Comportamento

#everybodyisready: Metrô de Londres proíbe cartazes de mulheres com corpo sarado, indicando que aquele é o corpo pronto para ir à praia



Poucos são os setores da vida onde as demandas biológicas não se chocam com os interesses comerciais e os valores discretamente impostos pela mídia. Exemplo disso se dá quando o assunto é beleza. Apesar de este ser um conceito relativo para cada um de nós, as agências de modelos parecem dispor de um padrão bem absoluto para o que é ou não é bonito de se ver nas fotografias estampadas em campanhas publicitárias. E enquanto esta “ditadura da beleza” permaneceu desta forma – sutil, como era de praxe -, ela foi até tolerada. Até o dia em que ela decidiu falar abertamente.

A foto de uma modelo magérrima acompanhada de uma frase – “seu corpo de praia está pronto?” – foi suficiente para que centenas de londrinos saíssem às ruas e ocupassem o Hyde Park numa manifestação que angariou mais de 70 mil assinaturas contra a autora do anúncio, a empresa de suplementos alimentares “Protein World”. E para quem pensa que esta história de protesto e abaixo-assinado “não dá em nada”, talvez seja a hora de rever seus conceitos. Movida pela voz popular, a prefeitura de Londres decidiu banir do transporte público da cidade todo e qualquer anúncio que possa constranger seus cidadãos a respeito de seus corpos.


Embora haja quem ache a medida demasiadamente radical, não há como negar o caráter irreal dos biotipos exibidos nessas campanhas. A ex-modelo Victoire Maçon Dauxerre, “descoberta” aos 18 anos e que abandonou a carreira para cuidar da saúde, revelou em entrevista que para ser aceita em alguns trabalhos, chegou a passar um dia inteiro com apenas três maçãs no estômago. “Eles me disseram: se você quiser ser uma modelo, precisa estar abaixo dos 90cm de quadril”, conta. Essa história, que infelizmente está bem longe de ser a única, apenas revela o quanto os padrões tidos como “esteticamente aceitáveis” pela mídia em geral pouca ou nenhuma importância dão às leis biológicas. E quando essas empresas tentam transpor essa lamentável realidade ao público em geral tão escancaradamente como visto no anúncio, não é de admirar a reação popular. Uma das manifestantes mesmo que foi até o Hyde Park, exibia num cartaz a seguinte inscrição: “Livre da anorexia por seis meses. Não vou passar fome pelo seu ‘corpo de praia’.

Mulheres passaram amostrar suas curvas e exigirem que também podem ir na praia apesar de não serem magrelas!

Mulheres passaram amostrar suas curvas e exigirem que também podem ir na praia apesar de não serem magrelas!

Assim, apesar da publicidade em transportes públicos render importantes libras anuais ao governo, sendo estas revertidas à manutenção do próprio sistema, o prefeito Sadiq Khan deixa claro em sua atitude que não vai sacrificar o bem-estar de sua população em prol dos lucros. Segundo ele, o anúncio de um ônibus ou metrô não é como de uma revista ou jornal, onde você pode simplesmente virar a página e ignorá-lo. Logo, se os passageiros terão de encarar os anúncios durante todo o trajeto que são obrigados a cumprir para chegarem as suas escolas ou empregos, as empresas terão apenas duas opções: ou os cidadãos londrinos são devidamente representados nas imagens, ou simplesmente não haverão anúncios nos transportes.

Enquanto isso, a hashtag #everybodyisready, criada pelo próprio movimento contra a Protein World, reúne cada dia mais seguidores que acreditam que para “ter um corpo de praia” não é preciso comer apenas três maçãs por dia ou encher-se de suplemento “até as tampas”. Basta ter um corpo. E ir à praia.

Comentários

Novidades

Topo