Tirar a sal da água do mar (dessalinização) seria a solução para a crise hídrica no planeta?

“Olá, tenho uma dúvida sobre o uso da água do mar. Porque nunca é posto como uma forma de solução para o abastecimento das cidades o uso da água do mar dessalinizada, mesmo sendo mais cara? E mesmo essa água sendo mais cara, não seria uma forma de conter o desperdício? ” (Rodrigo Melo)

Oi Rodrigo, sua pergunta é muito pertinente, e pode ser a dúvida de muitas pessoas. Já que além de pequena, a quantidade de água doce disponível para o consumo humano não é distribuída de forma igualitária no mundo.

Uma das alternativas para as regiões que sofrem com a escassez de água doce é tratar a água salobra (que representa alta concentração de sais e é muito comum nos aquíferos brasileiros, assim como as águas do Mar Morto e o Mar Cáspio) e a água do mar. Para torná-las potáveis e apropriadas para consumo humano, é necessário fazer a dessalinização.

A dessalinização é um processo físico-químico de retirada de sais da água, tornando-a própria para consumo. Atualmente, em todo o mundo são adotados quatro métodos diferentes para promover a conversão da água salgada em doce: Osmose inversa, destilação multiestágios, dessalinização térmica e método por congelamento.

Aqui estão algumas características desses processos:

Osmose inversa

Conhecida também como osmose reversa, acontece quando se exerce forte pressão em uma solução salina. A água passa por uma membrana semipermeável, com poros microscópicos que retém os sais, microorganismos e outras impurezas. Assim, o líquido puro se “descola” da solução salgada, ficando separado em outro local.

Destilação Multiestágios

Neste processo, utiliza-se vapor em alta temperatura para que a água do mar entre em ebulição. O nome “multiestágios” é devido a passagem da água por diversas células de ebulição-condensação, garantindo um alto grau de pureza. Neste processo, a própria água do mar é usada como condensador da água que é evaporada.

Dessalinização Térmica

Um dos processos mais antigos que imita a circulação natural da água. O modo mais simples, a “destilação solar”, é utilizada em lugares quentes, com a construção de grandes tanques cobertos com vidro ou algum material transparente. A luz solar atravessa o vidro, a água do líquido evapora, os vapores se condensam na parte interna do vidro, transformando-se novamente em água, que escorre para um sistema de recolhimento. Dessa forma a água permanece separada de todos os sais e impurezas. Em lugares frios ou com carência de espaço, esse processo pode ser feito gerando-se calor através de energia. A melhor solução, neste caso, é a utilização de energia solar, que é mais barata, não consome recursos como petróleo e carvão e não agride o meio ambiente.

Congelamento

É um processo novo que ainda exige estudos e novas tecnologias. Nele, a água do mar ou salobra é congelada. Quando congelada, o gelo produzido é puro, sem sal. Então através do congelamento/descongelamento obtêm-se água doce. Esse método não foi testado em larga escala, mas já existem propostas para a exploração das calotas polares (onde está boa parte da água doce do planeta) para obtenção de água pura. Mas isso é demasiadamente caro e só seria utilizado como última opção.

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A dessalinização é viável em países que não possuem grandes reservas de água doce, como a Arábia Saudita, Israel e Kuwait, ou locais como a Ilha de Chipre, local onde os lençóis freáticos foram reduzidos por conta da exploração exagerada. Em Chipre, a água do mar não só abastece a população como também serve para recuperar os lençóis.  Esse processo é também uma alternativa para a tripulação de navios que ficam muito tempo no mar ou para exploradores e cientistas que promovem pesquisas em regiões desprovidas de água doce.

Diversos governos e instituições investem em pesquisas para o desenvolvimento de processos de dessalinização da água do mar que sejam eficientes, adequados às características regionais e que tenham um custo reduzido e acessível, já que esse tipo de tratamento é muito mais caro que o convencional.

 

Fonte: sabesp  imagens: educação/epochtimes