemelha a um urso aquático tem um gene específico que, segundo cientistas, o ajuda resistir à radiação

Fonte: bbc brasil
Imagens: Reprodução/  bbc brasil/ diariodebiologia
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Comportamento animal: gatos podem viver [bem] dentro de casa? http://diariodebiologia.com/2016/09/comportamento-animal-gatos-podem-viver-bem-dentro-de-casa/ http://diariodebiologia.com/2016/09/comportamento-animal-gatos-podem-viver-bem-dentro-de-casa/#respond Fri, 23 Sep 2016 11:42:33 +0000 http://diariodebiologia.com/?p=37755

Gatos têm se tornado cada vez mais populares e, com isso, cresce também o debate em torno da chamada “criação indoor”, ou seja, estritamente dentro de casa. A pergunta é: isso é saudável para esses animais? Devo privar meu gato de dar suas “voltinhas”? Não é do espírito dos gatos viverem livres “na natureza”?

Este texto não tem a menor intenção de ditar regras sobre como você deve ou não criar seu animal de estimação. Mas não há como negar: se o lado de dentro pode fazer algum mal, o lado de fora também não deixa barato. E se você ainda opta por manter seus animais numa vida semi-livre porque realmente acredita que isso é INDISPENSÁVEL para o bem-estar deles, talvez você não esteja ciente das últimas pesquisas científicas desenvolvidas há mais de 30 anos.

Afinal de contas, o que os gatos tanto procuram nas ruas? A resposta é simples: presas. Pesquisas de campo comprovaram que os gatos passam a maior parte do tempo caçando. Isso explica o porquê de mesmo alguns gatos castrados ainda desejarem tanto as ruas. Mesmo sendo alimentados diariamente e ainda que não comam os produtos de suas empreitadas (muitos inclusive chegam a leva-los inteiros para casa), o instinto de caça destes animais não difere EM UMA VÍRGULA de seus ancestrais selvagens; até porque o gato doméstico (Felis silvestris catus) sequer ocupa um posto isolado nas classificações taxonômicas, exercendo ainda o papel de mera subespécie do gato selvagem africano (Felis silvestris).

No entanto, as semelhanças entre ambos param por aí. Se a ideia de viver solto “na natureza” vale para o gato selvagem, isso nem de longe se aplica ao gato doméstico. E ainda que fosse o caso, isso não seria, obrigatoriamente, sinônimo de bem-estar. Brian Trevor Poole, pesquisador do comportamento animal e autor do livro Animal Welfare (sem tradução para o português), explica que nem sempre o comportamento natural está aliado ao bem-estar animal, já que os riscos da luta pela sobrevivência podem ser fatais. Se isso é verdade para o gato selvagem, quanto mais para os que são criados nas cidades, onde os resultados da civilização humana potencializaram estes riscos. Desde as disputas por território com outros gatos, até a contração de doenças virais e bacterianas, transmissíveis ou não a humanos, além dos ataques de outros animais ou acidentes e maus-tratos impingidos por pessoas mal-intencionadas, são INÚMERAS as possibilidades de seu gato voltar seriamente ferido ou doente para casa, ou simplesmente não voltar nunca mais. Por essas e outras, que desde 2001 a orientação da Associação Americana de Médicos Veterinários é contundente: “Encorajamos fortemente os tutores de gatos domésticos em áreas urbanas e suburbanas a mantê-los indoors”.

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O dilema enfrentado pelos gateiros de plantão sobre seguir ou não a orientação dos profissionais consiste no receio de que o confinamento possa fazer mal aos seus animais. E, de fato, não é sem fundamento. Se o ambiente externo traz uma série de danos físicos, o etologista britânico Jonathan Balcombe já advertia sobre os danos neurológicos que o confinamento pode causar aos animais. No caso dos gatos, eles se manifestam na inibição de comportamentos normais da espécie. O gato pode ficar entediado, apático, dormindo AINDA mais do que os gatos usualmente dormem, fazer as necessidades fora da caixa sanitária (o TERROR dos tutores), ou ainda pior: pode tornar-se arisco e consequentemente agressivo, desenvolver estereotipias – comportamentos repetitivos sem senso prático algum – além de transtornos físicos, como a obesidade – que por si só já abre portas para diversas doenças – e cistite idiopática felina.

Então, o que fazer? Devo manter meus animais soltos, mesmo com todos os riscos? Calma. Na verdade, estes efeitos adversos do confinamento já preocupam os diretores de biotérios e CCZ’s há um bom tempo. Isso porque comprometem tanto os resultados das pesquisas onde gatos ainda são utilizados como modelos, quanto condenam esses animais a anos e anos num gatil esperando por adoção. Como nesses locais a vida semi-livre NÃO é uma opção, tornou-se a preocupação dos estudiosos criar medidas que erradicassem ou minimizassem estes efeitos. E após alguns estudos, eles perceberam que não é o ambiente em si que faz a diferença, mas os estímulos que os animais recebem nesse ambiente. Vale lembrar que gatos voluntariamente começaram a ficar perto de humanos uma vez que a agricultura foi estabelecida e roedores começaram a aparecer. E mesmo os gatos domésticos “saideiros” não costumam ultrapassar um raio de 100m da residência familiar. Ou seja, eles não se importam de viver num espaço restrito, desde que seus instintos sejam estimulados neste espaço. Como afirma a veterinária Ellen C. Jongman em seu artigo “Adaptation to Domestic Cats to Confinement”, “a qualidade do espaço que abriga o animal merece mais atenção que seu tamanho”.

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As técnicas de enriquecimento ambiental para animais confinados já têm rendido ótimos resultados não somente em gatos, como em diversas outras espécies. Num outro artigo publicado pela Universidade Técnica de Lisboa intitulado “O Enriquecimento Ambiental como Estratégia de Tratamento e Prevenção de Cistite Idiopática Felina”, a veterinária Ana Margarida Pignateli menciona, dentre outros resultados importantes com perus e outros animais, “redução dos prejuízos na memória de trabalho em ratos idosos; aumento nos níveis neurotróficos em cérebros de roedores; estimulação de renovação celular hipocampal e prevenção de morte dessas células, além de atenuação de distúrbios psiquiátricos em vida adulta”. Além disso, constatou-se que os roedores criados em ambientes enriquecidos respondiam a estímulos que simplesmente “passavam batido” em ratos criados em ambientes comuns. Ou seja: num ambiente devidamente enriquecido, eles permaneciam neurologicamente saudáveis, a despeito do confinamento.

É um fato que se a implantação de medidas que tornem o ambiente mais complexo para os bichanos já tem funcionado muito bem em biotérios e CCZ’s (veja a prática sendo utilizada em um CCZ neste artigo), quanto mais em casas de família onde o único motivo para a presença destes animais é o afeto. Desde a verticalização de ambientes até a instalação de prateleiras, além de túneis, refúgios em níveis baixos e elevados, brinquedos que estimulem a caça e diversos outros itens que seus recursos ou criatividade permitirem – sem dispensar, é claro, a interação com humanos e se possível, com outros animais –, tutores do mundo inteiro têm atestado o que para a ciência não é mais novidade: só se sente a necessidade de buscar fora de casa o que não se encontra dentro dela. Isso vale para os humanos. E para os gatos, também.

Sites: versila / journalvetbehavior / repository / mundodosanimais
Artigos: O enriquecimento ambiental como estratégia  /  Adaptation of domestic cats to confinement
Imagens: Reprodução/ pet360 / petbee / gralminas
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Agressividade canina: de quem é a culpa? http://diariodebiologia.com/2016/09/agressividade-canina-de-quem-e-a-culpa/ http://diariodebiologia.com/2016/09/agressividade-canina-de-quem-e-a-culpa/#respond Wed, 21 Sep 2016 23:49:56 +0000 http://diariodebiologia.com/?p=37751

De repente, o melhor amigo da família ataca uma pessoa, deixando-a seriamente ferida ou, em casos mais graves, sem vida. Seja um visitante, uma criança ou o próprio tutor, para estes casos não existe regra, a não ser que todos acabam chocando e chamando a atenção justamente pela natureza atípica da ocorrência. Afinal, quem espera ser agredido por aquele que carrega a fama de “melhor amigo do homem”? Entretanto, uma pesquisa minuciosa revelará um fato importante sobre a agressividade canina. Na maior parte dos casos documentados, o animal não era nem de longe tratado como “melhor amigo”.

Apesar disso, em momentos como esses a massa popular volta-se para outros fatores que não a criação. Um dos mais frequentes, sem dúvida, é a raça. Especialmente a raça American Pit Bull Terrier – ou simplesmente Pit Bull –, que ocupa hoje o lugar que no passado pertenceu ao Dobermann na preferência da mídia quando o assunto é rótulo de agressividade ligada à raça. No ano passado mesmo, quando um exemplar deste animal atacou um cinegrafista na cobertura de um protesto em Curitiba, o apresentador do programa em questão, num afã de sensacionalismo e sem embasamento científico algum, chegou ao ponto de afirmar que a raça “deu geneticamente errado”, ignorando dois fatos importantes: 1) o animal estava sob a tutela da Polícia Militar e o próprio cinegrafista afirmou que o cão cessou o ataque assim que foi ordenado e 2) um Pastor-Alemão também atacou um parlamentar pouquíssimos segundos antes (você pode ver o vídeo aqui).

Além disso, dizer que o Pit Bull geneticamente deu errado é ignorar totalmente o histórico da raça. Assim como o Mastim Napolitano, o Rotweiller e o American Stafforshire Terrier – as quatro raças consideradas potencialmente perigosas no Brasil –, ele carrega a carga genética ideal para o propósito para o qual foi “criado”, neste caso, o combate. E embora hoje esta forma de utilização seja proibida por lei, ele ainda traz consigo o fenótipo e temperamento ideais para um cão de caça e guarda. É exatamente este fato que muitas pessoas dão pouca ou nenhuma importância ao escolherem um animal para colocarem em suas residências. A ideia do cão como animal de estimação é relativamente nova. A própria domesticação de lobos em Canis familiaris deu-se com o intuito de caça e guarda. Apenas posteriormente surgiram variações para companhia, e desde então, cada raça é categorizada de acordo com o objetivo claro para o qual foi desenvolvida, já que este fará toda a diferença na maneira como o animal deverá ser criado.

O adestramento de cães é frequentemente visto pelas pessoas como um luxo, quando, na verdade, segundo Bruce Fogle, veterinário e pesquisador com mais de 35 anos de experiência em cães, é indispensável. Você não precisa adestrar o seu animal para fazer truques, se não quiser. Mas se pretende que ele viva em sua casa, é fundamental que ele aprenda algumas normas básicas de convivência. O desconhecimento por parte do cão da posição hierárquica que ocupa na “matilha”, bem como a falta de uma rotina básica e disciplinamento por parte dos tutores se manifestará de diferentes formas. Os cães de temperamento naturalmente amigável revelarão as deficiências de manejo numa mera convivência difícil com a família; já os de temperamento combativo poderão mostrar isso num ataque à pessoa errada. A culpa não é da raça, mas do tutor que não soube lidar com as peculiaridades dela.

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Os números comprovam isso. Uma pesquisa desenvolvida em Uberlândia mostrou que mais de 90% dos cães de família não passam por qualquer adestramento. Simplesmente são levados para casa e deixados à mercê de si mesmos. É desnecessário dizer que um cão que possua propensão a caçar e guardar e que não foi devidamente ensinado a usar corretamente suas habilidades, acabará utilizando-as mal, já que têm a tendência natural de caçar qualquer animal que se mova e de atacar qualquer ser que invada o território que ele acredita ser seu – no caso, o quintal ou espaço onde é confinado e preso. E estes são fatores preponderantes nos episódios de agressão. Uma outra pesquisa publicada na revista científica Journal of the American Veterinary Association mostrou que em 85,2% dos casos os animais não tinham qualquer relação com a vítima e em 76,2% os animais eram simplesmente mantidos presos no quintal, com relação próxima apenas com um dos membros da família ou mesmo sem qualquer relação, vendo pessoas apenas nos momentos de alimentação ou limpeza do local.

Logo, a primeira pergunta que se deve fazer ao adotar um cão é: qual o meu objetivo ao adotar um cachorro? Pesquise as características standard das raças antes de fazer uma escolha. Mas, se mesmo assim você optar por uma raça de caça e/ou guarda, a pergunta deve ser: eu estou preparado para manejar o temperamento naturalmente combativo deste animal para conviver em família? Os ataques de Dobermanns e Filas, por exemplo, diminuíram consideravelmente justamente porque, devido à [má] fama causada pela mídia, apenas treinadores competentes de cães de guarda passaram a optar por essas raças (note que pessoas nas ruas passeando com estes animais tem se tornado uma cena cada vez mais rara). Em Portugal, por exemplo, existe uma legislação rígida AO EXTREMO no sentido de controlar a adoção desses animais como cães de companhia. É preciso ter em mente que um trabalho diferenciado precisará ser feito com este animal, já que ele não foi desenvolvido para este fim, embora não seja, de maneira nenhuma, incapaz de desempenhá-lo (estão aí os tutores de Pitbulls, Rotweillers e afins extremamente dóceis que não nos deixam mentir).

E o mais importante: se alguém não tem condições ou tempo de dar a qualquer cão a educação que ele necessita, não é que esta ou aquela raça não serve para um tutor. Este tutor é que não serve para qualquer raça. Seja no sempre alerta Pit Bull ou no amigável Labrador Retriever, a carga genética de qualquer cão pressupõe hierarquia e disciplina. Ou seja, são requisitos OBRIGATÓRIOS para a felicidade do animal. A semelhança entre um cão apenas mal-educado e um cão agressivo está justamente no fato de que ambos são infelizes, pois em nenhum dos dois casos está sendo dado ao animal o que ele precisa. Mesmo nas matilhas selvagens, cada membro sabe exatamente o seu papel, e você como tutor precisa saber o seu. Afinal, assim como cães não podem gerar gatos, um tutor não-adestrado criará apenas animais à sua própria imagem e semelhança.

Fontes: racoesviana / guiaderacas / Legislação Portuguesa  para Tutores de ... / animaisderua
Artigos: Co-occurrence of potentially preventable / Ocorrência de Agressões por Cães
Imagens: Reprodução/ fofuxo / trendingpost

 

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Durante um ano, NASA manteve cientistas em uma redoma dentro de vulcão que simula a vida em Marte http://diariodebiologia.com/2016/09/durante-um-ano-nasa-colocou-cientistas-em-uma-redoma-dentro-de-vulcao-que-simula-a-vida-em-marte/ http://diariodebiologia.com/2016/09/durante-um-ano-nasa-colocou-cientistas-em-uma-redoma-dentro-de-vulcao-que-simula-a-vida-em-marte/#respond Wed, 14 Sep 2016 16:26:23 +0000 http://diariodebiologia.com/?p=37734

A NASA promoveu uma simulação de uma missão à Marte em que um grupo ficou um ano em uma redoma no Havaí, Estados Unidos. Seis pessoas completaram a missão que simulou como seria viver no Planeta vermelho. Eles viveram em isolamento quase total, em um ambiente fechado, sem comida fresca e sem contato com o mundo exterior.

Durante a simulação, os integrantes da missão tiveram que sobreviver com poucos recursos, utilizar vestes de astronauta e trabalhar para evitar conflitos pessoais. Entre os alimentos disponíveis estavam queijo ralado e atum enlatado. Após o fim da missão, os participantes se disseram otimistas e felizes.

O francês Cyprien Verseux, integrante do grupo declarou que a impressão pessoal dele é de que uma missão para Marte no futuro próximo é realista. Verseux ainda disse que os obstáculos tecnológicos e psicológicos podem ser superados. Para a comandante da missão, um fato que incomodou bastante foi a falta de privacidade por um ano.

Essa missão-teste foi importante para a futura escolha dos tripulantes da equipe que irá a Marte no futuro, para estudar como as pessoas se comportam em determinadas situações fora da Terra, como colonizações e longas viagens espaciais.

Imagem mostrando como era dentro da redoma!
Imagem mostrando como era dentro da redoma!
Os cientistas saindo da redoma um ano depois do experimento!
Os cientistas saindo da redoma um ano depois do experimento!
Fonte: BBC
Imagens: Reprodução/  BBC
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Nasceram os primeiros cães gêmeos monozigóticos de que se tem registro no mundo! http://diariodebiologia.com/2016/09/nasceram-os-primeiros-caes-gemeos-monozigoticos-de-que-se-tem-registro-no-mundo/ http://diariodebiologia.com/2016/09/nasceram-os-primeiros-caes-gemeos-monozigoticos-de-que-se-tem-registro-no-mundo/#respond Mon, 05 Sep 2016 11:16:44 +0000 http://diariodebiologia.com/?p=37688

O veterinário   Kurt de Cramer, do Rant en Dal Animal Hospital, da África do Sul, ficou bastante surpreso ao fazer o parto de uma cadela da raça lébrel irlandês.  Pela primeira vez de que se tem registro, uma cadela deu à luz aos primeiros filhotes gêmeos idênticos.

Literatura prévia já registra o nascimento de cavalos e porcos univitelinos, ou seja, gêmeos provenientes da fecundação de um único óvulo. Mas o fenômeno  parece ser extremamente raro na maioria das espécies, exceto seres humanos e tatus. No caso dos filhotes de cães, é um acontecimento nunca registrado antes e, portanto, para a comunidade científica, trata-se do primeiro caso no mundo. O que é sensacional!

Quando percebi que os filhotes eram do mesmo sexo e tinham marcas muito semelhantes, eu imediatamente suspeitei que poderiam ser gêmeos idênticos originados da divisão de um embrião” disse Cramer orgulhoso. No entanto, examinando com mais afinco percebeu que os animais tinham marcas um pouco diferentes em suas patas, ponta da cauda e peito. Então, com duas semanas de idade Cramer colheu amostras de sangue e enviou  para os cientistas reprodutivos Carolynne Joonè, da Universidade James Cook (Austrália), e Johan Nöthling, da Universidade de Pretória (África do Sul), que confirmaram as suspeitas: os perfis de DNA dos cães eram idênticos em todos os 40 marcadores genéticos.

Este é o primeiro relato de gêmeos monozigóticos em cães confirmado usando perfis de DNA.

Este é o primeiro relato de gêmeos monozigóticos em cães confirmado usando perfis de DNA.
Este é o primeiro relato de gêmeos monozigóticos em cães confirmado usando perfis de DNA.
Fonte: hypescience / sciencealert
Imagens: Reprodução/ sciencealert
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