Na década de 1930 dois vírus mortais foram introduzidos para dizimar 10 bilhões de coelhos na Austrália

Caso você pergunte para alguma pessoa qual o primeiro pensamento dela ao ouvir a palavra coelho, talvez a reposta seja relacionada a alguma coisa boa. Ela provavelmente irá pensar em uma criatura fofa, pequenininha, peludinha e em ovos de chocolate. Porém a resposta será diferente caso você pergunte para um australiano.

Os coelhos são cosmopolitas, ou seja, vivem em todas as regiões do planeta, exceto nos polos. São exclusivamente herbívoros. Constroem tocas em meio ao arbusto e ao capim alto, para servir de esconderijo. Podem causar um grande prejuízo à lavoura, porque se alimentam dos brotos, não deixando chegar ao tamanho para a colheita. Mas qual a ligação entre a Austrália e os coelhos?


A Austrália é chamada de ilha-continente devida sua grande extensão. Por ser isolada, tem uma fauna e flora bem específica e qualquer alteração feita pelo homem, como introduzir uma espécie exótica no local, pode causar resultados catastróficos.

Foi o que aconteceu em 1859, quando Thomas Austin um latifundiário de Winchelsea, estado de Victoria, a fim de fornecer material para caçadas em sua vasta propriedade, importou 24 coelhos europeus selvagens (Oryctolagus cuniculus) e os introduziu no ambiente. A questão é que ele não conhecia muito bem sobre a reprodução dos coelhos e nem sobre a fauna do local, não sabendo da inexistência de predadores naturais para equilibrar sua população.  A gestação do coelho dura cerca de 30 dias e em média nascem de 4 a 5 filhotes, porém a variação é de 2 a 9 filhotes. Uma coelha pode ter de 3 a 6 ninhadas por ano, sendo que a maturidade sexual dos coelhos é atingida com 3 a 4 meses. São números bem expressivos, o que resultou em uma multiplicação acentuada, já que os coelhos encontraram um ambiente ideal para a reprodução e sem predadores naturais. Em 1930 a população de coelhos na Austrália chegou a números impressionantes, a estimativa era que 10 bilhões de coelhos habitavam as terras dos cangurus, sendo que cada fêmea por ano dava a luz em média de 18 a 30 filhotes.

Caminhão carregado de coelhos mortos... Ano: 1930.

Caminhão carregado de coelhos mortos… Ano: 1930.

Com essa quantidade bizarra de coelhos, era lógico que eles não iram ficar apenas no estado de Victoria. Eles se espalharam cerca de 130 km do local de onde foram soltos, deixando um rastro de destruição e prejuízo de milhões de dólares por onde passavam.

Vírus mortais para acabar com a superpopulação

Medidas começaram a ser tomadas. Durante o século XIX a população começou a espalhar armadilhas e a caçar os coelhos. Entre 1901 e 1907 o governo implantou cercas para evitar a dispersão dos animais. Quando em 1950 o governo decidiu tomar uma medida mais extrema. O vírus da mixomatose foi introduzido na população o que ocasionou a morte de 90% dos coelhos. Porém com a seleção natural e os que não morreram com o vírus, começaram a se multiplicar rapidamente. Em 1995 uma segunda tentativa, com o calicivírus ou vírus hemorrágico foi feita. O vírus infectava apenas coelhos, não trazendo perigo para outros animais e o homem. O animal morria em apenas 40 horas após a infecção. O vírus era transmitido pela proximidade, contato com o animal doente e por meio de vetores. Com isso, novamente 90% da população foi dizimada.

Nos dias de hoje, apesar da população não ser tão grande como antes, cerca de 500 milhões de coelhos, a Austrália ainda sofre com eles, sendo um problema ainda sem solução. Correndo o risco de se tornar uma nova praga devastadora.

Superpopulação descontrolada de coelhos na Austrália na década de 1930.

Superpopulação descontrolada de coelhos na Austrália na década de 1930.

Fontes: megacurioso/ projectopragas/ folha/ acbc/
 iberlinx
Imagens: Reprodução/ emaze/ nma
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