Anomalias e doenças

Está rolando na internet: o surto de microcefalia no país está sendo causado por um lote vencido de vacinas contra rubéola. Veja por que isso é uma grande mentira!

Muitos leitores estão pedindo o esclarecimento sobre o que está circulando pelas redes sociais. O texto já está sendo amplamente compartilhado. Trata-se de um boato de que o surto de microcefalia no país, a deficiência no desenvolvimento do cérebro de bebês, não é causado pela infecção de mulheres pelo zika vírus durante a gravidez. Internautas têm espalhado a informação de que os casos são resultado de vacinas de rubéola vencidas, aplicadas em gestantes.

Gente, essa mensagem é mentirosa e é um risco para a saúde pública. A revista Época listou 4 motivos incontestáveis provando que isso é uma grande mentira:


As mulheres grávidas não são vacinadas contra a rubéola

O calendário nacional de vacinação prevê que essa imunização deve ser aplicada aos 15 meses de vida. É possível tomar essa vacina em outros momentos da vida, mas nunca durante a gestação. A vacina contra a rubéola é especialmente indicada para mulheres em idade fértil – entre 15 e 29 anos – para evitar a contaminação de rubéola durante a gravidez. As mulheres grávidas que não foram vacinadas antes da gestação devem receber a vacina somente após o parto.

Todas as vacinas distribuídas pelo Ministério da Saúde são seguras

Não há nenhuma evidência científica publicada no Brasil ou em outro país de que haja relação entre as vacinas e a microcefalia. Em nota, o Ministério da Saúde afirma que o controle de qualidade das vacinas é realizado pelo laboratório produtor obedecendo a critérios padronizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Após aprovação em testes de controle do laboratório produtor, cada lote de vacina é submetido à análise no Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) do Ministério da Saúde.

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Mesmo uma vacina vencida não tem carga viral capaz de causar infecção

Ainda que por alguma hipótese uma vacina esteja vencida, o vírus atenuado, presente na vacina, não tem condições de causar uma infecção tão grave. “Não existe a possibilidade da microcefalia ser causada pelo vírus vacinal da rubéola”, diz a médica-infectologista Thaís Guimarães, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Em outros países, o zika vírus também causou microcefalia

A informação do boato de que não existe relação entre o zika e deficiência de desenvolvimento não é verdadeira. Em 2013, quando houve uma epidemia na Polinésia francesa, as autoridades de saúde locais não perceberam a relação imediatamente. Após a notificação feita pelo Brasil à OMS, a Polinésia analisou os dados de nascimentos no período em que a infecção por zika era endêmica e percebeu a mesma relação. Relatórios divulgados pelos pesquisadores confirmam, até agora, 17 casos de microcefalia entre 2013 e 2014 na Polinésia. O número parece pequeno frente aos 1.761 casos brasileiros, porém, é preciso considerar que a população da Polinésia Francesa, cerca de 280 mil pessoas, é muito menor do que a população do Brasil, que ultrapassa os 200 milhões. A relação aparece mais nítida no Brasil porque a amostragem é muito maior: aqui, nasceram 2.913.121 crianças somente em 2014.

Na dúvida, não compartilhe informações cuja veracidade você não pode verificar. Com informação não se brinca, muito menos quando ela envolve vidas.

Fontes: epoca.globo  Imagens: Reprodução/
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