Estudos e pesquisas

Movimentos antivacina: formadores de opinião estão convencendo pessoas leigas a não vacinarem seus filhos, usando informações falsas!

Enquanto a boa divulgação científica se arrasta para ter algum alcance, boatarias envolvendo ciência multiplicam-se feito pragas, espalhando confusão por onde passam. E nesse cenário em que os formadores de opinião são mais necessários para esclarecer as massas, alguns ainda usam a influência que têm apenas para fazer exatamente o oposto do que deles se espera.

É o caso do radialista espanhol Javier Cárdenas. Apesar de, provavelmente, você nunca tê-lo visto mais gordo, mais de UM MILHÃO de pessoas o ouviram propagar, AO VIVO, o mito que vacinas causariam autismo. Por mais absurda que possa parecer esta afirmação, ela é o principal pilar de centenas de movimentos antivacinas que preocupam autoridades no mundo inteiro. Diversas doenças que poderiam ter sido erradicadas seguem resistindo, e o pior: tudo isso baseado em INFORMAÇÕES FALSAS.


AFINAL, DE ONDE VEM ESSA HISTÓRIA?

Em 1998, foi publicado na revista The Lancet uma pesquisa do médico britânico Andrew Wakefield com 12 crianças, a qual apontava a vacina tríplice-viral como causa direta do autismo. Mas não adianta tentar clicar em “pesquisa”. Após diversas tentativas, sem sucesso, de replicação, ficou comprovado que o médico havia manipulado o estudo para obter aqueles resultados. Não somente todos os seus arquivos foram apagados da revista, como ele teve sua licença-médica cassada pelo Conselho Britânico de Medicina.

Dezessete anos mais tarde, um outro estudo com 95.000 crianças (agora sim, pode clicar) foi publicado atestando que, mesmo em situações de risco – crianças com irmãos autistas – não se pode estabelecer qualquer relação entre vacinas e o transtorno. Só que, a esta altura, o estrago já estava feito. As taxas de vacinação no Reino Unido estacionaram e os surtos de sarampo, já controlados, voltaram a ser um problema entre a população.

RADICAIS LIVRES E EPIDEMIA DE AUTISMO NOS ESTADOS UNIDOS

Não são apenas esses dados que Cárdenas e os movimentos antivacinas parecem desconhecer. Ainda em seu programa, ele teria citado mais dois argumentos, igualmente FALSOS: o de que as vacinas conteriam radicais livres não-absorvíveis pelo organismo infantil, e que o próprio Barack Obama teria se preocupado com a epidemia de autismo nos Estados Unidos, a qual, segundo Cárdenas, teria aumentado em 80%.

De fato, algumas vacinas contém um composto à base de mercúrio em sua composição. Entretanto, segundo informações da própria OMS, além deste representar apenas 0,1% de todo o mercúrio ao qual estamos expostos, por medida de precaução ele já teria sido retirado de muitas vacinas.

Quanto à taxa de autismo nos EUA, o próprio Centro de Prevenção e Controle de Doenças do país admite o crescimento. De TRINTA POR CENTO, o que eles atribuem mais aos avanços das técnicas de diagnóstico do que a um crescimento real do transtorno entre a população. No final de tudo, a única verdade no discurso de Cárdenas é a apreensão do ex-presidente norte-americano sobre este assunto. Ele apenas não contou que a orientação de Obama, na ocasião, foi justamente para que os pais NÃO deixassem de vacinar suas crianças.

Fontes:  elpais / jamanetwork

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