Animais

Cidade espanhola revoluciona tradição ao substituir touros furiosos por bolas gigantes de isopor





Se existe um aspecto que pesa contra qualquer mudança, este certamente é o fator cultural. O conjunto das manifestações humanas em um determinado território muitas vezes, acaba por tornar-se parte da própria identidade do povo que nele vive. Mas, felizmente, não de forma indissociável. Prova disto deu-se na cidade de Mataelpino, na Espanha.

Embora nem sempre tenham ocorrido da mesma forma, os espetáculos envolvendo pessoas e touros são milenares. Segundo o antropólogo holandês Marco Legemaate, a raiz desse tipo de evento está na conotação religiosa que o animal exercia no imaginário dos povos mediterrâneos antigos. Visto como símbolo de fertilidade, o sacrifício de um touro por parte do noivo era tido como item obrigatório para que um casamento fosse bem-sucedido. Posteriormente, esses limites se estenderam a diversas festividades, e desta vez, o touro não somente era sacrificado apenas, mas antes perseguido e acuado por multidões. E apesar das ideologias religiosas terem ficado no passado para muitos, as famosas corridas com touros nas ruas ainda são a sensação em muitos lugares da Espanha e mesmo em algumas partes do Brasil.


Durante muito tempo, este tipo de celebração aparentou ocupar um lugar obrigatório nestas culturas. Para a infelicidade dos ativistas do direito animal, já que qualquer um sabe que o destino destes touros não é nada invejável. Imagine-se solto, no centro das atenções de uma multidão ensandecida e por aí você pode avaliar um pouco do estresse sofrido por estes animais. Mas esta é apenas uma parte da história, o “durante” da festa. O “depois” disso dá-se com a morte do animal, não sem antes ter sido brutalmente ferido. Mesmo os participantes humanos desse tipo de evento não raro saem com sérias lesões, mas nada disso tem sido suficiente para que estas corridas deixem de atrair multidões para as ruas hispânicas.

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A despeito do caráter desumano que isso possa ter para alguns, o fato de que a extinção das corridas pudesse representar uma perda cultural significativa representou, durante muito tempo, um verdadeiro dilema na mente de alguns. Felizmente, não mais. A cidade de Mataelpino provou que é possível sim, harmonizar identidades culturais com o respeito à vida, ao substituir os animais vivos por matéria inanimada. Mais especificamente, por bolas enormes de poliestireno, o conhecido isopor, que rolaram soltas pelas ladeiras da cidade, fazendo a festa das mesmas pessoas que antes corriam de animais furiosos.

Mais uma vez, essa importante mudança só foi possível graças aos esforços de pessoas conscientes que, apesar da força da tradição, ousaram não permanecer caladas diante dos abusos que eram impingidos a uma espécie para a mera diversão de outra. Era a tradição, mas uma tradição agonizante.  As pessoas não querem mais ver animais assustados correndo por suas vidas. Muitos animais eram feridos ou traumatizados, e isso não é justo, disse um dos moradores ao jornal Metro UK.

E contrariando os receios de muitos, parece que a mudança não somente agradou, como ainda obteve um êxito a mais para a economia local. Pessoas que antes não tomavam parte nesses eventos, dessa vez, compareceram em peso. Mesmo crianças que antes eram impedidas, por motivos óbvios, tomaram lugar juntos com os adultos nessa nova modalidade, onde todo mundo se diverte, e ninguém se machuca. Ninguém mesmo.

Fontes: hypenesssuper.abril.
 Imagens: Reprodução/latino.foxnews/ allabout
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