Doenças

Estudos mostram que as pílulas anticoncepcionais tem evitado que milhares de mulheres desenvolvam câncer no endométrio

Estudos mostram que as pílulas anticoncepcionais tem evitado que milhares de mulheres desenvolvam câncer no endométrio
Esse texto foi útil para você?

Os anticoncepcionais foram um marco para a autonomia da mulher, possibilitando-lhe o controle sobre seu próprio corpo. Surgido na década de 1960, este recurso passou por uma série de inovações, em que pesquisadores criaram pílulas mais eficazes e com menores efeitos colaterais, como inchaços, diminuição do desejo sexual e oleosidade na pele. As principais alterações nas pílulas da década de 1990, em relação as da década de 1960, foram a quantidade e o tipo de hormônios em sua composição, sendo mais comum nos anticoncepcionais atuais utilizar-se estrogênio e progesterona, hormônios que regulam o ciclo menstrual.

Apesar dos benefícios, frequentemente debate-se os malefícios dos anticoncepcionais, principalmente por se tratar de um composto hormonal e consequentemente interferir no organismo da mulher. Pesquisas apontam que o hormônio interfere principalmente no sistema circulatório, aumentando a dilatação dos vasos sanguíneos, a viscosidade do sangue e, consequentemente, a coagulação. E o que isso pode ocasionar? Pode formar coágulos em veias mais profundas, alojando nos pulmões e indo parar no cérebro, o que ocasionaria um Acidente Vascular Cerebral (AVC), conhecido como derrame. Também pode aumentar os riscos de um ataque cardíaco.




Por outro lado, outras pesquisas apontaram um grande benefício dos anticoncepcionais: a prevenção de um tipo de câncer que ocorre no endométrio (tecido altamente vascularizado, que reveste a parede interna do útero), sendo esse tipo muito frequente em mulheres com mais de 50 anos, (principalmente após a menopausa, a última menstruação). De acordo com a pesquisa, o uso dos contraceptivos por mulheres ainda quando jovens beneficia nessa fase em que corre-se o risco de desenvolver o câncer de endométrio. Estima-se que 400 mil casos de câncer de endométrio foram evitados nos últimos 50 anos graças aos anticoncepcionais, sendo que 200 mil evitados apenas na última década. Estima-se ainda que a pílula reduz em um quarto a chance do câncer a cada 5 anos de uso, caindo pela metade a cada 10 anos. E porque ocorre esses benefícios? Bem, ainda não se sabe ao certo, mas acredita-se que os anticoncepcionais influenciariam na exposição de estrogênio durante a primeira fase da menstruação (os primeiros 14 dias do ciclo), chamada de fase folicular, que dá início a formação dos óvulos.

653u63u

Essa é uma ótima notícia, pois o câncer de endométrio mata milhares de mulheres todos os anos. Mas, apesar dos animadores resultados, sabe-se que o melhor método ainda é prevenir: é sempre bom consultar um ginecologista, pois ele indicará qual o tipo de medicação mais indicado para cada caso e poderá diagnosticar precocemente casos desse tipo. E é essencial um diagnóstico precoce, pois com o tratamento adequado há 90% de chances de cura. Alguns fatores de risco aumentam as chances de ter o câncer de endométrio, como é o caso da obesidade, hipertensão, diabetes, históricos familiares de tumores/câncer e hiperplasia arterial. Há também algumas condições consideradas como fatores de risco, como o aumento da quantidade de estrogênio e a diminuição da quantidade de progesterona produzida (como terapias hormonais, ovários policísticos, nunca ter engravidado, menstruação precoce ou menopausa tardia, dentre outros).



E quais os sinais da doença? Bem, é comum ter sangramentos vaginais no período pré ou pós-menopausa, dor ou sensação de peso na bacia e corrimento vaginal branco ou amarelo antes da menstruação, quando o câncer está localizado apenas no útero, podendo ter sinais ainda mais graves caso se espalhe para outras áreas do corpo. O diagnóstico pode ser feito por métodos como ultrassonografia ou biópsia, e o tratamento varia de acordo com a gravidade do caso, podendo ser desde apenas a retirada do útero, trompas e ovários, até tratamentos complementares como químio, rádio ou hormonoterapia. Portanto, fique atenta, pois como qualquer problema de saúde, ao ser descoberto de início e com tratamentos adequados, pode ser algo bem mais simples de resolver.

anticoncepcional

Fontes: drauziovarella/mdsaude/veja/iflscience  Imagens: jannesantana/donagiraffa/jornaldehoje

Comentários

Novidades

Topo
error: Sinto muito! Conteúdo protegido.