Se você nasceu na década de 90 pode ser um filho da pílula de farinha

  “Na década de 1990, houve um episódio no Brasil, a qual anticoncepcionais eram fabricados mas sem sua função: evitar gestação. Minha mãe tomou um desses anticoncepcionais e engravidou de mim. Queria que o Diário de Biologia falasse sobre esse episódio, sobre os famosos anticoncepcionais de ‘farinha’.” ( Diehgo Royal)

O que aconteceu, Diehgo, foi que entre janeiro e abril de 1998, Lotes da pílula anticoncepcional Microvlar® chegaram ao mercado contendo farinha, sem princípio ativo e foram registrados casos de gravidez indesejada de consumidoras.  Em junho de 1998, o Ministério da Saúde determinou a retirada do mercado do anticoncepcional produzido pelo laboratório Schering do Brasil. Também ordenou a paralisação da produção e, posteriormente, interditou a fábrica.

O laboratório afirmou que utilizou material sem princípio ativo (denominado placebo) em testes de um novo equipamento de embalagem, que foi encaminhado posteriormente para incineração, sendo que todas as caixas foram identificadas como ‘placebo’. Algumas unidades do material foram furtadas por pessoas não identificadas e disponibilizadas para as consumidoras. Calcula-se que pelo menos 250 mulheres tenham engravidado utilizando a pílula de farinha.

A empresa teve que tomar providências legais e pagar indenizações às famílias envolvidas. Muitas mulheres tinham problemas de saúde que foram agravados com a gravidez. Outras não tinham condições sócio-econômicas para ter mais um membro na família. Outra questão importante foi explicar para os “filhos da pílula de farinha” a diferença entre gravidez inesperada e indesejada. As famílias tiveram que aprender a lidar com as repercussões cotidianas do escândalo, de modo a não deixar que a pílula de farinha continuasse a causar danos emocionais.

O método contraceptivo oral é a prática de prevenção mais utilizada atualmente. Além da contracepção, a pílula anticoncepcional também é utilizada na terapia de algumas doenças que acometem uma parcela das mulheres.

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Fontes: politica/ g1/folha/gineco

Imagens: tattotatouage/ coletto