Anomalias e doenças

Preste muita atenção nisso: a depressão na adolescência nunca deve ser negligenciada

Quando uma célula “percebe-se” prejudicial ao seu meio, ela pode autodestruir-se. Conhecido como “apoptose”, este mecanismo bem pode ser chamado de “suicídio celular” Da mesma forma, quando um ser humano se sente inadequado, deslocado ou até mesmo nocivo à sociedade em que vive, ele pode, como último recurso, apelar para o suicídio. E sendo a adolescência o período em que estes sentimentos aparecem com mais força e frequência, ela pode se tornar um terreno propício para esse trágico evento.

Em The Walking Dead, Phillip Blake, o Governador, descreve os adolescentes como uma “invenção do século XXI”. De fato, durante muito tempo a sociedade esteve dividida em crianças e adultos, apenas. A transição era marcada pela maturação sexual. Mesmo hoje ainda é assim em algumas culturas. Pouca ou nenhuma atenção se dá ao fato de que, neste caso, a mente não acompanha o corpo, demorando um pouco mais para adaptar-se a nova realidade. E esta é, sem dúvida, a parte mais difícil e dolorosa desse processo. É aí que está o perigo. Ignorar este fato e tratar estes indivíduos em formação como “mini adultos” ou meramente como “aborrecentes” pode levar a uma minimização errônea de sinais evidentes do que pode ser, na verdade, um grave processo depressivo em andamento.

Diário da adolescente que se suicidou em clínica psiquiátrica

Sara Green é um exemplo lamentável disso. Desde o começo de sua triste luta com os distúrbios mentais, aos 11 anos de idade, até sua morte aos 17, o que podemos ver é uma trágica sucessão de eventos que talvez pudesse ter sido evitada. Tudo foi compulsivamente registrado em seu diário. O agravamento da depressão após sua experiência com o bullying. A evolução para o TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo). A busca por alívio na automutilação. As duas overdoses de antidepressivos. E por fim, as menções constantes ao desejo de desistir da vida, contrariando o mito de que suicidas não costumam avisar sobre suas intenções.

Diário de Sara revela que ela era obcecada por suicídio.

Diário de Sara revela que ela era obcecada por suicídio.

Penso muito mais em suicídio [agora] do que quando cheguei a este lugar, disse ela, mencionando a clínica psiquiátrica para adultos onde estava internada. Nesse momento, estes pensamentos estão cada vez piores. E infelizmente, tornaram-se fatos. Em um mês, Sara tentou enforcar-se oito vezes. Por fim, em março de 2014, seu corpo foi encontrado, já sem vida, ao lado de sua cama. Em seu colo, um arame de caderno espiral.

Durante o inquérito sobre sua morte, a clínica que a hospedava foi duramente criticada justamente por não levar em conta as necessidades típicas de alguém da idade de Sara durante o tratamento. Segundo o documento, a distância de casa e o fato de estar numa clínica para adultos contribuíram significativamente para o desfecho, o que se confirma nos registros de Sara: Quero ir para casa (…) Não poder vê-las [a mãe e a irmã] tem me feito sentir muito pior”. A clínica reconheceu o erro na abordagem e comprometeu-se a reavaliar seus métodos, até porque este está longe de ser um caso isolado. Nos últimos seis anos, pelo menos nove jovens morreram em clínicas psiquiátricas.

Fonte: bbc  Imagens: Reprodução/bbc
Comentários

Novidades

Topo