Anomalias e doenças

Déficit de Atenção: transtorno que atrapalha o aprendizado de 6% das crianças pode ser causado por sofrimento materno na gestação

“Gostaria de entender a respeito do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade – (TDAH) – O que é, suas causas, sintomas e tratamento! ” (Welder Brayner)

“Meu sobrinho foi diagnosticado com TDAH, procurei no Diário de Biologia e não achei nada. Podem falar sobre isso?” (Sônia Mendes)


Olá Welder e Sônia! Sabe aquela criança ou adolescente que não para quieto num lugar, que não tem paciência para nada, que é desatenta, que não se concentra e que vive sendo chamada atenção na escola, que apresenta irregularidade nas tarefas escolares e que não consegue focar numa determinada atividade? Pois bem, essa criança ou adolescente pode ter o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade ou simplesmente, TDAH.

O TDAH é bastante característico em crianças e adolescentes no mundo inteiro, estima-se, em amostras não referidas, que 3% a 6% das crianças em idade escolar apresentem o transtorno, onde mais da metade dos casos o transtorno acompanhe na vida adulta com sintomas mais leves. Existem várias causas estudadas em inúmeras pesquisas científicas no mundo inteiro que indicam o transtorno e todos concluem que os portadores de TDAH possuem alterações na região frontal orbital do cérebro, local responsável pela inibição de comportamento, pela capacidade de atenção, memória, autocontrole, organização e planejamento, ou seja, neste local haveria uma alteração no funcionamento de certas substâncias neurotransmissoras, como a dopamina e noradrenalina. Há evidências científicas que indicam que o TDAH possua genes específicos susceptíveis, como afirma os cientistas Rohde, Hutz e Roman na pesquisa “Susceptibility genes in attention/deficit hyperactivity disorder” publicada na Revista Brasileira de Psiquiatria em 2002.

É importante ressaltar que o TDAH é um transtorno de comportamento, multifatorial, que pode ter uma determinação genética ou sua influência, não necessariamente ter um gene específico da doença. Além da genética, causas como: substâncias ingeridas na gravidez, sofrimento fetal podem acarretar em sintomas bastante semelhantes com o TDAH, bem como problemas familiares que apesar de não ser a causa pode agravar um quadro clínico do transtorno.

Os principais sintomas que norteiam o TDAH são: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Todavia, uma série de sintomas pode acompanhar as crianças e adolescentes neste transtorno e que pode ser identificada através da escola, em casa e nas clínicas especializadas, como por exemplo: dificuldade em prestar atenção nos detalhes, errar por descuido nas atividades escolares ou no trabalho, dificuldade de atenção em atividades lúdicas, não seguir instruções, não finalizar tarefas escolares ou profissionais, evitar tarefas que exigem concentração ou esforço mental, ser facilmente distraído por estímulos alheios, agitação das mãos e pés, correr e escalar coisas com frequência, falar demais, responder perguntas antes de serem concluídas, dificuldade em esperar a sua vez, interromper ou se meter em assuntos de outros, são sintomas que fazem parte do quadro clínico característico do paciente com TDAH.

O diagnóstico do TDAH é fundamentalmente clínico, baseados em sistemas classificatórios que possuem critérios operacionais claros e bem definidos e apresentam um padrão de sintomas que facilitam o diagnóstico e o grau do transtorno. O tratamento para o TDAH envolve uma abordagem múltipla que envolve psicoterapias e medicamentos psicoativos. As psicoterapias podem ajudar intervindo na educação desta criança ou adolescente na escola e em casa, juntamente com a família, onde é trabalhado o emocional, educação de conduta, a psicopedagogia até um tratamento reeducativo psicomotor para ajudar o controle dos movimentos.

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A utilização de medicamentos no tratamento de TDAH é realizada dependendo de seus sintomas, de acordo com as últimas pesquisas realizadas na atualidade, os pesquisadores apresentam os estimulantes como a primeira opção no tratamento. No Brasil é utilizado o estimulante conhecido como Metilfenidato e cerca de 70% dos pacientes respondem bem com este tipo de tratamento. Há um consenso no uso de estimulantes com a associação de um inibidor seletivo da recaptação de serotonina, como a fluoxetina. Mais de 25 estudos apontam a eficácia de antidepressivos, como a Bupropiona.

Apesar de muitas controvérsias e paradoxos entre pessoas leigas no meio científico, o TDAH existe e é reconhecido como um transtorno pela Organização Mundial da Saúde que deve ser diagnosticado com especialista na área e com bastante cuidado e atenção, realizar uma investigação clínica com o paciente, buscando informações em casa e na escola para garantir o tratamento correto e eficaz. Portanto, é necessário ficar atento aos sintomas e buscar um especialista para garantir o sucesso na avaliação e conseguir uma vida melhor para esta criança e adolescente permitindo o crescimento saudável e tornando-se um adulto melhor.

 

Site: tdah.
org/
Artigos: Is Adult ADHD a Childhood / Transtorno de déficit/ Déficit de atenção/
Imagens: Reprodução/ vegetall/ isaudebahia

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