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Tomar bebida alcoólica enquanto está tomando antibiótico faz mal?





“Sempre tive desconfiança da afirmação de que não podemos beber álcool quando estamos tomando antibióticos. Isso é verdade mesmo? Por que?” (Erasmo Mello)

Erasmo, quem nunca ouviu falar que tomar bebida alcoólica juntamente com antibiótico faz mal? Uns dizem que corta o efeito (na maioria das vezes), outros dizem que pode causar problemas de saúde. Independente do que se ouvi falar por ai, há um fundo de verdade nessa história. Ela não é totalmente um mito. Vamos entender o porquê?


Todo medicamento permanece ativo na corrente sanguínea em níveis desejáveis, mas ao ser metabolizado, parte desse medicamento, cerca de 50%, é eliminado. A esse processo chamamos de meia vida, no qual consiste na capacidade do organismo de eliminar 50% da concentração de uma droga, em determinado período de tempo. Para ficar mais claro, vamos a um exemplo: Uma droga com meia vida de 9 horas, por exemplo, deve ser tomada a cada 8 horas para que o paciente não fique sem medicamento circulando no organismo em nenhum momento. Ou seja, a cada 9 horas, o medicamento é reduzido à metade até ser totalmente eliminado pelo organismo. O álcool não reduz o efeito da droga, mas PODE reduzir o tempo que a substância ativa permanece na corrente sanguínea em níveis adequados. Ou seja, NÃO É RECOMENDÁVEL o uso de bebidas alcoólicas quando em tratamento com antibióticos.

Como o álcool tem efeito diurético, por inibir um hormônio chamado antidiurético, o corpo elimina o medicamento pela urina, impedindo que permaneça no sangue um nível de concentração elevado o suficiente para eliminar as bactérias causadoras da doença. Sem mencionar, que o medicamento pode reduzir a eliminação do álcool circulante no organismo, aumentando sua toxicidade direta ao cérebro, fígado e trato digestivo. Podendo ocasionar vômitos, além de prejudicar a absorção das próximas administrações do medicamento.

Existem diversos medicamentos que NÃO PODEM ser associado ao consumo de álcool, pois o álcool age no sistema nervoso central, e por isso, PODE potencializar os efeitos do medicamento, desde os desejáveis quanto os efeitos colaterais. Por isso, que o álcool não deve ser consumido por pessoas que usam anticonvulsivantes, ansiolíticos, sedativos, antidepressivos e analgésicos.

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o medicamento pode reduzir a eliminação do álcool circulante no organismo, aumentando sua toxicidade direta ao cérebro, fígado e trato digestivo. Foto: capitalotc

Além desses problemas que pode ser causado pelo uso associado do álcool com antibióticos, há o risco de sobrecarregar o organismo com a dupla tarefa de metabolizar remédios e bebidas. Pois existem alguns princípios ativos dos medicamentos que são metabolizados por enzimas produzidas pelo fígado, que também tem a função de processar o álcool. E, claro, deve ser evitado por pessoas que tenham problemas hepáticos, pois a toxicidade pode ser ainda mais grave. Existem relatos na literatura de casos fatais quando esses fatores se sobrepõem ou a pessoa tem uma sensibilidade maior às drogas.

Antes de fazer uso de qualquer medicamento, leia a bula com atenção, pois existem fármacos que competem com alimentos, bebidas tanto alcoólica quanto não alcoólicas e/ou outros medicamentos.  Com essa interação, PODE haver potencialização ou anulação do principio ativo (fármaco) do medicamento.

Veja as possíveis consequências da associação de álcool x medicamento:
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Existem diversos medicamentos que NÃO PODEM ser associado ao consumo de álcool, pois o álcool age no sistema nervoso central, e por isso, PODE potencializar os efeitos do medicamento, desde os desejáveis quanto os efeitos colaterais. Foto: folha

Fontes: uol e super
Este texto é de autoria do Biólogo Paulo Alex

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