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O choro é livre…e libertador: estudo mostra como as lágrimas mudam de acordo com as emoções

O que é visível fala do que não podemos ver. Esse é um dos primeiros princípios que aprendemos em Biologia: que é impossível compreender a vida a não ser a luz das entidades vivas pelas quais ela se manifesta. E quando se trata de nós, seres humanos, não importa se você é homem ou mulher, menino ou menina.  A não ser que algo fora do comum tenha acontecido, chorar foi a sua primeira manifestação de vida. Pelo menos, fora do útero.

Entretanto, se por um lado ao nascer fizeram de tudo para nos ouvir chorar, no decorrer da vida somos decididamente educados a refrear esse gesto. Isso porque se antes ele foi uma evidência de que tudo estava bem conosco, agora é exatamente o contrário. As lágrimas são o sinal da vida de que algo vai mal. E seja porque somos meninos, e “meninos não choram”, ou porque o choro é “sinal de fraqueza”, somos ensinados a refreá-lo com respostas automáticas, como quando nos cumprimentam e, quase sem pensar, respondemos que “ está tudo bem”. Até aquele momento crítico em que a vida simplesmente não faz caso dessas convenções.


Para nossa sorte. Alguém mais velho já deve ter dito que “chorar faz bem”. Mas provavelmente, mesmo em sua sabedoria, esse alguém não deve ter imaginado até onde esse “bem” poderia chegar. Afinal, quem iria supor que por trás de uma manifestação tão primária poderia estar mais um dos diversos meios que a vida encontra de manter-se?

lembrança

[A] Lágrimas de lembrança. [B] Lágrimas de lubrificar os olhos simplesmente. Foto: rose- lynnfisher

Muito provavelmente, não era nisso que Rose-Lynn Fisher estava pensando quando começou a sua “Topografia das Lágrimas”. Mesmo porque ela sequer era uma cientista. Formada em 1978 pela Otis Art Institute, em Los Angeles, ela foi treinada como pintora, mas desenvolveu um gosto peculiar por caçar formas geométricas na natureza com a ajuda de fotografias microscópicas, captadas por microscópios eletrônicos e de varredura. Seu trabalho chegaria num ponto interessante quando Joseph Stromberg, da Faculdade de Artes e Ciência de Smithsonian, lhe contou sobre os diferentes tipos de lágrimas.  Isso mesmo. Elas não são todas iguais.

[C] Lágrimas de angústia. [D] Lágrimas de cortar cebola. Foto: rose-lynnfisher

[C] Lágrimas de angústia. [D] Lágrimas de cortar cebola. Foto: rose- lynnfisher

Basicamente, as lágrimas são formadas por substâncias semelhantes, mas ocorre diferenciação de acordo com a ocasião. As lágrimas basais lubrificam os olhos todo o tempo. Esse mecanismo é ativado sempre que piscamos, e o objetivo é manter a visão límpida. Como essas lágrimas precisam ser resistentes à evaporação, possuem uma fina camada oleosa que as protegem. As lágrimas reflexas, por sua vez, têm a finalidade de proteger os olhos de substâncias irritantes, como poeira ou o gás à base de enxofre que é liberado quando você corta cebola, por exemplo. Para isso, além de serem mais aquosas, carregam também anticorpos que combatem possíveis agentes infecciosos que tentem invadir seu globo ocular. Mas o mais impressionante mesmo é o que acontece com as lágrimas emocionais.

[E] Lágrimas de dor. [F] Lágrimas de esperança. Foto: rose-lynnfisher

[E] Lágrimas de dor. [F] Lágrimas de esperança. Foto: rose-lynnfisher

As lágrimas liberadas em situações de estresse, tristeza, angústia e emoções semelhantes trazem consigo uma série de hormônios à base de proteínas, entre eles a endorfina encefalina, um neurotransmissor que atua como um analgésico natural. Isso explica a vontade que sentimos de chorar em situações difíceis, e no alívio que sentimos quando finalmente o fazemos. Com base nessas informações, Rose-Lynn decidiu fazer micrografias de lágrimas em 100 diferentes situações. E o resultado é SENSACIONAL. Olhe e veja por si mesmo que não é apenas na química que as lágrimas se diferenciam. O visível mostra o invisível. Mas, quando se trata das emoções humanas, às vezes, é preciso olhar um pouquinho mais de perto.

[G] Lágrimas de alegria. [H] Lágrimas de rir até chorar. Foto: rose-lynnfisher

[G] Lágrimas de alegria. [H] Lágrimas de rir até chorar. Foto: rose-lynnfisher

Fonte: livescience/ megacurioso/ Rose-Lynn_Fisher

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