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Cientistas já podem desenvolver vasos sanguíneos a partir de células do paciente

Os dados epidemiológicos mundiais revelam que as doenças vasculares ocupam primeiro lugar das causas de morte e morbimortalidade, resultando num problema grave e preocupante para o sistema de saúde. As doenças vasculares se enquadram nas chamadas DCNTs – Doenças Crônicas não-Transmissíveis e, neste caso, os fatores que a predispõe estão relacionados ao estilo de vida como sedentarismo e alimentação inadequada. Neste sentido, o controle de prevenção dessas doenças vasculares se torna uma tarefa bem difícil já que depende de uma mudança de hábitos que deve partir do próprio indivíduo.

Diante desse panorama mundial, cuja prevalência de doenças vasculares tende a aumentar, a notícia sobre a descoberta dos cientistas que conseguiriam criar vasos sanguíneos em uma semana, é realmente fantástica e muito promissora.

O maior desafio dos pesquisadores em alcançar êxito nessa engenharia de tecido vascular é exatamente conseguir isolar as células e alcançar a expansão ex vivo, um procedimento onde algo é retirado do corpo para reparo e posterior recolocação. Nesse procedimento é comumente utilizado um tipo celular que possui a capacidade de se autorreplicar e de se diferenciar em um tecido de forma limitada. No cultivo de tecido vascular, há um tipo especial, denominado de células progenitoras endotelial (EPCs, do inglês, Endothelial Progenitor Cells), tendo a medula óssea como a principal fonte utilizada na engenharia vascular. A perfuração da medula óssea consiste num procedimento muito doloroso. Porém, as EPCs também são encontradas na circulação sanguínea. Assim, surgiu a brilhante ideia dos cientistas suecos a busca de um procedimento com o uso de sangue periférico, supondo que as EPCs circulantes resultariam numa recelularização mais eficiente.

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Cientistas conseguiram desenvolver vasos sanguíneos em apenas 1 semana. Foto: gu.se

A aplicação da técnica foi realizada em dois pacientes pediátricos (2 e 4 anos de idade) portadores de trombose da veia porta (localizada no fígado) através do transplante alogênico, ou seja, utilizando sangue total periférico de outro indivíduo e, como matriz, utilizaram veias mamárias descelularizadas de doadores de órgãos. O passo seguinte envolveu o repovoamento da matriz de veias descelularizadas com apenas 25 mL de sangue total. A técnica foi bem sucedida e as EPCs migraram e aderiram à veia descelularizada formando a camada endotelial e muscular do vaso. Além do sucesso na formação do vaso, o professor Sumitran-Holgersson disse em uma reportagem, “Todo o processo durou apenas uma semana”.

A mesma técnica foi utilizada em 2015 por outros cientistas e o resultado funcionou perfeitamente, demonstrando grandes avanços na engenharia vascular.

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Imagem de microscopia eletrônica de varredura das veias mostrando: A) a repovoação das células indicado pelas setas. Foto: OLAUSSON et al, 2014.

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Os cientista suecos professores Sumitran-Holgersson e Olausson. Foto: gu.se

Fontes:  OLAUSSON, Michael et al. In vivo application of tissue-engineered veins using autologous peripheral whole blood: A proof of concept study  KUNA, Vijay Kumar et al. Successful tissue engineering of competent allogeneic venous valves.  Sites: gu e sciencealert.   Este texto é de autoria da Bióloga Ceila Cintra.

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