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Ao contrário do que as pessoas pensavam, beber não ajuda a esquecer os problemas amorosos, financeiros e traumáticos, diz estudo.

Ao contrário do que as pessoas pensavam, beber não ajuda a esquecer os problemas amorosos, financeiros e traumáticos, diz estudo.
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Quem acredita no famoso ditado “beber para esquecer” pode ficar decepcionado com os resultados de um estudo publicado na revista “Translational Psychiatry”. Segundo pesquisadores da Universidade Johns Hopkins (EUA), revela que as más recordações, aquelas que normalmente se procuram esquecer, parecem fixar-se melhor na memória após o consumo de quantidades significativas de álcool. A mesma conclusão chegou um grupo de pesquisadores da Universidade de Tóquio que revelam em um artigo científico que o etanol dá mais força às lembranças no cérebro.

Segundo os estudos, o álcool fixa a sensação de medo. O experimento da Universidade Johns Hopkins separou ratos em dois grupos. Um bebeu apenas água e outro uma mistura de água com álcool. Depois, ambos ouviram um som e sofreram uma descarga elétrica. No dia seguinte, os cientistas tocaram o mesmo som, mas desta vez, sem o choque. Os ratinhos que tinham se embriagado no dia anterior se mostraram mais assustados e paralisados do que os outros, ou seja, de acordo com os especialistas, eles se lembraram com mais facilidade do choque sofrido na noite anterior.


Os pesquisadores reforçaram que se aplicarmos esse estudo a seres humanos, as memórias que eles estão tentando eliminar vai continuar mais fortes, mesmo se beberem álcool para tentar esquecer um evento do qual não gostaram e ficar de bom humor por alguns instantes. No dia seguinte, não vão se lembrar do efeito alegre da bebida. Em termos científicos, os especialistas disseram que durante os experimentos, o álcool se mostrou capaz de prolongar a sensação de medo no tecido cerebral. Isso quer dizer que ele deixa o medo sempre na memória. Para o cérebro eliminar essa sensação, ele precisa utilizar os receptores do neurotransmissor glutamato, porém o álcool atrapalha esses receptores e interfere na comunicação neuronal. Em outras palavras, o álcool bloqueia o glutamato que seria capaz de fazer a gente esquecer as más lembranças.

No entanto, o neurologista Lopes Lima mostrou-se surpreendido com os resultados da pesquisa. “O que está provado cientificamente é que a memória tem a ver com o aumento das sinapses – ligações dos neurônios uns com os outros – e que fica prejudicada quando a pessoa toma benzodiazepinas. Estas diminuem a intensidade das ligações. E o álcool tem um mecanismo de ação parecido. As bebidas alcoólicas relaxam e, ao acalmar, a pessoa deixa de se importar tanto com as notícias más“.

Por via das dúvidas, para esquecer os problemas, segundo os terapeutas, é melhor sobrepor uma memória positiva à memória negativa e deixar o álcool de lado.

Fontes: Ciencia / estilo.uol / sossolteiros / dn.pt
Artigo: N J Haughey et. al
Imagens: Reprodução/ enki-village / blogdjainidesouza

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