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Com seus trajes inspirados em hábitos de freiras, as enfermeiras do século 19 causaram grande “ciúmes” nos médicos da época

Como todos sabemos, a medicina do século XIX girava em, torno de tratamentos duvidosos com medicamentos botânicos (alguns preparados com mercúrio, arsênico, ferro e fósforo), de ‘conhecimento popular’ (como as famosas sangrias). Como a dissecção do corpo humano era proibida em vários lugares do mundo, o conhecimento de anatomia era bastante precário.

Ser médico nesta época era glamoroso, que eram incentivados com numerosos prêmios para cada conquista da área. A formação médica se tornava cada vez mais formalizada e o número de médicos aumentou consideravelmente. No entanto, era um espaço unicamente masculino.


As mulheres da área de saúde eram enfermeiras. A enfermagem neste século era uma das poucas ocupações de que uma moça de classe média poderia apreciar. Para ser enfermeira, era preciso ter uma boa base moral e um caráter virtuoso. Eram selecionadas aquelas moças que demonstravam respeito pelas classes superiores, pontualidade, ordem, limpeza, diligência, eficiência e… que fossem bondosas.

Os uniformes usados foram adaptados a partir de hábitos de freiras, já que tradicionalmente freiras ajudavam os doentes. Então, eles eram simples e consistiam em um vestido de simples com um colarinho e punhos brancos, um avental branco e um chapéu branco.

As mais habilidosas logo passaram a desenvolver maiores conhecimentos clínicos e muitas, passaram a ser procuradas ao invés dos médicos, sobretudo por mulheres. Desta forma, começou aparecer uma grande preocupação de que as enfermeiras poderiam ter mais conhecimento do que os médicos. Enciumados, muitos pediram um esclarecimento da classe médica, junto à população. Então em 1880, ficou considerado que a enfermagem não era um ofício. E a seguinte nota foi divulgada: “As únicas qualificações exigidas para cuidar dos doentes são a bondade, a gentileza, a tranquilidade, a paciência, a força física, a mão leve e habilidosa, e o tipo de inteligência que torna fácil tomar decisões rapidamente (…) quanto ao resto, a enfermeira deve ser o servo do médico, e executar suas instruções.

Logo, a enfermagem se tornou vinculado a classe social: não era bem visto que damas da sociedade tivessem trabalho remunerado, e mulheres da classe trabalhadora não tinham educação formal o suficiente para frequentar a escola. Assim, as enfermeiras vinham de duas classes: as da ‘classe média’, geralmente filhas de profissionais navais ou militares; e uma outra classe, de damas, que recebiam treinamento e não eram remuneradas.

Mas, no finalzinho do século 19, foi criada a ANA – American Nurses Association, com o objetivo de registrar todas as licenças de enfermeiras, além de estabelecer um código ético, promover a imagem das enfermeiras e prover atenção e financiamento em seus interesses. Hoje, a profissão é estabelecida e respeitada como tal.

eravitoriana

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