Sabia que os elefantes quase nunca têm câncer? Descubra o porquê.

“Ouvi dizer que os elefantes nunca têm câncer. Queria saber se é verdade e por que isso acontece?” (Gisella Brum)

Oi, Gisella! Olha…sua frase está “quase” certa. Elefantes QUASE nunca têm câncer, o que é de se espantar, considerando o tamanho desses animais. Sendo que o câncer é uma doença originada por mutações no DNA que fazem as células reproduzirem-se sem controle, somado ao fato de que qualquer célula pode, a qualquer momento, tornar-se cancerígena por algum motivo, era de se esperar que animais com mais células fossem mais suscetíveis a doença. No entanto, para cada 25 humanos que morrem de câncer, apenas 5 elefantes morrerão pelo mesmo motivo. E por que isso acontece?

A resposta está justamente onde a doença começa. Na verdade, por natureza, os elefantes seriam mais suscetíveis ao câncer, sim! Acontece que justamente por isso, a natureza os dotou de mais defesas. Trata-se do “TP-53”, um mecanismo de proteção contra esses erros genéticos. Ao menor sinal de que algo não vai bem, ele tenta corrigir. Não conseguindo, em último caso, a célula é eliminada. Todos os animais possuem esse mecanismo, uns menos, outros mais. No caso dos elefantes, bem mais. São 20 genes TP-53 contra apenas um em pessoas. Isso explica a menor propensão da espécie em desenvolver a doença.

Mas a coisa não para por aí. Como seres inteligentes, não poderíamos, de forma alguma, colocar toda a responsabilidade meramente na genética. Mel Greaves, do Instituto de Pesquisa do Câncer de Londres, deixa claro que o fator “estilo de vida” também pesa, e muito. “Você nunca verá um elefante fumando”, ele diz. Pode até parecer simplista demais, mas não deixa de ser verdade. Até porque, segundo ele, se compararmos nosso DNA com o de chimpanzés, temos os mesmos mecanismos de defesa. No entanto, eles continuam sofrendo bem menos de câncer do que nós.  Está aí um bom motivo para repensarmos nossas escolhas.  Nossa natureza racional nos permite tomar atitudes baseadas na vontade, e não só no mero instinto, o que pode ser uma faca de dois gumes. Podemos tanto estar “ajudando” a natureza, quanto boicotando nossa própria evolução.

marfim

Agora, cientistas focam seus esforços em entender como a natureza lida com a doença em outros animais para que possam, assim, ajudar os humanos. Resta agora que ajudemos a nós mesmos, não só repensando nossos costumes, mas, também, lutando pela preservação dessas espécies. Muitas estão em risco de extinção por conta das riquezas materiais que carregam consigo. Mas o que elas trazem em seu DNA é muito mais valioso do que qualquer casaco de pele ou pedaço de marfim. Um pouco da lógica da vida está escondido em cada um dos seres vivos espalhados pelo planeta. Preservando a elas, preservamos a nós mesmos. Na delicada teia da vida em nosso planeta, estamos todos conectados.

Fonte: bbc  Imagens: 360meridianos/greenme