Cuidado: as marcas de traumas e comportamentos podem estar gravadas na memória do DNA e seus filhos podem sofrer as consequências!

Um dos piores episódios da história humana foi o Holocausto. Essa palavra de origem grega, que significava “sacrifício pelo fogo”, atualmente é designada para se referir a perseguição e cruel extermínio realizado pelos nazistas na Alemanha, principalmente no período da Segunda Guerra Mundial. Considerando-se seres superiores (para saber mais clique aqui), os nazistas exterminaram principalmente judeus, além de outros grupos que se comportavam diferentemente dos padrões sociais estabelecidos pelos nazistas (ciganos, homossexuais, testemunhas de jeová, deficientes físicos e mentais, dentre outros), seus oponentes políticos (socialistas, comunistas e sindicalistas), além de algumas etnias do leste europeu (poloneses, russos, dentre outros). Esses grupos foram escravizados ou levados a campos de concentração como prisioneiros, sendo mortos cruelmente.

Mas será que as marcas do nazismo ficaram apenas nos livros e na memória de quem viveu esses tristes episódios? Estudos recentes apontam que os traumas vivenciados por pessoas que viveram no período do nazismo pode ter sido passado geneticamente aos filhos de sobreviventes. Isso mesmo! Uma equipe de investigação dos Estados Unidos, realizando um estudo com 32 pessoas que ficaram presas em campos de concentração, testemunhando ou experimentando torturas, afirma que seus filhos, que possuem maior probabilidade de ter distúrbios de estresse do que famílias judias que viveram fora da Europa na Segunda Guerra Mundial, possuem marcas no DNA, que demonstram que as experiências de uma pessoa podem ser passadas de uma geração a outra. Em outras palavras, o ambiente é um fator fundamental na expressão genética!

Trata-se então de uma herança epigenética, o que simplificadamente significa que fatores externos ao DNA ativam ou inibem determinados genes. As marcas epigenéticas surgem em regiões específicas de um gene, e marcam ou desmarcam o seu início ou fim, silenciando-o ou ativando-o. Dessa forma, acredita-se que traumas gerados por influências ambientais como tabagismo, dieta e estresse podem afetar filhos e até netos por meio desse tipo de herança. A controvérsia está no fato de que, até então, acreditava-se que o DNA era o único responsável por transmitir informações biológicas entre as gerações.


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Outras pesquisas, com mulheres holandesas que tiveram filhas durante um crítico período de fome no país (causando maior pré disposição a desenvolver esquizofrenia), com ratos expostos a choques e com pais fumantes, também indicam que uma determinada região de um gene ligado ao estresse seria suscetível a mudanças ambientais, que moldaria nossa maneira de lidar com o ambiente, descartando a hipótese de que esses traumas seriam consequência de vivências das próprias crianças. Também verificou-se que o esperma e os óvulos não possuíam marcas epigenéticas, o que demonstra que ocorreria após a fertilização e seria então determinado pelo ambiente. Os genes então, ligados ou desligados por herança epigenética, causariam a liberação de hormônios em resposta ao estresse. Por isso, cuidado com os seus hábitos de vida. Pode ser que seus filhos sofram as consequências…

epigenetica

Fontes: ushmm/portaleducacao/theguardian   Imagens: webeye/traumapsicologico/meridianos