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Rinoceronte-branco-do-norte está praticamente extinto. Os últimos exemplares estão sendo protegidos por homens armados

Rinoceronte-branco-do-norte está praticamente extinto. Os últimos exemplares estão sendo protegidos por homens armados
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Imagine uma série de seguranças armados, com equipamentos como óculos de visão noturna, GPS e roupas camufladas, vigiando 24 horas por dia, todos os dias, um tal de Sudan. Imaginou? Você deve ter pensado que se trata de um cara protegido por ser um bilionário famoso, uma testemunha de um grave crime em um programa de proteção ou mesmo um bandido extremamente perigoso. Mas não se trata disso. Trata-se sim de uma vítima, muito perseguida, mas ela não é humana. Estou falando do rinoceronte-branco-do-norte (Ceratotherium simum cottoni), uma subespécie de rinoceronte-branco em gravíssimo risco de extinção.

Sudan é o último macho dessa subespécie. Vivendo numa reserva no Quênea, além dele, há apenas mais duas fêmeas, e todos já estão com elevada idade (mais de 40 anos). Mesmo em idade avançada, estes são os últimos rinocerontes-branco-do-norte e, por isso, são a última esperança de sobrevivência da subespécie. Até pouco tempo eram 4 rinocerontes, mas Nola, uma fêmea, morreu após complicações em uma cirurgia. Por isso, há um grande esforço das autoridades locais em proteger o rinoceronte. Como as duas fêmeas existentes são estéreis, a situação agrava-se ainda mais. Os esforços voltam-se principalmente para a fertilização in-vitro com o esperma coletado de Sudan, que seria inserido em fêmeas de rinoceronte-branco-do-sul, a subespécie mais próxima. Uma outra alternativa seria utilizar os óvulos de rinoceronte-branco-do-norte coletados anteriormente e transplantá-los para fêmeas de rinoceronte-branco-do-sul. Mas, até então, nenhuma das tentativas de fertilização utilizadas até então deu resultados, e estudos estão sendo realizados.


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Mas porquê essa subespécie está tão ameaçada? Bem, a caça de rinocerontes se deve principalmente a seu chifre, que têm grande valor comercial no mercado negro, principalmente devido a misticismos de que seu chifre teria poderes afrodisíacos, além de curar doenças como o câncer. São misticismos justamente porque o chifre nada mais é do que queratina, tal como a das unhas e cabelos, e nada têm de propriedades curativas. Mesmo assim, os rinocerontes estão muito ameaçados, sendo que, no início do século 20 existiam 500 mil rinocerontes na África e na Ásia, e em 1970 esse número caiu para 29 mil, havendo expectativa de que o número de mortes ultrapasse a taxa de natalidade nos próximos anos, extinguindo em 2026 os rinocerontes caso esse ritmo de matança continuar.

Pois é, a situação não é fácil. Caçadores encontram facilmente sua presa porque rinocerontes deixam rastros de fezes para demarcar território, e assim cortam impiedosamente seu chifre, cortando muitas vezes os nervos ligados a mandíbula, que impedem o animal de se alimentar e, consequentemente, o mata. E Sudan nem o chifre possui mais, mas o medo do fim da espécie leva a tentativas de protegê-lo a todo custo. E não apenas Sudan, mas outras espécies de rinoceronte (rinoceronte-negro, rinoceronte-das-índias, rinoceronte-de-sumatra e rinoceronte-de-java) também correm risco. Mas nada se compara a situação da subespécie em questão, que, pode-se dizer que, praticamente, infelizmente, já está extinta.

Fontes: climatologiageografica/revistagalileu/oglobo/noticias.terra/brasil247   Imagens: snake-technologywowamazing

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