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Triste realidade! Atropelamentos são os maiores responsáveis pela morte de animais silvestres no Brasil (Imagens fortes)





Quando ouvimos falar de animais em extinção, a primeira imagem que nos vem à cabeça é aquele velho estereótipo de um caçador típico. Esse pensamento faz com que muitos de nós descansemos tranquilos em nosso lugar de conforto, afinal, que riscos nós, cidadãos comuns, oferecemos aos animais silvestres? Mas não é isso que os dados mostram. Nesse ano, o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estados (CBEE), em Minas Gerais, fez um levantamento que mostra que a maior parcela de responsabilidade pela taxa anual absurda de mortandade entre espécimes silvestres recai sobre nós, reles mortais. A cada ano, nada menos que 475 milhões de animais selvagens morrem no nosso país. Só enquanto você lê este texto, já foram pelo menos 400, e até você terminar serão acrescentadas mais algumas centenas. E o motivo? Pasme. Atropelamentos.

A explicação para isso é mais simples do que você imagina. Ao fazer uma viagem, quem não gosta de sentar na janela do ônibus ou do carro? Isso porque a paisagem das estradas é bem diferente da que estamos acostumados. Florestas e matas formam quilômetros de área verde que substitui a visão monocromática das cidades. O que poucos se lembram é que nesses lugares também há habitantes. Animais de pequeno, médio e grande porte que, assim como você, também precisam, eventualmente, atravessar a “rua”.


Seja para alimentação, reprodução ou qualquer outro hábito, milhares de animais arriscam-se todos os dias nas 189 reservas ambientais cortadas por estradas no Brasil. Sapos, aves, lebres, macacos, lobos, capivaras, antas, onças e outras espécies empenham-se todos os dias numa travessia que pode ser a última. Só na reserva de Sooretama no Espírito Santo, por exemplo, o biólogo Marcel Moreno relata ter coletado, numa faixa de apenas 10 quilômetros, 200 corpos de animais em um único dia. E o número cresce numa velocidade maior do que a gente imagina. “São aproximadamente 15 animais sendo atropelados no Brasil a cada segundo”, informa o diretor do CBEE, Alex Bager.

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Biólogos de todo o país têm buscado alternativas para, de alguma forma, conter esses números. Uma delas é a construção de túneis subterrâneos por onde os animais podem cruzar a rodovia. Tal medida até atingiu algum êxito com alguns indivíduos, mas ainda é insuficiente, já que muitos continuam utilizando as estradas. Na cidade de Jundiaí, uma ONG procura prestar assistência a esses animais feridos. O propósito é reabilitá-los para a vida natural. Além disso, também está sendo cobrada das autoridades uma sinalização mais eficaz.

Mas as placas por elas mesmas nada fazem. É preciso que nós, seres racionais, mostremos que o somos de fato através de nossas atitudes, a começar pelo respeito ao limite de velocidade, que é frequentemente ignorado. Engana-se quem pensa que apenas os animais são ameaçados pela nossa imprudência. “Um acidente com uma onça parda de 70 quilos pode causar capotamento e morte de pessoas.”, explica o procurador da República Paulo Trazzi. Além de que nunca é demais lembrar que cada espécie extinta representa uma perda irreparável para a delicada unidade de nosso planeta, cujas consequências reais só percebamos quando já for muito tarde.

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Fontes: g1/cbee       Imagens: avaaz/sindicam/linhares/purusonline
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