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Chocante: historiador faz pesquisa e revela como eram as cirurgias no século 19

Desde sempre aprendemos que é importante confiar nos cirurgiões. No entanto, depois de saber como eram feitos os procedimentos cirúrgicos no século 19, pode mudar de ideia.

Através de uma pesquisa feita pelo escritor inglês Richard Hollingham em documentos arquivados em porões datados do século 19, foi revelado o lado obscuro da prática médica. A falta de higiene e de anestesia tornavam qualquer procedimento uma situação arriscadíssima. De acordo com o historiador, os profissionais agiam com uma certa arrogância em muitos casos, que os levavam a conduzir procedimentos sem pensar nas consequências. Mas na verdade, não tinham a menor ideia do que estavam fazendo e, mesmo assim, as pessoas confiavam neles.


Um exemplo clássico e bastante conhecido foi quando Walter Freeman, o desenvolvedor da cirurgia de lobotomia (cirurgia de remoção de partes do cérebro que se acreditava curar a loucura). Na ocasião em que desenvolveu a técnica, ele usou um número muito pequeno de evidências que esse tipo de cirurgia poderia funcionar com loucos agressivos. Mesmo sem que ficasse comprovada a eficácia do procedimento, ele realizou várias operações. Chegou a fazer 25 operações em um dia enfiando um picador de gelo no topo do globo ocular, e fazendo que ele passasse por um osso bem fino até chegar ao cérebro, que seria lesionado. É chocante que ele achasse que isso funcionava e mais chocante ainda que as pessoas deixaram isso acontecer.

A história da cirurgia mostra que os cirurgiões faziam os procedimentos “no escuro” para ver o que acontecia. Na maioria dos casos, os experimentos assustadores eram feitos como última alternativa, numa tentativa desesperada de salvar alguém que já iria morrer.  Nos séculos 17, 18 e na maior parte do 19 a pessoa só era operado em situações extremas, era o último recurso, pois as chances de morrer eram enormes. O motivo mais corriqueiro para uma passar por uma cirurgia era a amputação, principalmente quando fratura exposta em que o osso ficava exposto e causava infecção, a perna gangrenava e a pessoa acabava morrendo. A opção era cortar uma parte da perna. Tudo isso era feito sem anestésicos e sem assepsia. Dependendo da habilidade do cirurgião, era morte na certa, lógico!

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No entanto, o período mais perigoso da cirurgia foi entre o desenvolvimento da anestesia (1846) e a invenção de antissépticos (final do século 19 e começo do século 20). Quando os cirurgiões viram a possibilidade operar sem dor, eles se viram no paraíso e puderam testar vários procedimentos que obviamente custaram a vida de muita gente. A oportunidade de manter o corpo do paciente aberto por mais tempo, para curar mais problemas era sensacional. No entanto, o período em que o corpo ficava exposto a uma infecção aumentava e ainda não havia um entendimento entre os médicos da importância da higiene e do uso de substâncias que matavam os microrganismos que causavam infecções.

A falta de higiene era chocante! Não se sabia nada sobre microrganismos causadores de infecções. Haviam cirurgiões que reaproveitavam bandagens e emplastros sujos de sangue e pus em outros pacientes. Por que não? Não se sabia de razão para que isso não fosse feito. Nada era esterilizado. Os bons cirurgiões trabalhavam bem rapidamente, o que minimizava o risco de infecção, mas faziam isso para minimizar o sofrimento do paciente, já que não havia anestesia, mas não para evitar infecções. Os locais de operação eram encardidos, extremamente sujos. Os cirurgiões tiravam roupas limpas com as quais vinham das ruas para colocar um jaleco sujo. Você tinha uma sala cheia de pessoas respirando sobre o paciente, sangue e sujeira no chão.

Antes do descobrimento do anestésico, os pacientes tinham medo do procedimento e fugiam muitas vezes do hospital.  Muitos ajudantes também tinham a função de segurar o paciente na mesa de cirurgia para que ele não se mexesse muito quando fosse se debater. Se você estivesse numa mesa cirúrgica na época, veria uma série de estudantes olhando para você e te segurando enquanto o cirurgião, sem anestesia serrava a sua perna. Com certeza não era nada agradável!

Fonte: revistagalileu   
Imagens: Reprodução/historiaschistoria/endo

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