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Jovem revela: “Aos dezesseis anos, descobri que não tenho vagina”

Jovem revela: “Aos dezesseis anos, descobri que não tenho vagina”
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“Quando contei ao meu noivo sobre a minha condição, ele terminou comigo.”

Joanna Giannouli hoje tem 27 anos e nunca vai precisar se preocupar com absorventes na vida. Tampouco precisará lidar com cólicas, TPM e todos esses inconvenientes do universo feminino. Parece ótimo, não? Pois é. Parece. Mas considerando os outros itens que vieram juntos no pacote, você perceberá que muito provavelmente Joanna, de bom grado, dispensaria todas essas “vantagens”.


Aos 14 anos, Joanna vivia em Atenas e foi levada pelos pais ao médico justamente porque a despeito de todo o seu corpo se desenvolver normalmente, a menarca (primeira menstruação que marca a maturação sexual em meninas) nunca chegava. Levaria dois anos para que Joanna descobrisse que essa menstruação nunca viria. E o motivo para este atraso se tornaria o pesadelo de Joanna nos anos seguintes. Ela ainda não sabia, mas fazia parte daquele minúsculo grupo de mulheres que não menstrua simplesmente porque não tem vagina. Pelo menos, não uma vagina funcional.

A Síndrome de Rokitansky acomete uma em cada 5 mil mulheres no mundo inteiro. A mulher nesta rara condição apresenta, exteriormente, todas as características “normais” de uma mulher comum. O problema é que além da menstruação não vir, ela sente dores fortíssimas à menor tentativa de relação sexual. O motivo para isso é um canal vaginal ausente, ou muito pequeno. O mesmo se dá com o útero e colo de útero, o que torna impossível uma gravidez. Nestes casos, a única solução para que a mulher possa ter uma vida sexual minimamente normal é a cirurgia. Mas engana-se quem pensa que essa história acaba no pós-operatório. O exemplo de Joanna nos mostra claramente que a ignorância humana, infelizmente, ainda é imune a qualquer correção cirúrgica.

Ultrassonografia feita do ventre de Joanna, em 2013.

Ultrassonografia feita do ventre de Joanna, em 2013.

Após duas semanas no hospital e mais três meses de recuperação em casa, Joanna ainda sentia dores. A vagina construída pelos médicos ainda era pequena e estreita demais. Foram mais alguns meses fazendo exercícios constantes para aprofundar o canal vaginal.  Mas quando esse período acabou e ela pensou que finalmente levaria uma vida normal, percebeu que havia atravessado apenas uma etapa. E que convencer o resto do mundo que ela não era nenhuma “aberração” ou digna de pena, seria muito mais difícil do que foi a correção de sua particularidade física. “Minha condição é estigmatizada. Estava ‘OK’ fisicamente, mas não emocionalmente. É um fardo de que você não pode se livrar. Tive namorados que abusaram de mim emocionalmente. Por muitos anos não pude ter um relacionamento estável. Sentia raiva, culpa e vergonha. Lutei contra depressão, ansiedade e ataques de pânico.”

Durante muito tempo, Joanna ainda teve de lidar com os olhares de pena de parentes e conhecidos, o que denuncia a falta de conhecimento popular sobre a síndrome. “Não estou morrendo. Não estou em perigo. Às vezes, me sentia vivendo na Idade Média.

Hoje, mais de dez anos após a descoberta e uma longa e difícil trajetória, Joanna vive bem com seu namorado e seus planos para o futuro, inclusive de ser mãe. “Adoraria ser mãe, biológica ou adotiva. Mãe não é quem dá a luz, mas quem cria”. Usando sua própria experiência, ela agora dedica parte de seu tempo a ajudar outras mulheres que, assim como ela no passado, tem vergonha de falar sobre sua condição.  “Não encontrei grupos de apoio na Grécia ou qualquer pessoa com quem pudesse conversar. É muito libertador poder falar sobre essas coisas.  Muitas mulheres cometem suicídio por causa disso. Quero ajudar todas as mulheres que sofram da síndrome, porque fui ao inferno e voltei.”

Fonte: bbc   Imagens: Reprodução/bbc/

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