Comportamento

Você tem algum medo esquisito? Saiba como funcionam as fobias!

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“Quando eu era pequena, assisti a um filme de terror que tinha um palhaço. Morri de medo. Me deu uma crise e fiquei dias sem dormir. Quando minha mãe percebeu que não era frescura, me levou ao psicólogo” Jessica Scheridon, 25 anos.

Riddikulus” é uma palavra cabalística da série Harry Potter que tem como objetivo derrotar bichos-papões. Segundo a série, a criatura então que sempre aparece na forma daquilo que mais provoca medo na pessoa que a vê, é imediatamente transfigurada em algo engraçado, perdendo totalmente sua natureza assustadora, intimidando-se ao ouvir as risadas.


Embora pareça apenas fruto da imaginação fértil da escritora Joanne Ketlin Rowling, considerada a primeira pessoa a ficar bilionária apenas com a venda de livros, o princípio é real e amplamente utilizado no tratamento de fobias, aqueles medos irracionais, sem razão de ser alguma.  Muito comuns em crianças, podem durar até a vida adulta se não forem devidamente tratados. E quem tem alguma fobia ou conhece quem tenha sabe que explicações lógicas sobre o objeto do medo e as razões para que este não exista são totalmente inúteis. O que muitos não sabem é o porquê disso acontecer. Até agora.

Segundo a especialista em psicologia clínica Ana Gutiérrez, a razão para isto está na origem da fobia. Medos comuns ou adaptativos nascem da lógica, alojando-se no lado esquerdo do cérebro. Podemos experimentar o medo de altura, por exemplo, porque sabemos que há um risco real envolvido.  Elimine-se logicamente este risco, e o medo desaparece. As fobias, no entanto, são medos fundamentalmente emocionais. Em regra, nascem após alguma experiência traumática com o objeto em questão, e localizam-se no hemisfério direito do cérebro. A razão para as explicações não funcionarem neste caso está aí. Como os hemisférios não partilham os mesmos circuitos neurais, a informação não consegue chegar até a origem da fobia. Como um curto-circuito cerebral, a lógica se perde na emoção, e por mais que a pessoa saiba que não precisa ter medo de borboletas, continua sentindo calafrios ao vê-las.

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Assim, o tratamento para estes casos baseia-se especificamente em substituir a emoção dominante diante do objeto da fobia, plantando emoções positivas no lugar das negativas já existentes. É aí que entra em cena a literatura. Em crianças, isso pode ser tratado desde cedo através de histórias fictícias. E isso já vem sendo feito, ainda que não se perceba. Depois da série Harry Potter mesmo, ficou difícil – pra não dizer ultrapassado – usar “bruxas malvadas” como vilãs de historinhas infantis, como era amplamente feito na geração anterior. A figura do bruxinho órfão em contrafação ao maléfico Lorde Voldemort consolidou no imaginário infantil a ideia de que o título de “feiticeiro” por si só não constitui uma ameaça, mas sim o caráter do indivíduo.

O contrário também acontece. Depois de casos como o do psicopata John Gacy que se fantasiava de palhaço para matar suas vítimas, além de filmes como “O Palhaço Assassino” e  “It – A Coisa”, onde uma criatura assustadora assume a forma do palhaço Pennywise para atrair crianças, a figura do palhaço decididamente caiu em desuso mesmo em hospitais onde era amplamente empregado em alas infantis. Segundo estudos, os médicos perceberam que as ilustrações provocavam efeitos negativos nas crianças, ao invés de contribuir positivamente no estado de ânimo delas.

Fontes: Jornal A Tribuna, 22/05/2016, edição impressa, “Medos Comuns na Infância Podem Virar Fobias”
Sites: colegiowebtopmidianews
   Imagens: Reprodução/ megacurioso/clikaki/

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