Animais

Amantes de bichinhos fofinhos, japoneses pagam caro para passar uma hora com gatinhos nos chamados “cat cafés”

Pense em algum desenho animado de sua infância que tinha como personagem um ou mais bichinhos fofinhos. Pensou? Agora, nem precisa dizer quais foram. Com certeza, a maioria ou pelo menos um era uma animação japonesa, ou anime, como são conhecidos os desenhos desse gênero.  E não precisa ser vidente para saber disso, e nem se trata de uma coincidência. A presença maciça desse gênero nos mangás e animes é apenas um vestígio de um fator cultural fortíssimo no Japão que movimenta bilhões de ienes todos os anos:  o kawaii.

Não há um significado exato para essa palavra, mas tem a ver com “cute”, ou “fofinho”, e os amantes da cultura japonesa afirmam que a razão disso deve-se a uma certa tentativa de resistência dos jovens japoneses à pressão da transformação em adulto, que impõe sobre eles uma série de PESADAS responsabilidades (para quem não sabe, o índice de jovens suicidas japoneses é altíssimo). Os bichinhos fofinhos não só remetem à infância, mas também fazem alusão à necessidade de carinho e proteção. E o resultado disso vê-se facilmente andando um minuto por qualquer rua japonesa: o rostinho meigo da Pucca, as bochechas vermelhas do Pikachu ou o nariz amarelo da Hello Kitty podem estar em qualquer lugar, desde um letreiro luminoso, até nas estampas de um ônibus ou avião.


Por aqui, esta onda de olhinhos brilhantes já faz sucesso há algum tempo, bem antes do Pokémon aparecer no Game Boy ou na tela da TV. Nomes como Doraemon ou Totoro são apenas dois dos que podem passar despercebidos para a maioria, mas que são bem conhecidos dos otakus, os amantes da cultura japonesa aqui no Brasil. E muito antes do celular se tornar a pedrinha no sapato dos professores para manter a atenção dos alunos, um outro artigo eletrônico já os deixava loucos no finalzinho dos anos 90: o “tamagotchi” fez um sucesso estrondoso em nosso país por oferecer uma alternativa virtual para o bichinho de estimação, que podia variar desde um cãozinho até mesmo um dinossauro.

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Mas agora, parece que um substituto virtual não está mais satisfazendo a necessidade de dar e receber afeto dos nossos amigos de olhinhos puxados. E para conciliar isso com a dificuldade em ter um bichinho em casa, uma nova onda invadiu as ruas japonesas: os cat cafés.  Não, não se trata de uma lanchonete onde você pode levar o seu gatinho, mas sim de um estabelecimento onde eles são a ATRAÇÃO PRINCIPAL. Por um valor aproximado de 1000 ienes a hora (algo em torno de 21 reais),qualquer um que esteja estressado, cansado, ou mesmo só querendo dar uma escapada das pressões do dia-a-dia pode entrar, usar a internet, consumir os produtos disponíveis nas máquinas e o melhor: brincar, fazer carinho e tirar fotos com os gatinhos que ficam espalhados pelo local.

Se você também é um amante de gatos, já deve estar se perguntando quando este sucesso japonês chegará por aqui, certo? Por enquanto, se você ainda não pode ter um em casa, é melhor se conformar com o desenho da TV ou com o gatinho de alguém que você conheça. Aqui no Brasil, a legislação da Anvisa proíbe a permanência de animais e comida destinada à pessoas no mesmo recinto. Mesmo os bares que permitem pets só podem fazê-lo desde que disponham de área externa para isso. O mais próximo que chegamos de um cat café fica em São Paulo, mas mesmo assim, os animais ficam numa espécie de “aquário” gigantesco onde pessoas não entram. Por outro lado, A Inglaterra já está começando a engatinhar nesse ramo. Se você não se importa em mudar de país, eles oferecem um salário “razoável” para quem se dispor a cuidar dos gatinhos que ficarão disponíveis no estabelecimento: algo em torno de 8 libras a hora, mais ou menos dez mil reais por mês. E aí? Partiu, Inglaterra?

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Fonte: economia/japaoemfoco/petmoney
Imagens: Reprodução/vicecatchannelmodpetlifecatcafesd

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