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Tocante: Conheça um pouco da “baleia” mais solitária do mundo. Veja o que sua história nos fala sobre a espécie humana



Seria por uma anomalia anatômica? Ou trata-se de uma espécie híbrida de baleia-azul com outra ainda não identificada? Pra falar a verdade, quem garante que é mesmo uma baleia? Todas essas perguntas estão sem resposta há mais de 20 anos. E o terreno do mistério, do não-resolvido, certamente é o mais adequado para que se plante a semente do debate, exatamente o que vem acontecendo na comunidade científica americana desde 1989, quando “aquele” som foi captado pela primeira vez.

De fato, parece o canto de uma baleia, e no momento, é o máximo que se pode dizer, já que o misterioso animal nunca foi visto. O fato é que enquanto a baleia-azul emite uma frequência entre 10 e 40Hz, e as demais espécies o fazem a 20Hz, essa espécie até então não-identificada vem ocupando o espaço de “a diferentona” do Oceano Pacífico, com seu canto de estranhos 52Hz, e uma trajetória anual que em nada se relaciona com a de suas companheiras. Por conta desses atributos nada comuns, ela foi batizada pelos cientistas de “Baleia 52”, ou, mais popularmente, “a baleia mais solitária do mundo”.


Se apenas esses dados demonstram-se escassos para identificar qual é a real problemática deste animal (se é que existe mesmo um problema com ele), o mesmo não se deu com a espécie humana. Tão logo esses pequenos fragmentos de informações vieram a público, uma enxurrada de cartas, e-mails e mensagens de pessoas solidarizando-se com o “drama” do animal desabou sobre os cientistas, o que revela um fato assustador sobre a nossa própria espécie.  “É muito triste tantas pessoas se identificarem com esta baleia, “ afirma a bióloga marinha Mary Ann Daher, que divide a autoria da pesquisa original sobre a 52. “É doloroso ler algumas coisas. [As pessoas] identificam-se com este animal que parece não se encaixar em nenhum lugar, não faz amigos facilmente, se sente sozinho e diferente de todo mundo.”

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Entretanto, à despeito de as baleias serem, de fato, animais que demonstram sinais claros de um convívio social organizado, toda essa identificação popular com a 52 não passa de mais um caso de antropomorfização exagerada para alguns cientistas. Trocando em miúdos, estaríamos atribuindo características excessivamente humanas e criando todo um enredo cinematográfico em torno de um animal sobre o qual quase nada sabemos.  E dando toda uma interpretação nossa a uma história da qual conhecemos apenas uma parte. A própria Daher é uma das estudiosas que defendem essa posição. “Nós não sabemos se ela é solitária. (…)Os supostos ‘anseios emocionais’ da 52 podem dizer muito mais sobre os seres humanos que ouvem sua história do que sobre a própria 52. “

Talvez eles estejam certos. De fato, de uns anos para cá, os estudos mostram que não somente a frequência da 52 vem mudando, como também as das demais baleias que, embora não cruzem seu caminho, traçam rotas paralelas. Para os cientistas, isso demonstra alguma relação, algum elo desconhecido entre a 52 e as outras baleias, sobre o qual ainda estão sendo feitos mais estudos e buscando-se novas respostas. Se isto for comprovado, teremos inevitavelmente que admitir que talvez um animal único, que viaja o maior oceano do mundo sem companhia e cantando uma música que é só sua, sinta-se mais integrado ao seu ambiente do que nós, seres inteligentes, que compartilhamos o mesmo espaço e eventualmente, falamos a mesma língua.

Fontes: jornalcienciabbc  Imagens: Reprodução/ ambientalistaemredejuridicohightech
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