Conheça Alana, a menina com três pais biológicos

Alana é uma das poucas pessoas no mundo que têm três pais biológicos. Mas se engana quem acha que ela é resultado de um experimento que deu errado ou de alguma loucura relacionada a engenharia genética. Na verdade ela é resultado de um tratamento de fertilidade que não existe mais. O procedimento que foi proibido a algum tempo, se tratava da utilização de um óvulo doado, que contém mitocôndrias com genoma próprio, levando o DNA de Alana ser formado a partir de três fontes de DNA diferentes. As mitocôndrias são organelas presentes no citoplasma das células, que produzem energia e possuem seu próprio genoma, embora este seja pequeno. O DNA mitocondrial só é passado para o filho pela mãe, devido aos óvulos serem os únicos a terem essas moléculas de DNA.

 A história de Alana teve início quando sua mãe depois de tentar engravidar através da fertilização in vitro durante 10 anos, resolveu testar um método alternativo. Como era possível que as mitocôndrias defeituosas da mãe de Alana fossem o motivo da incapacidade de conceber um filho, embriologistas trocaram a parte do óvulo que contém as mitocôndrias, por a de um doador saudável. E aí a mãe de Alana ficou grávida.

Alana não foi a única criança a nascer filha de “três pais”. Mais 16 bebês nasceram através dessa técnica. Porém alguns problemas começaram a aparecer, como aborto espontâneo, ausência de um cromossomo X e transtornos de desenvolvimento das crianças. É impossível dizer se esses problemas ocorreram devido ao procedimento, mas é bem possível que sim.

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A história de Alana teve início quando sua mãe depois de tentar engravidar através da fertilização in vitro durante 10 anos, resolveu testar um método alternativo. Foto: bbc

Atualmente no Reino Unido ocorre um debate sobre a segurança da utilização do procedimento. Depois de três extensas revisões de segurança, conclui-se que o procedimento não é “inseguro”. Agora a aprovação ou não do método é debatido entre os políticos, mas é bem provável que novos estudos sejam necessários antes de se tomar qualquer decisão. A principal preocupação é que com o avanço da técnica, comecem a surgir bebês com design pré estabelecido. Além disso alguns testes com animais resultaram em proles com habilidades cognitivas e padrões de envelhecimento alterados. Argumenta-se que esses testes em animais não passaram nem perto do que se é recomendado em testes do tipo, tendo seus resultados alterados.

O estudo com transferência de mitocôndrias entre pacientes e doadores, ajuda não só mulheres que tem dificuldade em engravidar, como também pessoas que sofrem doenças mitocondriais. A aprovação do procedimento poderia ajudar a prevenir doenças debilitantes, que atualmente afetam cerca de 5 mil pessoas somente no Reino Unido.

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Depois de três extensas revisões de segurança, conclui-se que o procedimento não é “inseguro”. Foto: folhauol
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Alana não foi a única criança a nascer filha de “três pais”. Mais 16 bebês nasceram através dessa técnica. Foto: Montagem/diariodebiologia

Fonte: iflscience e bbc