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Por que o vírus da zika foi identificado em humanos nos anos 50 mas só virou epidemia agora?



O vírus da  zika foi descoberto em humanos pela primeira vez em Uganda, na África, em 1952  e se espalhou pela Ásia e pelo Pacífico até chegar às Américas. O primeiro caso registrado no continente foi na ilha de Páscoa, no Chile, em 2007, mas a maior epidemia já registrada ocorre hoje, neste momento, no Brasil.

Existem atualmente, casos reportados em mais de 24 países nas Américas, como definiu a diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margaret Chan. As estimativas da organização apontam que haverá entre 3 e 4 milhões de casos de zika somente no continente durante este ano. Desses, de 500 mil a 1,5 milhão ocorrerão no Brasil.


Por isso, fica a dúvida, se já temos mais de 50 anos da descoberta deste vírus, por que só agora ele se tornou um problema?

Popularização das viagens internacionais

Antoine Flahault, diretor do Instituto de Saúde Global da Universidade de Genebra, explica que há diversas determinantes para isso, dando ênfase à popularização das viagens internacionais. “O aumento dos deslocamentos com aviões ajuda na disseminação do vírus. É muito fácil exportar casos de zika, dengue e chikungunya“.

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Popularidade do vetor

Flahault ressalta outro aspecto que é a popularidade do vetor. “Há ampla presença do mosquito. O Aedes aegypti está praticamente em todos os lugares do mundo e é muito difícil erradicar esse mosquito“. Ao contrário do mosquito transmissor da malária, Anopheles, o Aedes aegypti se adapta muito bem ao meio urbano e isso contribui para inflar ainda mais a epidemia. “Em países onde houve desenvolvimento econômico levando comunidades a migrar do campo para a cidade foi registrada uma diminuição nos casos de malária. Mas o mesmo fenômeno não se aplica à zika, justamente pela alta adaptabilidade do mosquito”, explica o pesquisador.

Aquecimento global

O aquecimento global também poderia estar contribuindo para a propagação do vírus. “Já foi comprovado por climatologistas o impacto (das mudanças climáticas) no surto de chikungunya no Oceano Índico em 2005 e eu suponho que, embora ainda não comprovado, isso também se aplique ao zika“, disse Flahault.

O diretor do departamento de vigilância, Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças, Denis Coulombier, alerta que a maior circulação de pessoas não é a única justificativa para o aumento dos casos de zika. Ele diz acreditar que as mutações sofridas pelos organismos envolvidos no ciclo da doença – o vírus e o vetor – contribuíram decisivamente para a propagação atingir o ponto que estamos vivendo hoje.

Para Coulombier, a América Latina é especialmente suscetível por não ter sido anteriormente exposta ao vírus. Segundo ele, as populações não possuem anticorpos de resistência à doença. “Sabemos que nesses casos a primeira onda de infecções é a que registra maior número de casos, porque o vírus está chegando a uma população completamente virgem“.

Fonte: bemestar  Imagens: Reprodução/ redenet/ pmsmj
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