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Lide com isto: você mora no país que mais consome agrotóxicos no mundo

Lide com isto: você mora no país que mais consome agrotóxicos no mundo
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Muita gente ignora esse fato, até porque pouco se fala sobre isso. Mas se o Brasil hoje ocupa o lugar de um dos maiores exportadores agrícolas do mundo, isso deve-se em parte a utilização já obsoleta de uma série de agrotóxicos que, em outros países, já não são usados há muito tempo.  Entretanto, você precisa saber que em sua raiz histórica, agrotóxicos não foram criados para “otimizar os esforços agrícolas e combater a fome no mundo”, como prega o discurso, mas sim com propósitos estritamente bélicos, sendo utilizados como arma química na Segunda Guerra Mundial.

Somente após o fim da guerra, os agrotóxicos começaram a ser usados como defensivos agrícolas. A intenção seria evitar a proliferação das pragas, tornando a agricultura mais rentável. Todo tipo de argumento foi usado para fortalecer esta ideia, que com a Revolução Verde, se expandiu pelo mundo. Aqui no Brasil a coisa chegou em meados de 60, de uma forma nada democrática: o agricultor só conseguia financiamento para iniciar seu trabalho se levasse junto também o agrotóxico.


Não demorou muito para que se percebesse que se tratava de um tiro que saía pela culatra. Se estas substâncias eram nocivas às pragas, muito mais aos humanos e animais que acabavam, por tabela, consumindo-as. Os agrotóxicos aderem aos vegetais, ao solo, a vegetação circunjacente, espalham-se no ar, rios e córregos, gerando um efeito-cascata de contaminação que afeta desde os trabalhadores até o consumidor final e ao meio ambiente,  tornando os prejuízos muito maiores que os ganhos. Sem contar que, se a intenção era acabar com a fome no planeta, parece que não deu muito certo, já que 30 milhões de pessoas no mundo continuam morrendo anualmente desse mal.

No entanto, enquanto muitos países estão proibindo esses produtos, ou revisando leis de modo a reduzir consideravelmente a taxa máxima de concentração de agrotóxicos nos alimentos, o Brasil demonstra morosidade em acompanhar as outras nações e hoje somos o país que mais consome agrotóxicos no mundo. Pra você ter uma ideia, na safra de 2014 foram utilizados cerca de 1 bilhão de litros de agrotóxicos, o que, segundo especialistas, é igual a 5 litros por habitante. E quem poderá dizer o quanto os milhares de casos de câncer, malformações fetais, problemas neurológicos e hormonais têm ligação direta com esses produtos? O que se sabe, pelos dados da OMS, é que temos, pelo menos, três milhões de intoxicações por agrotóxicos ao ano, sendo 14 mil só nos países de terceiro mundo, fora os casos não notificados.

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Enquanto a nossa legislação ainda prevê uma série de condições “aceitáveis” para o uso de agrotóxicos, o doutor Wanderley Pignati, doutor em Saúde Pública, é enfático: Não existe uso seguro. Isso é uma fala dos produtores de agrotóxico.”  Isso certamente explica o porquê de outros países serem tão rígidos no controle desses produtos, havendo exemplos até de proibição absoluta, como na Dinamarca, onde a alimentação será, por lei, 100% orgânica.  Já na União Europeia, a pressão de uma população consciente garante que a fiscalização seja efetiva. Já por aqui, continuamos “engolindo” que alimentação saudável é “coisa de rico” e que o agrotóxico é “um mal necessário”. A pergunta é: para quem?

 Fontes: /revista.rebiarevistagalileumma    Imagens: Reprodução/ gianecoslideplayer

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