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Por que o ‘Aedes Aegypti’ pode transmitir tantas doenças?

“Todo ano a mesma coisa: orientações de alerta para acabar o com o ’Aedes Aegypti’. Existe alguma explicação científica em porque esse mosquito transmite tantas doenças? ” (Simone Silvério)

Sinome, a Agência Europeia para Prevenção e Controle de Doenças considera o Aedes aegypti – nome que significa “odioso do Egito” – uma das espécies de mosquito mais espalhadas pelo planeta. Nos outros países, ele é chamado de mosquito da febre amarela. No Brasil, é conhecido como mosquito da dengue, e agora também da zika e da chikungunya.


A partir de meados dos anos 1990, com a classificação da dengue como doença endêmica, passou a estar anualmente em evidência. Agora, um novo sinal de alerta vem da epidemia de zika, uma doença com sintomas semelhantes aos da dengue. O Aedes aegypti também esteve no centro de um surto de febre chikungunya ocorrido no Brasil. Este mosquito ainda está ligado ainda a males mais raros, do grupo flavivírus. Segundo os infectologistas, entre os agentes de contaminação, esse mosquito é o que tem a capacidade de transmitir a maior variedade de doenças.

Um dos fatores que contribuem para tornar o Aedes aegypti um agente tão eficiente para a transmissão desses vírus é a sua capacidade de se adaptar e sua proximidade do homem. Esta espécie veio da África em navios ainda na época da colonização e com o passar do tempo encontrou no ambiente urbano um espaço ideal para sua proliferação. Diferente de outros mosquitos, ele prefere água limpa para colocar seus ovos, e qualquer objeto ou local serve de criadouro. Mesmo numa casca de laranja ou numa tampinha de garrafa, se houver um mínimo de água parada, seus ovos se desenvolvem.

Água limpa, mas suja também serve

No entanto, o Aedes aegypti não é muito exigente. Ele também consegue se reproduzir com sucesso em água contaminada com matérias orgânica, segundo mostraram alguns estudos científicos. E outra grande estratégia de proliferação é sem dúvida o fato de os ovos também podem permanecer inertes em locais secos por até um ano, e, ao entrar em contato com a água, desenvolvem-se rapidamente – num período de sete dias, em média. Essas são “vantagens” que os outros mosquitos não possuem!

Resistente e adaptável, Aedes aegypti é uma das espécies de mosquito mais difundidas no mundo.

100 ovos em diferentes pontos do ambiente

A postura da fêmea também faz a diferença na reprodução do A. aegypti. A fêmea pode colocar em média cem ovos de cada vez, mas não faz isso em um único local, ela os distribui por diferentes pontos. Se os ovos de um local forem destruídos os outros tem muitas chances de se desenvolverem.

Hábitos diurnos, mas podem ser noturnos

A seus hábitos de alimentação são bastante flexíveis. Este mosquito é, comumente, diurno: prefere sair em busca de sangue pela manhã ou no fim da tarde, evitando os momentos mais quentes do dia. No entanto, se não conseguir sugar sangue suficiente, fará isso durante a noite. Isso não ocorre com o pernilongo, por exemplo, que é noturno e só aparece a noite.

Ele não desiste

Os especialistas dizem que o A. aegypti é extremamente arisco. Quando vai picar, se a pessoa se mexe, ele tenta escapar e vai picar outra pessoa. Se estiver infectado com algum vírus, vai transmiti-lo para várias pessoas em uma só saída para se alimentar.

Simbiose

Todo ser vivo busca uma forma de se proliferar, e com os vírus não é diferente. Nestes casos, eles podem ser transmitidos por outros vetores, mas que não são tão efetivos. Os vírus têm no A. aegypti e na forma como este mosquito evoluiu uma relação de simbiose muito boa.

No caso da dengue, por exemplo, após o A. aegypti picar alguém que esteja infectado, o vírus leva cerca de dez dias para estar presente em sua saliva. São poucos os mosquitos que vivem mais de dez dias. Mas, quanto menos energia o A. aegypti precisa gastar para se alimentar e colocar ovos, mais tempo ele vive.

Difícil de exterminar

Segundo o Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos, o Aedes aegypti é “muito resistente”, o que faz com que sua população volte ao seu estado original rapidamente após intervenções naturais ou humanas. Só no Brasil, ele chegou a ser erradicado duas vezes no século passado mas voltou com toda força trazendo outra diversidade de doenças.

Fonte: bbc /
Imagens: Reprodução/ entnemdept / bichomaps

 

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